A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou nesta segunda-feira (19) que está recolhendo assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar as relações da lobista Roberta Luchsinger com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa é conduzida em parceria com a deputada Coronel Fernanda (PL-MT).
A proposta busca apurar suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro. Luchsinger e Lulinha são investigados em três inquéritos no STF, abertos a partir de informações obtidas pela Polícia Federal durante a Operação Sem Desconto, responsável por investigar fraudes em aposentadorias e pensões do INSS.
Em nota divulgada em suas redes sociais, Damares detalhou os questionamentos que pretende levar à investigação parlamentar. "É preciso esclarecer quem participou, quem foi beneficiado e se a estrutura do governo federal foi utilizada para atender a interesses privados", declarou. Para apresentar o requerimento de criação da CPMI, são necessárias as assinaturas de pelo menos 171 deputados e 27 senadores, correspondentes a um terço dos integrantes de cada Casa.
A movimentação parlamentar ocorreu após Luchsinger anunciar, no sábado (17), a intenção de firmar um acordo de colaboração premiada. Em entrevista à CNN, a empresária declarou que pretende fornecer informações sobre as relações de Lulinha com integrantes do governo federal e acusou o presidente de protegê-lo.
Em manifestação divulgada após a entrevista da lobista, o Palácio do Planalto negou a existência de contratos do governo federal com Luchsinger e questionou a divulgação das acusações às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25.
Damares defendeu o aprofundamento das apurações e a responsabilização de eventuais envolvidos, independentemente de seus vínculos políticos. "Ninguém pode estar acima da lei, muito menos por ser próximo ao presidente da República", sustentou.
O assunto também esteve presente no debate presidencial de domingo (18), quando Flávio Bolsonaro (PL) questionou Lula sobre as investigações. O presidente negou conhecer pessoalmente a empresária e afirmou que o próprio filho deverá prestar esclarecimentos à Polícia Federal. A defesa de Lulinha negou em diversas ocasiões que ele tenha cometido irregularidades.
Quem é Roberta Luchsinger
Roberta Moreira Luchsinger é empresária, herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse e sócia da RL Consultoria e Intermediações. Amiga de Lulinha, ganhou projeção nas investigações sobre os descontos indevidos em benefícios do INSS por sua proximidade com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema.
Segundo as investigações, uma empresa ligada a Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão de uma consultoria associada a Antunes. A Polícia Federal apura se a empresária participou da movimentação e ocultação de recursos provenientes de atividades ilícitas. Ela foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025, durante a Operação Sem Desconto.
Luchsinger confirmou à Polícia Federal que apresentou Lulinha ao Careca do INSS, mas negou que a aproximação tivesse finalidade comercial. Os investigadores também apuram suspeitas de tráfico de influência em negociações com órgãos federais, incluindo tratativas relacionadas ao setor de cannabis medicinal. A empresária nega manter uma sociedade oculta com o filho do presidente.
A empresária passou a fazer críticas públicas ao presidente nos últimos dias, após ser chamada por ele de "pilantra". Na entrevista ao Flow Podcast, na semana anterior ao primeiro turno, Lula chegou a compará-la ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.