O ex-deputado estadual Arthur do Val, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), afirmou nesta segunda-feira (26) que apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) tinham vergonha de defender a candidatura do senador à presidência. Em transmissão ao vivo, um dia após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, Do Val responsabilizou a família Bolsonaro pela derrota eleitoral e dirigiu insultos a lideranças de direita que apoiaram Flávio.
O ex-parlamentar relatou ter conversado, no domingo (25), com eleitores que o questionaram sobre seu voto. Entre eles, mencionou um homem vestido com a camisa da seleção brasileira, que identificou como apoiador de Bolsonaro. "Cara constrangido de ter que apoiar esse bosta, esse merda desse Flávio."
Do Val também questionou a autenticidade do apoio recebido pelo senador nas redes sociais. "Vocês compraram influenciadores, meu irmão, que os caras não tinham coragem de falar que estavam apoiando o Flávio porque gostavam. Caiu dinheiro na conta dos caras."
Do Val lembrou que Jair Bolsonaro perdeu a disputa pela reeleição em 2022, mesmo controlando a máquina federal, e que Flávio não conseguiu derrotar Lula apesar de ter terminado o primeiro turno na liderança. O presidente conquistou 51,79% dos votos válidos no domingo, contra 48,21% do senador, ampliando a vantagem de 1,8 ponto percentual obtida contra Jair Bolsonaro quatro anos antes para 3,58 pontos.
Arthur cobrou ainda a atuação das lideranças que apoiaram Flávio após a derrota, com críticas especialmente dirigidas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). "Cadê a maior oposição da história? Cadê aí, ó, a tropa do 22? Cadê a tropa de vocês, seus bostas, seus merdas?" Também acusou integrantes do grupo de priorizarem a própria sobrevivência política, enquanto Flávio perdia a eleição presidencial. "O cargo de vocês, vocês garantiram"
Disputa pelo protagonismo da direita
Arthur do Val e outros dirigentes do MBL mantêm críticas de longa data ao domínio exercido pela família Bolsonaro sobre a direita brasileira. O movimento questiona a atuação de lideranças conservadoras que sustentam esse protagonismo e defende a construção de uma alternativa política independente, organizada atualmente em torno do partido Missão.
No segundo turno, o fundador do MBL e ex-candidato à presidência Renan Santos (Missão) recusou apoio tanto a Lula quanto a Flávio. Renan terminou o primeiro turno em quarto lugar, com 2,24% dos votos válidos, e anunciou que não orientaria seus eleitores a votar em nenhum dos dois concorrentes. Apesar disso, manteve críticas recorrentes a Flávio, e explicitou a visão de que uma vitória do candidato do PL inviabilizaria o surgimento de novas lideranças de direita.
Após a vitória de Lula, Renan também responsabilizou a família Bolsonaro pela derrota. Em vídeo publicado na noite de domingo, criticou a arrogância de seus integrantes e a estratégia de comunicação digital adotada por seus aliados. "Uma direita que fica dançando o tempo todo, termina dançando na eleição", declarou.