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ELEIÇÕES
Congresso em Foco
18/10/2026 | Atualizado às 22:58
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram neste domingo (18), às 20h15, do primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026, promovido pela Band. O encontro ocorreu nos estúdios da emissora em São Paulo, a uma semana da votação marcada para o dia 25.
Este foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos durante a campanha eleitoral. Lula e Flávio não participaram dos mesmos debates no primeiro turno, e o encontro deste domingo foi a primeira oportunidade de ambos apresentarem suas propostas e confrontarem os programas de governo diante dos eleitores.
O debate foi dividido em três blocos, com mediação dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. A programação inclui perguntas dos apresentadores, questionamentos entre os candidatos e um período de 30 minutos de confronto livre.
Entre os principais assuntos discutidos estiveram segurança pública, economia, saúde, relações internacionais e políticas trabalhistas. Flávio defendeu o endurecimento das penas contra integrantes de facções criminosas, a ampliação de vagas no sistema penitenciário e a redução das despesas públicas. Lula apresentou propostas de fortalecimento da indústria nacional, ampliação da atuação federal na segurança pública e valorização do salário mínimo. Os candidatos também divergiram sobre o fim da escala de trabalho 6x1 e a condução da pandemia de covid-19 no governo Jair Bolsonaro.
O confronto também foi marcado por acusações recíprocas sobre corrupção. Flávio cobrou explicações sobre o envolvimento de pessoas próximas à família de Lula no escândalo dos descontos indevidos do INSS. O presidente questionou o senador sobre os R$ 134 milhões negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os dois ainda trocaram acusações sobre as relações do governo brasileiro com os Estados Unidos e a possível adoção do modelo econômico do presidente argentino Javier Milei.
As provocações pessoais provocaram interrupções em diferentes momentos da transmissão. Lula reclamou de gestos de Flávio pelas suas costas e das reações da plateia, enquanto o senador acusou o presidente de mentir durante suas respostas. Os apresentadores precisaram intervir para restabelecer a ordem, inclusive nas considerações finais dos dois candidatos.
Veja o debate:
Segurança pública
O debate começou com questionamentos na área de segurança pública.
Flávio prometeu enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. Também defendeu o aumento das penas e a retomada de territórios dominados pelo crime organizado. "Eu vou construir mais de meio milhão de vagas no sistema penitenciário, porque esses marginais vão ficar presos. Quem vai andar com medo na rua são eles", declarou.
Lula cobrou de Flávio apoio à PEC enviada pelo Executivo ao Congresso e criticou a atuação dos governos estaduais no combate à criminalidade. "Acontece que os Estados fracassaram. Nenhum Estado conseguiu resolver o problema da segurança pública", disse. O presidente também afirmou que a repressão deve alcançar tanto os criminosos que atuam nas comunidades quanto os integrantes das organizações instalados em regiões de maior poder aquisitivo.
O petista defendeu a atuação coordenada entre União, Estados e municípios para recuperar territórios dominados pelas facções. "E agora, se o Senado votar a PEC da Segurança, eu criarei imediatamente o Ministério da Segurança Pública", prometeu.
Economia
Na sequência, os candidatos foram questionados sobre suas soluções para o crescimento econômico e atração de investimentos no Brasil.
Lula citou a criação do MEI, a ampliação do acesso ao sistema bancário e a formação de reservas internacionais durante seus mandatos anteriores. "Muito dinheiro na mão de pouco significa pobreza e miséria, e pouco dinheiro na mão de muito significa distribuição de riqueza, distribuição de renda", declarou. O presidente também apontou as economias digital, verde e criativa como prioridades para o desenvolvimento do país.
Flávio relembrou a longevidade das últimas gestões petistas, e questionou os efeitos da política econômica sobre o poder de compra da população. "Há quanto tempo você não coloca uma carne, um pedaço de carne no seu freezer, no seu congelador, porque simplesmente não tem mais carne na sua casa?", perguntou.
