O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu neste domingo (25) o segundo turno das eleições presidenciais, com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A vitória marcou a primeira vez, desde a adoção do sistema de dois turnos em 1989, que um candidato conquistou a presidência da República após terminar a primeira votação em segundo lugar.
No primeiro turno, realizado no dia 4, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O senador chegou ao segundo turno com uma vantagem de 1,87 ponto percentual, equivalente a 2,2 milhões de votos, que acabou revertida pelo petista.
Até então, todas as sete eleições presidenciais decididas em segundo turno desde a redemocratização haviam terminado com a vitória do candidato mais votado na primeira etapa. Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu diretamente no primeiro turno.
As disputas que quase viraram
A eleição presidencial de 2022 foi a que mais se aproximou de uma reversão antes da vitória de Lula em 2026. Na ocasião, o petista terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% do então presidente Jair Bolsonaro (PL). A vantagem inicial de 5,23 pontos percentuais caiu para apenas 1,8 ponto no segundo turno, quando Lula venceu por 50,90% a 49,10%.
O segundo resultado mais apertado ocorreu em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) conquistou a reeleição contra Aécio Neves (PSDB). A então presidente havia recebido 41,59% dos votos no primeiro turno, ante 33,55% do tucano. No segundo turno, Aécio reduziu a diferença de 8,04 para 3,28 pontos percentuais, encerrando a disputa com 48,36%, contra 51,64% de Dilma.
Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, Lula também esteve próximo de reverter uma derrota no primeiro turno. Fernando Collor de Mello (PRN) liderou a primeira votação com 30,48% dos votos válidos, enquanto o petista recebeu 17,19%. No segundo turno, Lula alcançou 46,97%, contra 53,03% de Collor, reduzindo a distância entre os dois de 13,29 para 6,06 pontos percentuais.
Vitórias distantes
Nas demais eleições presidenciais realizadas em dois turnos, os candidatos que lideraram a votação inicial mantiveram a vantagem no segundo turno. Em 2002, Lula venceu José Serra (PSDB), com a diferença caindo de 23,24 para 22,54 pontos percentuais. Na reeleição de 2006, ampliou a vantagem sobre Geraldo Alckmin (PSDB), de 6,97 para 21,66 pontos.
Em 2010, Dilma Rousseff derrotou José Serra, que reduziu a distância de 14,30 para 12,10 pontos percentuais. Já em 2018, Fernando Haddad (PT) diminuiu a vantagem de Jair Bolsonaro de 16,75 para 10,26 pontos percentuais, sem conseguir reverter o resultado.