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Argentina diz não ter registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país

PF apura se senador deixou o Brasil após decisão de Moraes que proibiu viagem ao exterior. Prazo para entrega dos passaportes terminou nesta terça-feira (27).

27/10/2026
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A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou nesta terça-feira (27) que não há registro de entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no país. A declaração ocorre enquanto a Polícia Federal (PF) apura se o parlamentar deixou o Brasil após ser proibido de viajar ao exterior por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A autoridade migratória também disse que iniciou a fiscalização de uma aeronave apontada como possível meio de transporte do senador e que não recebeu nenhum plano de voo com integrantes da família Bolsonaro.

Flávio segura uma tesoura ao lado do presidente argentino, Javier Milei, seu aliado, em 25 de julho de 2026. Gabriel Silva/RasPress/Folhapress

"A Direção Nacional de Migração não possui registro da entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina. Devido ao frenesi midiático em torno da presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Iguaçu, as autoridades iniciaram as verificações cabíveis na aeronave e na tripulação", informou o órgão.

A apuração começou após o site argentino Infobae noticiar que Flávio teria atravessado a fronteira usando a carteira de identidade e seguiria de Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu (PR), em um jato particular rumo aos Estados Unidos. Policiais federais de Foz do Iguaçu também não encontraram registros da passagem do senador pela fronteira.

O avião citado pelo Infobae, um Gulfstream G400 da empresa Baires Fly, chegou a Puerto Iguazú às 23h45 de segunda-feira (26), segundo o Flightradar24. Até o início da tarde desta terça-feira, não havia registro de nova decolagem, embora voos particulares possam não aparecer nas plataformas de rastreamento.

Passaportes não foram entregues

Na noite de domingo (25), após a derrota de Flávio para o presidente Lula (PT) no segundo turno, Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes e não deixasse o Brasil. O prazo terminou às 11h desta terça-feira (27), sem que os documentos fossem apresentados à PF.

A decisão foi tomada em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. A apuração envolve possíveis operações financeiras relacionadas a empresas do advogado e ao setor de apostas. Ambos confirmam que são amigos, mas negam manter sociedade ou ter cometido irregularidades.

O senador também é investigado pela PF por possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na segunda-feira (26), Flávio criticou a decisão de Moraes e afirmou que entregaria os documentos. "Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar", declarou. A PF prossegue com as investigações para esclarecer se o senador deixou o Brasil em descumprimento à ordem judicial.

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