O senador também responsabilizou os gastos federais pelo endividamento das famílias e alegou que sua passagem ao segundo turno provocou uma queda de 2% nos juros futuros, o que permitiria abrir espaço de mais de R$ 200 bilhões no orçamento em uma eventual gestão. "Eu vou ajudar você a pagar a sua dívida. Eu vou ajudar o governo a pagar a própria dívida", prometeu.
O candidato do PL também apresentou uma proposta voltada a pessoas e empresas endividadas. Segundo o candidato, em um eventual governo, o poder público compraria dívidas mantidas pelos bancos para renegociá-las em condições que ele afirma serem mais favoráveis.
Escândalo do INSS
O escândalo dos descontos indevidos nas aposentadorias provocou uma troca de acusações entre os candidatos. Após Lula questionar Flávio Bolsonaro sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o senador mudou de assunto e cobrou explicações sobre a empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeitas de envolvimento no esquema.
Flávio mencionou a entrevista concedida pela empresária à CNN Brasil no sábado (17), na qual ela acusou o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de participar de negócios com ela e manifestou a intenção de fazer uma delação premiada. "Lula, é melhor você não botar a mão no fogo pelo seu filho, não, porque ela falou que o seu filho é sócio dela", declarou o senador.
Lula respondeu que seu filho está sujeito às investigações e negou qualquer interferência na atuação da Polícia Federal. "Se tiver investigação, se tiver problema, será investigado. Seja meu filho, seja meu irmão, qualquer um", declarou. O presidente também acusou o governo de Jair Bolsonaro de ter permitido a formação do esquema de fraudes e afirmou que sua gestão descobriu a organização criminosa e promoveu a prisão de seus integrantes.
O petista também cobrou explicações sobre a ligação entre empresas de Flávio e do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores do esquema. A Bravo Grafeno, da qual o senador é sócio, possui registro no mesmo endereço de empresas ligadas a Antunes, em Brasília. Flávio negou ter mantido um escritório conjunto com o empresário e rebateu a acusação: "A sua campanha está sendo a base da mentira".
Caso Master e Dark Horse
O escândalo do Banco Master provocou uma troca de acusações entre os candidatos. Lula cobrou explicações de Flávio Bolsonaro sobre o financiamento do filme Dark Horse, enquanto o senador questionou o presidente sobre uma reunião reservada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto.
Lula mencionou os R$ 134 milhões negociados por Flávio com Vorcaro para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo as investigações da Polícia Federal, cerca de R$ 62 milhões foram efetivamente transferidos para a produção, em operações que levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro. "O que você fez com esse dinheiro? O que você fez? É só explicar", cobrou o presidente.
Flávio respondeu que já havia prestado esclarecimentos sobre os recursos e exaltou o pai. "Esse dinheiro foi para o filme do melhor presidente do Brasil que já existiu, que é Jair Messias Bolsonaro, você conhece? O melhor presidente do Brasil e vai ser um filme maravilhoso", declarou.
O senador também cobrou explicações sobre o encontro de Lula com Vorcaro em dezembro de 2024, do qual participaram ministros do governo e Gabriel Galípolo, que assumiria a presidência do Banco Central no mês seguinte. "O que você estava fazendo naquela reuniãozinha fechadinha?", questionou Flávio, que sugeriu um possível acordo para favorecer o Banco Master durante a transição de comando da autoridade monetária.
Lula respondeu que a prisão de Vorcaro ocorreu durante sua gestão e atribuiu ao governo Bolsonaro a expansão dos negócios do banqueiro. "Vocês fizeram ele um banqueiro e eu fiz ele um prisioneiro", declarou. Flávio rebateu que a prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, e acusou o presidente de tentar assumir o mérito da decisão judicial.
Troca de provocações
A troca de acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro se intensificou durante o debate da Band. O senador afirmou que o presidente recebeu 73% dos votos dos presidiários nas eleições de 2022 e associou o eleitorado petista à criminalidade. "Você já teve o seu celular roubado? Já teve a sua bolsa roubada? Em quem você acha que o ladrão do seu celular vai votar?", questionou.
