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Caso Master: PF apura prejuízo de R$ 121 milhões em previdência de SP

Operação investiga aplicações de R$ 100 milhões feitas pelo fundo de aposentadoria dos servidores de São Roque; PF cumpre nove mandados em dois estados.

27/10/2026
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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (27) a Operação Entressafras para investigar suspeitas de irregularidades em investimentos de cerca de R$ 100 milhões feitos pelo instituto de previdência dos servidores municipais de São Roque (SP). Parte dos recursos foi aplicada no Banco Master, de Daniel Vorcaro. O prejuízo estimado é de R$ 121 milhões.

Os policiais cumprem nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e Pernambuco. A investigação abrange operações realizadas entre 2022 e 2024 pelo São Roque Prev, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores municipais. As aplicações incluem R$ 80 milhões em letras financeiras e R$ 20 milhões em um fundo imobiliário. O valor do prejuízo estimado foi objeto de bloqueio judicial de bens dos investigados.

O município de São Roque tem 81 mil habitantes e está localizado na região metropolitana de Sorocaba, a cerca de 60 km da capital paulista.

Fachada da sede da São Roque Prev.Google Street View

Suspeitas de direcionamento

Segundo a PF, os investimentos foram feitos sem fundamentação técnica adequada, desconsiderando processos administrativos sancionadores, alternativas disponíveis no mercado e critérios de diversificação. Há suspeitas de que as instituições financeiras tenham sido escolhidas antes da avaliação dos riscos.

Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, peculato financeiro, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro, entre outros delitos. A operação dá continuidade a uma investigação que já havia motivado uma ação da PF em São Roque no início do ano.

TCE determinou ressarcimento

Na semana passada, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) determinou que o ex-presidente do São Roque Prev, Vanderlei Massarioli, ressarça R$ 93,15 milhões aplicados em letras financeiras do Master em 2024, conforme revelou o Estadão. O valor, sujeito a recurso, deverá ser corrigido e acrescido de juros, descontadas eventuais quantias recuperadas.

As sete aplicações representavam cerca de 18% da carteira do instituto. O tribunal julgou irregulares as contas de 2024 e determinou o encaminhamento do caso ao Ministério Público, além de propor a apuração da atuação da consultoria responsável pelos pareceres.

Massarioli alegou que as decisões foram colegiadas, respaldadas por especialistas e tomadas antes do agravamento da crise do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. As aplicações não tinham cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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