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Foto: Andrew Hart/Flickr
Daniel Majzoub*
O mundo já migrava para uma revolução digital, onde a adequação aos novos parâmetros de consumo, interação com análise de dados se faziam necessários, dentro de uma ótica do Darwinismo corporativo (sobrevive quem se adapta). Neste contexto, a pandemia do covid-19 foi uma catalisadora deste processo de transformação do comportamento humano, ao criar novos padrões de relacionamento, sejam estes na esfera particular ou no ambiente de trabalho. As interações e comunicações via aplicativos e plataformas são a regra geral hoje, ao fazer surgir uma abundância de comodidades e preocupações (inerentes à primeira).
A privacidade de dados é, sem sombra de dúvidas, a principal fonte de preocupações no mundo do compliance regulatório. Dados têm muito valor e não há empresas de ponta que não façam a devida análise destes para otimizar recursos e maximizar resultados. Surge daí uma nova leitura da ciência comportamental humana em junção com a análise de dados prescritiva, que visam prever como o indivíduo (titular destes dados) agirá. Isso tudo dentro de um rigor técnico que busca a menor margem de erro possível, dentro de um percentil de acerto acima de 95%.
Dados e 5 V’s
A valoração dos dados se dá dentro do conceito de 5 V’s: Volume, Variedade, Veracidade, Velocidade e Valor.
O Volume se refere ao Big Data, os data lakes e demais fontes inesgotáveis de informações sobre uma infinidade de indivíduos. Neste quesito de análise de dados, tamanho é documento. Quanto maior o volume de dados, maior potencial de exploração se tem.
A Variedade se refere à uma plenitude de ângulos de abordagem de cada titular de dados, tendo assim uma visão holística deste indivíduo. Isso permite uma abordagem completa na leitura das suas características e padrões de comportamento. Se o volume é uma mensuração quantitativa, a variedade e veracidade dos dados são réguas qualitativas.
A Veracidade se refere à precisão dos dados coletados. Quanto mais fidedignos os dados, mais valor se terá, pois mais assertiva será a interpretação das conclusões resultantes do seu processamento. De nada vale se ter volume, sem variedade e veracidade.
A Velocidade se refere à rapidez com a qual os dados podem ser processados. De acordo com a lei de Moore de 1965 o poder de processamento aumenta exponencialmente de tempos em tempos. Através de um conceito estabelecido por Gordon Earl Moore, tal lei dizia que o poder de processamento dos computadores (entenda computadores como a informática em geral, não os computadores domésticos) dobraria a cada 18 meses. Hoje já se encontra saturada essa possibilidade de expansão em progressão geométrica no padrão binário de processamento. Por outro lado, com o advento da computação quântica a velocidade de processamento de dados entrará em um novo patamar onde o céu será o limite!
O Valor nada mais é do que a somatória dos 4 V’sque o antecedem. Agregar valor é o mantra da economia digital, pois ele pesa favoravelmente no delta entre retorno sobre investimento frente aos custos operacionais. Empresas bem sucedidas competem por valor e não por preço.
Preocupações com a análise de dados
A privacidade é muito importante para os clientes, associado e toda gama de titulares de dados. Os consumidores têm se tornado cada vez mais conectados e estão constantemente compartilhando informações online. Eles estão pesquisando, comprando e usando produtos e serviços online, através de uma infinidade de dispositivos conectados. Eles também estão optando por compartilhar suas preferências como parte das interações em mídias sociais e sites de busca. Todos estes dados de clientes estão sendo coletados por fabricantes de dispositivos, aplicativos de desktop e aparelhos móveis, provedores de internet e operadoras de telefonia para seus próprios fins ou para vender à outras empresas.
Em muitos casos, os consumidores estão felizes em compartilhar informações como fotos, opiniões e locais através do Instagram, LinkedIn, Facebook, Snapchat e Twitter. Por outro lado, quando se trata de outros aspectos, muitas vezes altamente pessoais de sua vida - saúde, riqueza e família –estes consumidores são mais protetores e avessos à intrusão.
Nos EUA, de acordo com uma pesquisa recente realizada pela empresa AnchorFree, uma surpreendente maioria dos americanos - 95% - está preocupada com as empresas que coletam e vendem informações pessoais sem permissão. Além disso, mais de 80% estão mais preocupados com sua privacidade e segurança online hoje do que em 2019. No Brasil, o cenário não é muito diferente.
Isto significa que os clientes estão pensando em privacidade quando visitam um website, usam um aplicativo ou consomem produtos e serviços. A questão é: o quê estamos fazendo para demonstrar aos clientes que a privacidade deles é importante para sua empresa ou entidade?
A privacidade é importante para a sua marca. A maioria das empresas hoje estão conectadas a outros parceiros comerciais em nosso comércio mundial altamente interdependente. As empresas podem estar usando uma loja virtual hospedada, um provedor de e-mail marketing separado e uma operação de hospedagem de website diferente. Todas elas empregam diferentes maneiras de lidar com as informações dos clientes.
O mesmo vale para outros parceiros de negócios, considerados “operadores de dados” na nomenclatura da LGPD, como agentes de marketing, desenvolvedores de infraestrutura (hospedagem de site e armazenamento de dados), plataformas de mídia digital e demais prestadores de serviços terceirizados. Quando as empresas oferecem ou recebem indicações de clientes, essa informação está indo e vindo e potencialmente exposta e tratada de forma diferente por cada entidade desta cadeia de consumo.
Esta abordagem distribuída da exposição de informações significa que as empresas precisam pensar mais ampla e profundamente sobre privacidade. Privacidade não são apenas alguns parágrafos enterrados em uma página de termos e condições de uso em seu website. A privacidade está embutida nas interações diárias com os clientes. A privacidade é algo que pode impactar uma marca, perturbar a experiência do cliente e potencialmente prejudicar a reputação de uma empresa.
- ao processamento de dados no território do Brasil,
- Processamento de dados de indivíduos que estão dentro do território do Brasil, independentemente de onde no mundo o processador de dados esteja localizado,
- Tratamento dos dados coletados no Brasil.