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Os projetos de longo prazo do gigante asiático dependem da paz entre Rússia e Ucrânia. Seus interesses podem resultar em uma solução. Foto: Pixabay
A brutalidade e os impactos diplomáticos e econômicos deixados pelo conflito entre Rússia e Ucrânia sobre a comunidade internacional têm levado os demais países atingidos pela crise a cogitarem maneiras de ajudar na pacificação. Diversos atores já se apresentam como possíveis mediadores, mas especialistas apontam que a saída para a guerra certamente virá da China.
É o que preveem os professores de relações internacionais Ricardo Caichiolo, do Ibmec, e Bárbara Motta, da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Segundo os dois especialistas, a China é o ator que mais se beneficiaria da possibilidade de mediação do conflito, uma vez que o sucesso nessa negociação permitiria atingir tanto seus objetivos diplomáticos quanto comerciais de longo prazo.
Bárbara Motta explica que, pela via diplomática, o sucesso na mediação permitiria à China moldar um novo espaço dentro da dinâmica mundial de relações internacionais. “Ao se apresentar como um parceiro que contribui para a ordem internacional, para a estabilização e para a resolução das questões de segurança, a China pode construir uma nova imagem. Também lembrando que a imagem dos chineses foi muito prejudicada com a pandemia”, apontou.
Pela via econômica, a China já depende da paz entre Rússia e Ucrânia para dar continuidade à iniciativa Cinturão em Rota, um de seus principais projetos comerciais. “Essa iniciativa se vale muito da infraestrutura da Rússia para estabelecer conexões de escoamento de sua produção com a Europa. Para a China, ter um país da rota em estado beligerante pode comprometer a conclusão do projeto, que é a sua principal iniciativa de desenvolvimento econômico nos últimos tempos”, explica a especialista.