O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu neste domingo (25) a prorrogação do horário de votação do segundo turno das eleições presidenciais em cidades onde a redução da circulação de ônibus teria prejudicado o deslocamento dos eleitores.
Em pronunciamento, o petista acusou prefeitos e empresários de tentar impedir o exercício do voto e defendeu a responsabilização criminal dos envolvidos.
"Não desistam de votar. Esperem e votem, porque a democracia tem que ser vencedora nesse processo eleitoral."
Lula classificou a situação como "abominável" e relatou problemas no transporte público em diferentes regiões do país. Segundo ele, quase 40% dos ônibus de São Paulo teriam sido retirados de circulação. O presidente também mencionou denúncias na Bahia e em outros estados.
"É inexplicável numa cidade como São Paulo. De vez em quando a gente tinha denúncia de uma cidadezinha pequena do interior, mas agora é na capital de São Paulo."
O presidente comparou os episódios às operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno das eleições de 2022, quando fiscalizações em rodovias provocaram denúncias de dificuldades para o deslocamento de eleitores, especialmente no Nordeste.
Lula cobra providências do TSE
Durante o pronunciamento, Lula dirigiu um apelo ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, e ao vice-presidente da Corte, André Mendonça, para garantir que os eleitores prejudicados possam comparecer às urnas.
A campanha do petista apresentou ao TSE um pedido para ampliar até as 19h a votação em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, argumenta que a redução da frota provocou longas esperas em pontos de ônibus e impediu eleitores de chegar às seções eleitorais.
Em São Paulo, a federação também pediu à Justiça Eleitoral a extensão do horário de votação por duas horas, alegando que apenas 60% da frota prevista estava em circulação durante a manhã.
Lula afirmou que pretende cobrar punições depois da eleição.
"Depois das eleições, o próximo passo é pedir a prisão desse prefeito por crime eleitoral. Porque não é possível, no século XXI, você ter prefeito tentando coibir e proibir o povo de exercer o seu livre direito democrático de votar."
Justiça determina prisão de secretário em Salvador
Na capital baiana, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/BA) determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após constatar a retenção de ônibus durante a votação.
A decisão também ordenou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com transporte gratuito e frequência equivalente à dos dias úteis. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 1 milhão por hora.
O secretário estava em Paris, na França, em missão oficial, e não havia confirmação do cumprimento da ordem de prisão até a divulgação das informações.
A Prefeitura de Salvador, comandada por Bruno Reis (União Brasil), afirmou que os ônibus foram retidos devido à presença de adesivos de propaganda eleitoral nos veículos. Segundo o prefeito, os coletivos voltaram a circular após a retirada do material.
A Secretaria Municipal de Mobilidade informou que determinou a liberação da frota e a normalização do serviço.
TSE analisa pedido de prorrogação
O presidente do TSE, Nunes Marques, afirmou na tarde deste domingo que a Corte ainda não havia decidido sobre a possibilidade de ampliar o horário de votação. Segundo o ministro, o tribunal aguarda informações do TRE-BA para avaliar a extensão dos problemas no transporte público.
Em seu pronunciamento, Lula defendeu que todos os eleitores tenham condições de votar e afirmou que não aceitará tentativas de interferência no processo eleitoral.
"O que nós queremos é uma eleição honesta, com todo mundo tendo direito, todo mundo acatando o resultado."
Ao encerrar a fala, o presidente demonstrou confiança no resultado da disputa contra Flávio Bolsonaro (PL).
"Eu vou almoçar, porque eu quero comemorar minha vitória de barriga cheia", afirmou.