Lula cobrou explicações sobre a atuação de Flávio na discussão do projeto de lei que retirava exigências de identificação de munições. "Por que você queria tirar a marca das balas, o número da bala, para que não fosse identificada?", perguntou. O senador negou ter defendido a retirada dos registros e responsabilizou o governo federal pela entrada de armamentos ilegais pelas fronteiras.
O presidente também questionou o adversário sobre a contratação de familiares de um dos acusados de ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco. Flávio respondeu com críticas à presença de pessoas envolvidas em escândalos de corrupção em governos petistas. "As mesmas pessoas de lá de trás que participaram dos maiores esquemas de corrupção estão te assessorando", acusou.
Lula retomou o debate sobre a política armamentista do governo Jair Bolsonaro, afirmando que mais de 1 milhão de armas e 1,1 bilhão de munições foram liberadas durante a gestão anterior. O presidente sustentou que parte desse armamento chegou ao crime organizado. Flávio contestou os números e reagiu às referências ao ex-presidente. "Aqui é o Flávio, não é o Jair. Você tem que olhar para frente", rebateu, e provocou múltiplas vezes que "seu pai votou em mim".
Saúde pública
Questionado sobre propostas de aprimoramento do SUS, Flávio Bolsonaro prometeu implantar um prontuário eletrônico integrado, ampliar o uso da telemedicina e aplicar inteligência artificial no atendimento pelo SUS. O senador também anunciou que convidou Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para assumir o Ministério da Saúde. "Aquele mesmo atendimento com tecnologia, com médicos, com hora marcada, sem fila, que tem na rede privada, eu quero levar para o SUS", declarou.
Lula reagiu com críticas à gestão da pandemia de covid-19 no governo Jair Bolsonaro e questionou se a proposta do adversário abriria caminho para a privatização do sistema público. "Será que ele quer privatizar o SUS? Será que ele quer privatizar o SUS?", perguntou. O presidente também acusou Flávio de desconhecer o funcionamento das unidades públicas de atendimento.
Os candidatos se desentenderam durante a resposta de Lula, após pessoas na plateia rirem de provocações feitas por Flávio pelas costas do presidente. Lula reclamou da postura do adversário e pediu direito de resposta. "Quem tiver palhaço aqui é ele, não sou eu", protestou. A mediadora Adriana Araújo precisou interromper o debate e advertiu o senador: "Candidato Flávio, o senhor já respondeu a essa pergunta. O senhor não tem o direito de se manifestar nesse momento".
Comparações a Milei
Lula cobrou de Flávio Bolsonaro esclarecimentos sobre a possível adoção do modelo econômico do presidente argentino Javier Milei, baseado em cortes de despesas públicas, redução da estrutura estatal e desregulamentação. "Você sabe o quanto é que tá a pobreza na Argentina? Você sabe o quanto é que tá o desemprego? Você tem acompanhado a economia?", questionou.
A cobrança fez referência ao "tesouraço" previsto no programa de governo de Flávio, que propõe eliminar pelo menos dez ministérios, reduzir despesas administrativas e retomar privatizações. O senador tem utilizado uma tesoura gigante durante a campanha, em referência à motosserra adotada por Milei como símbolo de sua política de austeridade.
Segundo o instituto oficial de estatísticas da Argentina (Indec), a pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, contra 28,2% no semestre anterior. A taxa de desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre. Os indicadores foram utilizados pela campanha petista para questionar os efeitos sociais das políticas econômicas argentinas.
Flávio não respondeu diretamente se pretende seguir o modelo argentino e rebateu com críticas às relações internacionais do presidente. "E o seu amigo que é o Ortega da Nicarágua, um ditador? E o seu amigo que é o Maduro, que tá preso? Esses são seus amigos", provocou. Lula insistiu na pergunta e defendeu a continuidade de sua política econômica. "Sabe o modelo do Lula? É o modelo que cresce a economia. É o modelo que gera emprego", respondeu.
