O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (19) que orientará sua base no Congresso Nacional a assinar o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar possíveis irregularidades envolvendo Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e eventuais agentes públicos.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), confirmou que assinará o requerimento apresentado pela oposição e anunciou apoio a uma segunda CPMI, proposta pelo PT para investigar o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por recebimento de recursos ilícitos para a produção do filme Dark Horse.
"O governo do presidente Lula mantém compromisso permanente com a ética, a transparência e o combate à corrupção. (...) Coerente com esses princípios, a base do governo no Congresso Nacional será orientada a apoiar a criação das duas CPMIs", disse.
Em nota publicada nas redes sociais, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, assegurou que a investigação defendida pela oposição "não encontrará qualquer obstáculo por parte do governo", e retomou o desafio feito por Lula a Flávio Bolsonaro durante o debate eleitoral da Band, realizado no domingo (18).
Na ocasião, o presidente propôs que ambos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos, assim como os de seus familiares. "Assim, a sociedade brasileira terá a oportunidade de verificar quem realmente tem conduta ética no exercício da função pública", declarou Guimarães.
CPMI de Roberta Luchsinger
A proposta de investigação sobre Roberta Luchsinger foi apresentada pelas parlamentares Damares Alves (Republicanos-DF) e Coronel Fernanda (PL-MT). O objetivo é apurar suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro nas relações entre a empresária, Lulinha e eventuais integrantes do governo federal.
O pedido se baseia em três inquéritos em tramitação no STF, derivados das investigações da Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. As parlamentares pretendem esclarecer se relações pessoais foram utilizadas para favorecer interesses privados dentro da administração pública.
CPMI Dark Horse
Em iniciativa paralela, os líderes do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e no Senado, Camilo Santana (CE), anunciaram que apresentarão um requerimento de CPMI para investigar as relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e Willer Tomaz. A proposta toma como referência outros dois inquéritos em tramitação no STF.
O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga o suposto financiamento do filme Dark Horse com recursos de Vorcaro. Flávio teria negociado um aporte de US$ 24 milhões, dos quais pelo menos US$ 10,6 milhões teriam sido transferidos em 2025 por intermédio de um fundo nos Estados Unidos.
Os líderes petistas apontam que o liquidante do Banco Master informou não ter encontrado registros contábeis ou contratuais de patrocínio ao filme. Também mencionam o depoimento de um operador das transferências, que teria recebido a operação como um investimento imobiliário nos Estados Unidos, sem conhecimento da produção cinematográfica.
O segundo inquérito, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro nas relações de Flávio Bolsonaro com o advogado Willer Tomaz, investigado na Operação Sem Desconto. A Polícia Federal identificou o senador como "usuário master" de uma conta bancária vinculada a uma empresa offshore do advogado em Portugal, além de movimentações de R$ 130 milhões em uma conta relacionada a Tomaz.