O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu, na madrugada desta segunda-feira (26), a acusação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que fiscais de seu partido teriam sido retirados da sala-cofre durante a apuração do segundo turno presidencial. De acordo com a Corte, dois representantes da legenda acompanharam a totalização dos votos, e há registros de presença e filmagens que comprovam seu acesso aos espaços de fiscalização.
O esclarecimento foi publicado à 0h30, na plataforma oficial Fato ou Boato, horas depois de Flávio contestar a derrota para Lula (PT), afirmar que não reconheceria o resultado e anunciar que pediria a anulação da eleição.
O senador associou a suposta retirada dos fiscais à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação em determinadas seções eleitorais.
TSE diz ter registros e filmagens
A Justiça Eleitoral classificou a acusação como falsa e explicou que a sala-cofre, onde ficam equipamentos do sistema eleitoral, não é aberta à visitação. A fiscalização partidária ocorre em outros ambientes, especialmente na Sala de Totalização.
Segundo o TSE, os dois fiscais do PL acompanharam o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo do tribunal, e a totalização e divulgação dos resultados. Também visitaram a Sala dos Partidos Políticos, no quinto andar.
A Corte afirma possuir registros da presença dos representantes e filmagens da Sala de Totalização. As imagens não foram divulgadas na nota oficial.
O acompanhamento dos resultados nesse ambiente também é permitido a representantes de outras legendas, observadores internacionais, advogados e integrantes do Ministério Público.
Flávio anuncia pedido de anulação
Após a confirmação da vitória de Lula, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, o senador questionou a prorrogação da votação em seções que enfrentaram dificuldades para concluir o processo eleitoral.
"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram", afirmou, ao anunciar que recorreria à Justiça para pedir a anulação do pleito.
A decisão de Cristiano Zanin atendeu diretamente a uma ação da campanha de Lula, que denunciou dificuldades no transporte público em municípios como São Paulo e Salvador. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia solicitado ao TSE a ampliação do horário em municípios atingidos por fortes chuvas, alagamentos e interdições de vias, em estados como Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A medida de Zanin teve alcance nacional, mas posteriormente foi limitada às seções eleitorais cujas urnas ainda não haviam sido fechadas às 17h.