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ELEIÇÕES
Congresso em Foco
13/10/2026 13:57
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou nesta terça-feira (13) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o grupo de WhatsApp "Exército do Lula", criado e administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), como canal oficial de propaganda eleitoral. O cadastro atende a uma das exigências estabelecidas pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, para revogar a suspensão das atividades do grupo.
A relação apresentada ao TSE também inclui o "Canal do Lula", criado em 2023, no início do mandato presidencial, e posteriormente incorporado à estratégia de comunicação eleitoral do petista. Outro endereço cadastrado foi o site "O pior dos Bolsonaros", que disponibiliza materiais de divulgação aos colaboradores da candidatura.
Exército do Lula
Criado por André Janones após o primeiro turno das eleições presidenciais, o "Exército do Lula" funciona como uma central de mobilização digital em apoio à reeleição do presidente. Por meio de um canal no WhatsApp, o deputado distribui vídeos, áudios, materiais de campanha e orientações para que os participantes ampliem o alcance das publicações nas redes sociais. A estratégia busca organizar a atuação dos apoiadores e fortalecer a presença de Lula no ambiente digital.
A iniciativa registrou crescimento acelerado desde sua criação. O canal, que reunia cerca de 50 mil seguidores no início do segundo turno, ultrapassou nesta terça-feira (13) a marca de 4 milhões de inscritos. Janones também passou a convocar influenciadores e personalidades públicas para participar da mobilização, com o objetivo de ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao presidente e alcançar eleitores fora de sua base tradicional.
O crescimento do "Exército do Lula" provocou uma reação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acionou o TSE sob a acusação de disseminação de informações falsas. A equipe do senador também passou a investir na "Tropa do Flávio", canal de WhatsApp criado para mobilizar seus apoiadores. A iniciativa reunia cerca de 1,4 milhão de seguidores nesta terça-feira.
Decisão de Nunes Marques
O ministro Kassio Nunes Marques, determinou no domingo (11) a suspensão do "Exército do Lula" até a homologação do resultado do segundo turno. Nesta terça-feira (13), o magistrado reconsiderou a proibição e autorizou a retomada das atividades, condicionada ao registro do canal como instrumento oficial de propaganda eleitoral e ao cumprimento do prazo de 48 horas após a regularização.
Nunes Marques apontou riscos na organização do grupo, especialmente nas orientações para compartilhar conteúdos sem verificação prévia. Segundo o ministro, a estrutura centralizada de distribuição de mensagens, associada ao histórico de publicações falsas atribuídas a Janones, poderia favorecer a disseminação de desinformação. A decisão também proíbe a reprodução de conteúdos retirados por ordem judicial e determina que o WhatsApp acompanhe preventivamente as publicações do canal.
O magistrado ressaltou, porém, que a mobilização organizada de eleitores é legítima e que a fiscalização deve respeitar a liberdade de participação política. A análise técnica realizada pelo TSE não identificou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, a reprodução das afirmações anteriormente consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral.
Processo: 0602791-73.2026.6.00.0000
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