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Os deputados Alessandro Molon e Danilo Cabral, do PSB [fotografo]Luis Macedo/Câmara dos Deputados[/fotografo]
Com 30 deputados, a bancada do PSB na Câmara começou este ano dividida. É que ainda não há consenso sobre o nome que assumirá a liderança do partido em 2020. Inicialmente, falava-se que o cargo que hoje é de Tadeu Alencar (PE) seria ocupado por Danilo Cabral (PE). Porém, nos últimos meses, ganhou força a ideia de que Alessandro Molon (RJ) fique com o posto. Por isso, a disputa partiu para a lista de assinaturas.
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Deputados do PSB contaram ao Congresso em Foco que Molon e Cabral recolhem assinaturas de apoio à liderança desde o ano passado e hoje estariam quase empatados nessa disputa. Tadeu Alencar tenta, então, construir um acordo em torno do nome do seu sucessor. Ele admite, contudo, que, se a bancada não chegar a um consenso até o fim deste mês, o próximo líder do PSB na Câmara será escolhido por eleição, através da conferência das listas, como já aconteceu durante a briga do PSL e mais recentemente no PSDB.
"É normal um processo de escolha via disputa se não houver uma escolha consensual. E os dois candidatos estão se movimentando. Meu papel é encontrar uma zona de convergência que não precise levar isso a uma disputa real", minimizou Tadeu Alencar, tentando afastar a imagem negativa que a ideia da "briga de listas" carrega desde a crise do PSL.
A disputa
O nome de Danilo Cabral estava posto na disputa pela liderança do PSB na Câmara desde meados do ano passado, quando o novo líder seria escolhido. Na época, acordou-se, contudo, que Tadeu Alencar ficaria no posto até o fim de 2019. Danilo guardou, então, a lista com 17 assinaturas que conseguiu a favor da sua liderança achando que estava garantido no cargo neste ano. Em dezembro, contudo, foi surpreendido com a indicação de Molon.
Procurado, Molon preferiu não fazer muitos comentários sobre o assunto. Só indicou que está aberto ao diálogo. Aliados do deputado carioca afirmam, por sua vez, que incentivaram essa candidatura por entenderem que Molon seria importante para o caminho que o PSB quer trilhar em 2020. Neste ano, a ideia do partido é trabalhar o processo de autorreforma. Molon se encaixaria nesse trabalho por ser jovem e ter visibilidade nacional.
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Esta também seria uma forma de entregar a liderança a um deputado de fora de Pernambuco, que já foi representado em 2019 por Alencar e também ocupa a presidência nacional do partido. E, assim, fortalecer o partido em outros locais do país. Por isso, até deputados pernambucanos que haviam apoiado Danilo Cabral em julho de 2019 já assinaram a lista de Molon.
Ainda pesa a favor do deputado carioca o fato de ele ter se firmado como uma voz crítica ao governo de Jair Bolsonaro ao ocupar a liderança da Oposição na Câmara em 2019. "O nome de Danilo foi colocado lá atrás, mas esse processo não se esgotou porque, ao longo do tempo, há alterações no perfil da bancada. O nome de Molon, por exemplo, foi lançado por uma parte da bancada que acha que, nesse momento, ele cumpriria melhor esse papel, já que esteve, com muita competência, na liderança da Oposição. É um nome nacional, positivo", argumentou Tadeu Alencar.
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