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Falta de frente ampla desgastou a esquerda, diz Aliel Machado

Vice-líder do governo Lula avalia que concentração política no PT e polarização ampliaram força eleitoral da direita no primeiro turno.

15/10/2026
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Em entrevista concedida na sede do Congresso em Foco, o vice-líder do governo e líder administrativo do PV na Câmara, deputado Aliel Machado (PR), avaliou que a concentração do protagonismo político no PT contribuiu para o desgaste da esquerda no primeiro turno das eleições presidenciais. O parlamentar apontou a dificuldade de ampliar a articulação partidária como um dos fatores que explicam o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), especialmente na região Sul.

"Um dos fatores é não ter uma frente ampla de trabalho. A concentração no PT gera um desgaste natural. Muito tempo do PT, em que pese ter tido uma interrupção pontual no poder", declarou.

Segundo o parlamentar, a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro levou parte dos eleitores a aderir a posições políticas que não necessariamente correspondem às suas preferências. "Quando a gente olha a campanha eleitoral, com essa polarização tão grande, se você aprofunda na análise, você vê que a maioria das pessoas não estão nesses dois pontos. Mas elas acabam optando por um dos dois pontos, fortalecendo essa posição política, buscando uma alternativa", disse.

Para o deputado, a campanha de Lula precisa ampliar seu alcance político e apresentar respostas às demandas dos eleitores que não se identificam com os dois principais grupos em disputa. "Eu acho que precisa se aprofundar para além do PT".

O deputado também reconheceu que os indicadores econômicos positivos do governo Lula não foram suficientes para assegurar o apoio de parte da população à sua reeleição. Para Aliel, existe uma diferença entre os resultados apresentados pelo Executivo e a percepção dos eleitores sobre o atendimento às suas demandas cotidianas.

O parlamentar defendeu o desempenho econômico da atual gestão, destacando os resultados obtidos no controle da inflação, na redução do desemprego e no enfrentamento à fome. Também mencionou os investimentos em ciência e tecnologia, a diminuição da desigualdade e a correção da tabela do Imposto de Renda como avanços do governo.

Aliel ponderou, porém, que os resultados favoráveis não eliminaram a insatisfação de parte dos brasileiros. "Mesmo assim, há uma expectativa por parte da população que quer mais e merece mais".

Debate econômico

Ao abordar os desafios da campanha de Lula no segundo turno, Aliel defendeu que o presidente concentre o confronto com Flávio Bolsonaro na comparação entre os projetos econômicos dos dois candidatos. Para o deputado, a discussão deve questionar até que ponto o crescimento da economia representa um avanço quando não é acompanhado de desenvolvimento e redução das desigualdades.

"O preço é muito alto quando você quer forçar algumas medidas que podem trazer ainda mais desigualdade", alertou.

Entre os temas que considera prioritários para a campanha de Lula, Aliel destacou a importância dos investimentos em ciência, tecnologia e educação como instrumentos de desenvolvimento econômico. O parlamentar também sugeriu que o presidente explore os efeitos dos cortes de despesas públicas sobre os serviços essenciais, especialmente na saúde.

"Diminuir desigualdade e sofrimento das pessoas não é cortar dinheiro do SUS. Você precisa colocar dinheiro no SUS. Você precisa potencializar os atendimentos de saúde", defendeu.

O deputado apontou a Argentina como exemplo a ser utilizado nesse debate, para demonstrar os riscos de políticas econômicas que priorizem a contenção dos gastos públicos em detrimento das necessidades sociais. Aliel mencionou o fechamento de empresas e o elevado número de pessoas em situação de extrema pobreza no país vizinho, além da importância de manter recursos circulando na economia.

Outro ponto que Aliel considera importante para a campanha é a conciliação entre a estabilidade das contas públicas e a preservação das políticas sociais. O parlamentar defendeu que Lula apresente os impactos da austeridade sobre as condições de vida dos brasileiros como um dos principais critérios para avaliar as propostas econômicas em disputa.

"A gente precisa diminuir juros. O Brasil precisa ter responsabilidade fiscal. Mas isso não pode ser a qualquer custo", ressaltou.

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