A campanha do presidente Lula (PT) apresentou nesta quinta-feira (22), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), documentos relacionados à abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.
A iniciativa ocorre após Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno, apresentar ao menos 21 condições para divulgar suas informações.
A entrega ocorre dois dias depois de a equipe de Lula protocolar o primeiro pedido de abertura de sigilos. A autorização abrange dados do presidente, da primeira-dama Janja Lula da Silva, dos cinco filhos e da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, referentes aos últimos oito anos.
Na quarta-feira (21), a campanha petista anunciou que aceitaria as exigências de Flávio, desde que o senador também cumprisse integralmente os pedidos apresentados anteriormente pelo presidente.
Segundo o coordenador da campanha, senador Camilo Santana (PT-CE), Lula não apresenta objeções às condições estabelecidas pelo adversário, mas exige reciprocidade.
"O presidente da República não tem absolutamente nada a se opor em relação a tudo o que ele colocou como condicionantes."
Flávio apresentou ao menos 21 condições
Na quarta-feira, Flávio protocolou uma petição com pelo menos 21 exigências para autorizar a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos.
Entre os pedidos estão a abertura de informações sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, o Instituto Lula, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, chamado de Marcola, e empresas ligadas a familiares do presidente.
O senador também solicitou registros de reuniões e visitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, além de despesas com cartões corporativos da Presidência e informações sobre a agenda da primeira-dama Janja.
Na petição, Flávio autorizou a abertura de dados de empresas das quais é sócio ou administrador e afirmou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com Vorcaro. A entrega de suas informações, porém, ficou condicionada ao atendimento das exigências feitas a Lula.
Disputa começou no debate da Band
A discussão sobre os sigilos começou durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a divulgar informações bancárias e telefônicas para permitir a comparação dos dados dos dois candidatos.
Na terça-feira (20), o presidente formalizou o primeiro pedido ao TSE, que foi distribuído ao ministro André Mendonça. No dia seguinte, Flávio respondeu com uma lista de condições, ampliando o alcance das informações solicitadas.
A disputa também chegou ao último debate presidencial. Lula condicionou sua participação no encontro da TV Globo, previsto para sexta-feira (23), à abertura dos dados do adversário.
A entrega dos documentos não significa que os sigilos tenham sido efetivamente abertos. A divulgação das informações depende das autorizações e dos procedimentos necessários para o acesso aos dados.