A equipe jurídica e política da campanha de Lula (PT) detalhou nesta terça-feira (20) o pedido protocolado no TSE para disponibilizar dados bancários, fiscais e telefônicos do presidente, de familiares e de empresa ligada a ele, relativos aos últimos oito anos.
O secretário de comunicação da sigla, Eden Valadares, leu o documento assinado por Lula e afirmou que divulgação das informações depende que Flávio Bolsonaro (PL) aceite o desafio de adotar providência equivalente.
"Hoje chegou a hora da verdade, chegou o momento de separar o que é discurso, o que é narrativa, o que é hipocrisia, do que é vida real, do que é fato concreto", declarou Valadares depois de apresentar o conteúdo da petição.
Em seguida, sustentou que o eleitor tem o direito de conhecer informações sobre os dois candidatos antes de ir às urnas. A petição autoriza a liberação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula e dos familiares relacionados no documento, referentes aos últimos oito anos.
"O presidente Lula coloca, dá transparência a todo o seu sigilo e desafia o nosso adversário Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo. Quem não deve não teme, quem não tem o que esconder, chegou a hora de mostrar a verdade para o povo."
Entre os familiares de Lula relacionados no documento estão Rosângela Lula da Silva, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Claudio Lula da Silva. Do lado de Flávio, a petição propõe medida equivalente envolvendo o candidato e familiares nominalmente indicados.
Empresas
No caso de Lula, a petição declara existir uma única pessoa jurídica enquadrada nos critérios estabelecidos pelo próprio documento: a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., inscrita no CNPJ nº 13.427.330/0001-00. Segundo o texto apresentado ao TSE, Lula é sócio, mas não administrador da empresa. A campanha, portanto, afirma que a L.I.L.S. também estaria abrangida pela autorização condicionada de disponibilização das informações.
Em relação a Flávio Bolsonaro, a petição apresenta uma lista maior, mas faz uma ressalva importante: afirma que "diversos veículos de imprensa noticiaram" que o candidato integra o quadro societário de empresas brasileiras e mantém vínculo com sociedade sediada no exterior. Isso significa que a relação apresentada é uma alegação constante da petição da campanha de Lula e não, apenas por estar no processo, uma constatação ou decisão do TSE.
Entre as empresas relacionadas está a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, CNPJ nº 41.609.932/0001-13. A petição também cita a All In One Corretora de Seguros Ltda., CNPJ nº 45.914.554/0001-32, e a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda., CNPJ nº 55.586.590/0001-04.
Ao mencionar a Bravo Grafeno, Eden Valadares afirmou que a empresa "é a mesma que tem sede no mesmo endereço do careca do INSS". A quarta pessoa jurídica brasileira relacionada no documento é a Bolsonaro Digital Ltda., inscrita no CNPJ nº 27.516.314/0001-06.
Ao final, o advogado Angelo Ferraro esclareceu que a iniciativa não representa uma quebra compulsória de sigilo determinada pela Justiça e confirmou que a disponibilização integral dos dados de Lula está condicionada à anuência do adversário. A certidão do processo aponta o ministro André Mendonça como relator.
Processo: 0603195-27.2026.6.00.0000