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Projeto cria novas restrições para acesso de crianças às redes sociais

Proposta atribui a autoridade digital a classificação das plataformas e prevê exceções para redes educacionais e serviços públicos.

31/10/2026
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O projeto de lei 5.680/2026, de autoria do deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), proíbe a criação de contas de crianças em redes sociais classificadas como de alto risco pela autoridade administrativa autônoma responsável pela proteção dos direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A proposta altera a Lei 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, e determina que a autoridade estabeleça critérios para classificar as plataformas de acordo com os riscos oferecidos ao público infantil.

Projeto quer limitar contas infantis em redes sociais consideradas de risco.Magnific

Critérios de risco

Entre os fatores que deverão ser considerados estão a existência de funcionalidades de interação direta entre usuários, mecanismos de recomendação ou ampliação do alcance de conteúdos e recursos que possam favorecer o uso excessivo da plataforma.

Também deverão ser avaliados riscos relacionados à privacidade e ao desenvolvimento das crianças.

A proibição não será aplicada a redes sociais destinadas predominantemente a fins educacionais, plataformas criadas e operadas por órgãos ou entidades da Administração Pública para prestação de serviços públicos e redes submetidas a controle editorial, conforme as condições previstas no projeto.

Justificativa

Na justificativa, Jorge Goetten cita discussões da União Europeia sobre a criação de limites para o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais.

O deputado também menciona preocupações relacionadas ao uso excessivo de telas e seus possíveis impactos sobre a aprendizagem. Segundo a justificativa, dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) foram utilizados em debates europeus sobre distração digital e desempenho escolar.

O parlamentar cita ainda riscos associados à exposição de crianças e adolescentes a conteúdos violentos, discurso de ódio, pressões relacionadas à imagem corporal, abordagens de natureza sexual e aliciamento.

Riscos no Brasil

Para sustentar a proposta, Goetten cita dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025. Segundo os números apresentados na justificativa, entre usuários de internet de 9 a 17 anos, 8% relataram ter tido contato com imagens ou vídeos de conteúdo sexual na internet.

Entre os usuários de 11 a 17 anos, 20% afirmaram ter recebido alguma mensagem ou solicitação com conteúdo sexual. A pesquisa também registrou relatos de tratamento ofensivo e outras situações de risco relacionadas às interações on-line.

Na avaliação do deputado, a classificação de plataformas de alto risco e a proibição de contas infantis nesses serviços reforçariam as medidas de proteção previstas no ECA Digital.

A proposta busca, segundo a justificativa, estabelecer uma barreira adicional para crianças em plataformas que apresentem maior exposição a riscos de interação, recomendação de conteúdo, uso excessivo e privacidade.

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