Política penal
Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos do regime semiaberto, conhecidas como "saidinhas". O senador citou os assassinatos de uma mulher e de um policial militar, atribuídos a condenados que haviam recebido autorização para deixar a prisão, e acusou o presidente de priorizar os direitos dos criminosos. "Lula, por que você está sempre pensando nos direitos dos bandidos e não está pensando nos direitos das vítimas?", questionou.
Lula defendeu a possibilidade de saída para presos com bom comportamento e em processo de ressocialização. "Não é porque um cidadão saiu e cometeu um erro que você vai punir milhares de pessoas que conquistaram o direito de sair diante da justiça brasileira", respondeu. O presidente ressaltou que condenados por crimes violentos, estupro e violência contra a mulher não devem receber o benefício.
Em 2024, Lula vetou o trecho do projeto de lei que proibia as saídas temporárias para visitas familiares, sob o argumento de que a restrição prejudicaria a ressocialização dos condenados. O Congresso derrubou o veto e restabeleceu a proibição, mantendo a possibilidade de saída para atividades educacionais nas condições previstas pela legislação.
Escala 6x1 e inflação
Flávio também justificou sua mudança de posicionamento sobre o fim da escala 6x1, que havia criticado como uma proposta eleitoreira antes de votar favoravelmente à PEC no Senado, na quarta-feira (14). O senador afirmou que mudou de ideia após percorrer o país e ouvir trabalhadores favoráveis à ampliação do descanso semanal. "Eu sou uma pessoa que, se for convencida, posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros", declarou.
O candidato também criticou a alta do custo de vida e acusou o governo de comprometer o poder de compra da população. "Nem os seus 600 reais do Bolsa Família, que, na época do presidente Bolsonaro, enchiam o carrinho, hoje você sabe que não enche mais", disse. Flávio prometeu adotar políticas para ampliar a renda das famílias e facilitar o pagamento de dívidas.
Lula respondeu que a inflação dos alimentos acumulada durante a gestão de Jair Bolsonaro foi de 56,17%, contra 13% registrados, segundo ele, em seu atual mandato. O presidente também defendeu a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação, para ampliar o acesso da população a produtos essenciais. "No meu governo, já está comprando 2,2 cestas básicas. Eu quero chegar a 2,5 ou 3 cestas básicas", afirmou.
Mea culpa da pandemia
Lula retomou o debate sobre a pandemia de covid-19, com críticas à condução da crise sanitária pelo governo Jair Bolsonaro. O presidente questionou o uso da cloroquina, os atrasos na vacinação e a falta de oxigênio nos hospitais, e afirmou que metade das 716 mil mortes registradas no país poderia ter sido evitada. "A única coisa que ele tinha que fazer, que ele não precisava ser muito inteligente para fazer, era escutar a ciência, escutar os médicos", declarou.
Flávio reconheceu problemas na gestão da saúde durante o governo do pai, mas defendeu as decisões adotadas naquele período. "De fato, a saúde não foi uma área que a gente teve o melhor resultado durante o governo do presidente Bolsonaro. Eu faço aqui essa minha culpa", afirmou. O senador argumentou que a pandemia era uma situação inédita, para a qual ainda não existiam respostas consolidadas, e sustentou que o ex-presidente fez o possível para enfrentá-la.
Ao final da resposta, Flávio provocou Lula por ter sido imunizado com vacinas adquiridas durante a gestão Bolsonaro. "Inclusive o Lula tomou vacina, né? Ele tomou vacina, quem comprou vacina? O presidente Bolsonaro. Tem Bolsonaro dentro do Lula".
Crescimento econômico
Questionados sobre propostas para elevar a produtividade brasileira, Lula defendeu investimentos em inovação industrial e citou o programa Nova Indústria Brasil, que, segundo ele, já recebeu R$ 725 bilhões em investimentos. O presidente também apontou a expansão dos setores digital, criativo e ambiental como prioridades para o crescimento econômico.
