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Pacote de ações do governo prevê presença permanente de órgãos de segurança na Terra Indígena Yanomami para enfrentar o garimpo. Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real
Mariana Lacerda*
Bolsonaro parece ter como meta facilitar a destruição de florestas brasileiras em tempo recorde. Mas claramente o presidente não está sozinho nessa empreitada. O agora ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, investigado pelo Supremo Tribunal Federal, sempre foi um aliado de primeira hora e, ao que parece, seguirá com influência por meio dos ruralistas que abrigou no governo.
Mesmo depois de ter sido alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal e apesar de toda pressão de atores internacionais, empresas e sociedade civil organizada, Salles já viu cair ministros técnicos, ideológicos, quatro só na saúde. Hoje foi a vez de Salles, mas a pedido do próprio ministro, segundo o Diário Oficial da União. Na retaguarda da dupla – presidente e ministro - estão forças robustas: deputados e senadores da chamada Bancada do Boi, rupo suprapartidário composto por nossa parcela mais atrasada dos ruralistas, com peso para definir eleições no Congresso. Com 245 deputados e 39 senadores, eles representam quase metade da Câmara e dobraram de tamanho nos últimos dez anos. Sob a mesma lógica, quem está cotado para assumir o lugar de Salles é seu subordinado Joaquim Álvaro Pereira Leite, que exercia até então o cargo de secretário da Amazônia e Serviços Ambientais do ministério.
Foi justamente essa força que pesou na aprovação do PL do licenciamento ambiental na Câmara. O projeto, que fragiliza a proteção ambiental, dispensa automaticamente uma série de regras para construção de empreendimentos e traz a hipótese de autodeclaração sem análise prévia de órgão ambiental.
O contraponto a todo esse cenário interno é que Bolsonaro está sozinho nessa batalha quando o campo é global. Até o final do ano passado, enquanto o então presidente dos EUA, Donald Trump vociferava questionando o aquecimento global, elogiando a produção de energia à carvão e retirava os Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris, o chefe do executivo brasileiro ainda tinha companhia. Agora, obviamente deslocado em relação ao resto do mundo, a postura do presidente no que diz respeito ao Meio Ambiente corrobora com a imagem de pária que seu ex-chanceler tanto almejava para nós.