O município escolhido por Nikolas Ferreira (PL-MG) para uma das principais ofensivas digitais da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no Nordeste registrou, nas urnas, um movimento diferente daquele buscado pela estratégia.
Lula (PT) aumentou em 22,6% o número de votos recebidos em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, entre o primeiro e o segundo turno, enquanto Flávio cresceu 3,1%.
O candidato do PL continuou à frente e venceu por 61,60% a 38,40%, mas a distância entre os dois diminuiu. No primeiro turno, Flávio havia recebido 38.496 votos, ou 62,03% dos válidos. Lula teve 20.173 votos, equivalentes a 32,51%.
A diferença entre os dois naquele momento era de 18.323 votos. É preciso considerar que outros candidatos também disputavam aquela etapa e somavam os votos restantes.
Três semanas depois, já no confronto direto, Flávio chegou a 39.688 votos, acréscimo de 1.192 eleitores. Lula saltou para 24.739, conquistando 4.566 votos a mais do que havia recebido no primeiro turno.
Em termos proporcionais ao número de votos obtidos por cada candidato, Lula cresceu quase sete vezes mais que Flávio: aproximadamente 22,6% contra 3,1%. A diferença nominal entre os dois, consequentemente, caiu de 18.323 para 14.949 votos.
O movimento chama atenção porque aconteceu justamente no município transformado por Nikolas em cenário do vídeo "O Nordeste que foi esquecido", publicado cinco dias antes do segundo turno como parte da tentativa de Flávio de avançar sobre o eleitorado nordestino.
Na Bahia, Lula manteve no segundo turno de 2026 a forte vantagem eleitoral do PT no Estado e fez do eleitorado baiano uma peça importante de sua votação nacional. O desempenho reforçou o peso político do maior colégio eleitoral do Nordeste em uma disputa presidencial apertada, na qual Lula terminou reeleito com 51,79% dos votos válidos no país, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.