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Mara Gabrilli recebe o apoio de deputados e senadores na sessão do Congresso [fotografo]Roque de Sá/Agência Senado[/fotografo]
Principal voz de defesa das pessoas com deficiência no Congresso, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) conseguiu angariar o apoio de diversos parlamentares para a tentativa de barrar o projeto de lei do governo federal que pode reduzir o acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho. A senadora, que é tetraplégica, articulou a retirada da urgência do projeto e ainda recebeu o compromisso de "apoio integral a essa agenda" do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
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O apoio veio depois que a senadora fez um discurso emocionado durante a sessão do Congresso desta terça-feira (3) dizendo que a medida é um retrocesso e vai acentuar a exclusão das pessoas com deficiência ao alterar a Lei de Cotas. "Sinto muito, Governo Bolsonaro, não tem primeira-dama que explique isso, nem na Língua Brasileira de Sinais. Retire esse projeto e vamos construir um projeto juntos!", reclamou a senadora, que concluiu sua fala sob aplausos. Veja o depoimento de Mara Gabrilli:
"Hoje, que seria um dia para comemorarmos o nosso progresso, enquanto outros países estão comemorando a inclusão — Desculpem-me! Desculpe-me, Rogerio Marinho! Desculpe-me, Bruno Bianco! Desculpe-me, Paulo Guedes! —, o que estamos fazendo é chorando porque estamos dando um passo de retrocesso, porque estamos dando um passo para a exclusão, porque este projeto que chegou na Casa esta semana, justo na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, é um projeto que vai desmoronar a Lei de Cotas, que há duas décadas vem colocando pessoas com deficiência no mercado de trabalho, fazendo essas pessoas virarem contribuintes, fazendo essas pessoas saírem, muitas vezes, da assistência social para virarem contribuintes brasileiros", discursou Mara Gabrilli.
Ela ainda refutou a tese do governo de que a Lei de Cotas, que pede para empresas com cem ou mais funcionários preencherem de 2% a 5% das suas vagas de trabalho com profissionais reabilitados ou pessoas com deficiência, não pode ser cumprida. O projeto de lei de autoria do governo Bolsonaro diz que só metade das 768 mil vagas asseguradas por lei e, por isso, propõe outras medidas de inclusão.
O projeto sugere, por exemplo, que as empresas que não cumprirem a Lei de Cotas poderiam dar uma contribuição financeira a um fundo que será gerido pelo Ministério da Economia com o intuito de promover ações de habilitação e reabilitação dos trabalhadores ligados ao Regime Geral de Previdência Social. Especialistas dizem, por sua vez, que nem todos as pessoas com deficiência estão nesse regime, sobretudo porque muitas delas nunca teve a oportunidade de trabalhar.