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INVESTIGAÇÕES
Congresso em Foco
23/8/2026 | Atualizado às 17:58
O presidente Lula (PT) afirmou neste domingo (23) que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, terá de provar sua inocência nas investigações das quais é alvo. Em entrevista à Record, o presidente defendeu que a Polícia Federal (PF) apure eventuais irregularidades independentemente de quem esteja envolvido.
"Todos nós somos obrigados a agir corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado", declarou. "Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está [acima da lei] se cometer erro."
Lulinha é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações investigam suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negócios envolvendo empresas e estruturas do governo federal. Duas estão sob relatoria do ministro André Mendonça, e uma, de Flávio Dino.
"Ele tem que provar a inocência dele"
Ao comentar a atuação da PF, Lula afirmou que não cabe ao presidente impedir ou direcionar investigações.
"Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente. Se isso acontecer, eles serão perdoados. Mas, se alguém cometeu erro e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar", disse.
Ao se referir especificamente ao filho, completou: "Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele".
Lula também afirmou que não lhe cabe atuar como "juiz, procurador ou delegado" e que sua responsabilidade é garantir condições para que as instituições conduzam as apurações.
Relação com lobista levou Lulinha à mira da PF
As investigações ganharam força a partir da relação de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger, alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O celular dela foi apreendido em dezembro do ano passado, e mensagens e relatórios produzidos a partir da perícia passaram a subsidiar as apurações.
Uma das frentes investiga uma possível atuação para beneficiar interesses privados no governo federal, incluindo a busca por contatos políticos para facilitar negócios relacionados à venda de medicamentos. Lulinha foi apontado como possível beneficiário indireto da atuação de Roberta. Ele nega irregularidades.
Pagamentos a ex-chefe de gabinete
As apurações também alcançam Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. Ele deixou o Palácio do Planalto em junho para integrar a campanha de Lula, mas saiu da função depois que as investigações vieram à tona.
A PF investiga um possível elo entre Marcola e Roberta para influenciar decisões do governo. O ex-chefe de gabinete recebeu R$ 249 mil da lobista em uma operação que classificou como empréstimo pessoal já quitado.
Nesta semana, a Folha de S.Paulo revelou que Roberta também pagou cerca de R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e outras despesas de Marcola. Segundo a investigação, os pagamentos ocorreram em 2024, período em que ela buscava negócios relacionados à cannabis medicinal no Ministério da Saúde.
Marcola nega ter recebido pagamentos como contrapartida por sua atuação no governo e sustenta que os valores faziam parte de uma relação financeira privada. Também afirma que não levou adiante uma minuta de contrato enviada pela lobista.
Entrevista será exibida durante debate
A entrevista foi gravada pela apresentadora Mariana Godoy, no Palácio da Alvorada, e será exibida pelo Domingo Espetacular, da Record, a partir das 20h30 deste domingo.
A transmissão ocorrerá durante o primeiro debate presidencial das eleições de 2026, promovido pela Band. Lula decidiu não participar do confronto, assim como Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo).
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