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Ministro do TSE proíbe suspensão do "Exército do Lula" sem aval do Plenário

Decisão também suspende os efeitos de determinações anteriores ou futuras que tenham como resultado prático a indisponibilização do canal.

23/10/2026
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O ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, concedeu parcialmente uma liminar para impedir que a presidência da Corte determine, pela via administrativa, a suspensão, retirada ou restrição do funcionamento do canal de WhatsApp "Exército do Lula".

A decisão também suspende os efeitos de determinações anteriores ou futuras que tenham como resultado prático a indisponibilização do canal, redução de alcance, limitação de funcionalidades ou qualquer outra "medida em nível de canal".

A medida responde a mandado de segurança apresentado pela Coligação Brasil Pronto Pra Mais contra atos atribuídos ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.

Ministro proíbe suspensão do "Exército do Lula" sem aval do Plenário. Luiz Roberto/TSE

Na avaliação preliminar de Floriano, a competência administrativa da Presidência do TSE para fiscalizar os planos de conformidade das plataformas digitais não inclui, em princípio, o poder de suspender canais de comunicação mantidos por pessoas naturais.

O ministro afirmou que uma medida desse tipo deve ser analisada em processo jurisdicional próprio, submetido às regras de competência e ao devido processo legal.

"Não há espaço interpretativo para que a atuação administrativa de fiscalização do plano de conformidade resulte em sanções diretas a candidatos, partidos e coligação – e muito menos a pessoas naturais não participantes do pleito."

Floriano também destacou que a discussão sobre a possibilidade de suspensão do "Exército do Lula" já chegou ao âmbito jurisdicional do TSE e deverá ser apreciada pelo colegiado. Segundo o ministro, uma decisão administrativa individual sobre a mesma questão poderia invadir competência reservada ao Plenário.

O relator ressaltou ainda que as normas eleitorais permitem manifestações espontâneas de pessoas naturais na internet e, em determinadas condições, mobilizações destinadas a ampliar organicamente o alcance de mensagens políticas. Eventuais práticas ilícitas, porém, continuam sujeitas à investigação e responsabilização em processos próprios.

Processo: 0603256-82.2026.6.00.0000

Leia a íntegra

Guerra de decisões

O "Exército do Lula", canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), foi o principal alvo de decisões no Tribunal desde 11 de outubro. Na tarde desta sexta-feira, o canal somava 9,5 milhões de seguidores.

Nunes Marques determinou a suspensão do canal enquanto um pedido semelhante já era analisado pelo corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia solicitado esclarecimentos antes de decidir.

Na sequência, Cueva mandou reativar a comunidade, por considerar insuficientes as provas para o bloqueio integral. A campanha de Flávio Bolsonaro contestou a medida, e Nunes Marques determinou nova apuração com urgência.

Após novas restrições, a campanha de Lula registrou o canal como propaganda eleitoral. Nunes Marques autorizou a retomada, mas estabeleceu um prazo de 48 horas para o restabelecimento.

Na quarta-feira (14), o ministro dispensou a espera e determinou a retomada integral do funcionamento, incluindo novas publicações e a entrada de seguidores. O canal voltou ao ar naquela noite.

A última decisão relacionada ao canal é da quinta-feira (22), quando Nunes Marques determinou que a Meta apresentasse, em até 24 horas, um relatório técnico detalhado sobre o funcionamento.

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