Lula destacou a atração de data centers, com previsão de R$ 500 bilhões em investimentos, e defendeu a formação de profissionais especializados em novas tecnologias. "Nós vamos formar milhares e milhares de jovens, sobretudo em engenharia e matemática e na nova indústria digital, para que esse país possa permitir dar um salto de qualidade", declarou.
Flávio apresentou uma proposta de ampliação do acesso ao mercado de trabalho por meio de plataformas digitais, com integração entre o governo e os setores de recursos humanos das empresas para divulgar oportunidades de emprego. O senador também prometeu tratar o acesso à internet como infraestrutura essencial, com expansão da conectividade em escolas, hospitais e comunidades indígenas.
O candidato defendeu a transformação da Caixa Econômica Federal em um banco voltado à mobilidade social, com oferta de capacitação profissional e crédito para pequenos empreendedores. "Você vai ter acesso a um financiamento barato de verdade, a um juro bem pequenininho e eu vou fazer com que você só comece a pagar os impostos baixinhos depois que você começar a ganhar o seu dinheiro", prometeu.
Relação com os Estados Unidos
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a relação de seu eventual governo com os Estados Unidos, acusando a família do senador de pressionar o presidente Donald Trump a impor tarifas sobre produtos brasileiros. "Mal sabiam eles que o Brasil só cresceu depois disso", disse. O petista também cobrou esclarecimentos sobre possíveis acordos com Washington para a exploração de minerais críticos e terras raras, utilizados nas indústrias de tecnologia e energia.
Flávio negou ter atuado a favor das tarifas e afirmou que viajou aos Estados Unidos para defender as empresas brasileiras. "Sabe o que o governo fez? Não mandou ninguém, não mandou nem umzinho para ir lá te defender", declarou. O senador também acusou Lula de tentar impedir que os norte-americanos tratassem organizações criminosas brasileiras como terroristas.
Lula retomou a cobrança sobre as reservas minerais brasileiras e questionou a promessa de Flávio de integrar o Escudo das Américas, aliança de segurança liderada por Trump. "Você disse que vai participar do escudo da América, ou seja, que é o governo da América Latina se subordinando à grandeza americana", criticou.
Flávio respondeu que a aliança prevê cooperação internacional no combate ao narcotráfico, com compartilhamento de informações e ações para interromper o financiamento das organizações criminosas. "É com a Argentina, é com Bolívia, é com vários países da América Central. Todos unidos para combater o tráfico", afirmou. O senador não respondeu diretamente se os acordos de mineração envolveriam a transferência do controle sobre reservas brasileiras.
Considerações finais
As considerações finais começaram com uma intervenção dos apresentadores após Flávio Bolsonaro se posicionar atrás de Lula e provocar reações na plateia. A mediadora Adriana Araújo interrompeu o cronômetro e pediu repetidamente que o senador respeitasse o espaço do adversário. "O senhor pode circular, mas, por favor, nas considerações finais dele, eu estou te pedindo a gentileza de permitir que ele faça as considerações finais", advertiu.
Lula agradeceu aos apoiadores que participaram das manifestações de campanha e defendeu a continuidade das políticas de incentivo à indústria nacional. O presidente criticou as privatizações da BR Distribuidora e da Eletrobras durante o governo Jair Bolsonaro, além da proposta de Flávio de privatizar grande parte das empresas públicas. "Eu quero empresa estatal forte e produtiva. E é por isso que eu fico perguntando, por que privatizar a BR? Quem ganhou com a privatização da BR?", questionou.
No início das considerações de Flávio, os apresentadores precisaram intervir novamente, desta vez para conter manifestações da plateia durante sua fala. O candidato criticou Lula e assumiu o compromisso de não apresentar promessas que não pudesse cumprir durante seu eventual mandato.
Flávio retomou suas propostas de criação do Ministério da Prosperidade e de endurecimento da política de segurança pública. Também se dirigiu aos eleitores que, segundo ele, sofrem pressões políticas em suas comunidades. "Eu quero te falar, pode votar com tranquilidade... porque o voto é secreto", declarou. O senador encerrou sua participação com agradecimentos aos eleitores e elogios à própria campanha.
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