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Coordenador ONG Saúde e Alegria, Caetano Scannavino
Ambientalistas se manifestaram sobre a operação Fogo do Sairé, que investiga a origem dos incêndios que atingiram a região de Alter do Chão, em setembro deste ano. A polícia civil do Pará prendeu quatro brigadistas da Brigada de Alter e apreendeu computadores e documentos da ONG Saúde e Alegria. "Nessa manhã a polícia civil chegou de forma truculenta, armada com metralhadora no nosso escritório, sem a gente saber porque, sem a gente saber qual a acusação e sem decisão judicial. Com o mandato de apreensão sem definir o que, para que", declarou o coordenador do projeto Saúde e Alegria, Caetano Scannavino. "Levaram tudo, naquele ambiente de medo, naquele ambiente de apreensão", relatou.
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A ONG Saúde e Alegria afirma não saber qual é a acusação contra ela."Eu queria deixar claro que a gente desconhece, não sabemos até agora porque a gente está sendo acusado. Porque foram no nosso escritório sem decisão judicial, com um mandato genérico para apreender tudo. Do que que a gente está sendo acusado?", desabafou.
Caetano também comentou sobre os brigadistas presos."Eu conheço pessoalmente os brigadistas, são pessoas de confiança, de boa índole, pessoas que se voluntariam para ajudar o estado a combater os incêndios", disse. "O Saúde e Alegria há 20 anos, sempre no mês de agosto e setembro, promove campanha de prevenção de fogo, promove a formação de novos brigadistas", afirmou Caetano que também declarou que continuará apoiando o trabalho dos combatentes de fogo.
Segundo nota oficial da polícia civil do Pará, os brigadistas teriam colocado fogo na floresta para produzir vídeos e vender para ONGs, como a WWF-Brasil. A polícia afirma que a instituição comprou as imagens para conseguir patrocínio internacional para combater os incêndios. Em resposta a ONG afirmou que "não adquiriu nenhuma foto ou imagem da Brigada" e que, ao contrário do que aponta a investigação, ela atua viabilizando "financeiramente a compra dos equipamentos para o combate ao fogo, dentre os quais abafadores, sopradores, coturnos e máscaras de proteção".
Indígenas da região de Alter do Chão também se manifestaram em solidariedade aos brigadistas presos. "A brigada de Alter sempre atuou em defesa do nosso território, conhecemos a seriedade do trabalho e honestidade dos nossos brigadistas. Entendemos que estas acusações fazem parte de uma estratégia para desmoralizar e criminalizar as ONGs e movimentos sociais de forma caluniosa, áudios fragmentados, circulados fora do contexto, replicam um método já conhecido de influenciar a opinião pública, na tentativa de tornar fato acusações que ainda não foram comprovadas", afirmou em nota a associação Iwipuragã do povo Borari de Alter do Chão.
O deputado Nilto Tatto (PT-SP) afirmou que a operação aconteceu para dar base ao discurso do governo que vem tentando criminalizar as ONGs. "Está se produzindo algo para poder dar base a esse discurso mentiroso", disse o deputado. "A gente se cala quando se criminaliza um movimento popular, se cala quando se criminaliza uma ONG, se cala quando se criminaliza os terreiros. Na hora que isto chegar nas igrejas, na hora que isto chegar nas redações, não vai ter mais tempo para poder se calar", disse antes de concluir afirmando que a Frente Parlamentar Ambientalista acompanhará este caso de perto.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Helder Salomão (PT-ES), também declarou que a operação desta terça é uma tentativa de criminalizar o trabalho desenvolvido pelas ONGs. "Começou a se tornar frequente a tentativa de se criminalizar aqueles que lutam por justiça, em defesa meio ambiente, em defesa dos direitos humanos, em defesa da democracia e da cidadania", disse.