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Investigado nos inquéritos dos atos de 8 de janeiro, Gonçalves Dias passou cinco horas depondo na Polícia Federal. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Uma reunião de poucos minutos no gabinete do ministro da Comunicação, Paulo Pimenta, selou na tarde desta quarta-feira (19) o afastamento do general Gonçalves Dias do comando do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Segundo informações apuradas pelo Congresso em Foco, foi o próprio general que pediu o afastamento, aceito de imediato pelo governo.
A exoneração do general se deu horas depois de vazarem gravações das câmeras de segurança do Palácio do Planalto, que revelaram ele e outros oficiais do GSI circulando pelo prédio em meio à invasão, e interagindo com vândalos. O ministro era encarregado de orientar a segurança do presidente da República, e era responsável por chefiar o serviço de inteligência até então.
Inicialmente, o afastamento, segundo apurou o Congresso em Foco, ocorreria até que as investigações fossem concluídas, mas o Palácio mudou de ideia e aceitou a exoneração, por representar um desgaste direito ao presidente Lula, caso o general se mantivesse no cargo.
Em nota divulgada pelo Palácio, o governo afirmou que todos os militares identificados nas imagens estão sendo investigados. Segundo o Palácio, 81 militares já foram ouvidos, inclusive do GSI.
"O governo tem tomado todas as medidas que lhe cabem na investigação do episódio. E reafirma que todos os envolvidos em atos criminosos no dia 8 de janeiro, civis ou militares, estão sendo identificados pela Polícia Federal e apresentados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A orientação do governo permanece a mesma: não haverá impunidade para os envolvidos nos atos criminosos de 8 de janeiro", diz a nota.
Em entrevista à TV Globo, o general Gonçalves Dias afirmou que estava no Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro para retirar os invasores golpistas de lá. A entrevista foi dada na tarde desta quarta-feira, pouco antes de a demissão de Gonçalves Dias ser confirmada pelo Palácio.
"Cheguei ao palácio quando os manifestantes tinham rompido o bloqueio militar na altura do Ministério da Justiça. A maior parte subiu pela rampa. Como o palácio tem vidro, as pessoas quebraram os vidros. Não entraram pelas portas. É um vidro extremamente vulnerável".
"Eu entrei no palácio depois que o palácio foi invadido e estava retirando as pessoas do 3º e 4º piso, para que houvesse a prisão no 2", completou.
Mais cedo, Gonçalves Dias, deixou de comparecer na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados onde estava combinado que prestaria esclarecimentos sobre as ações de sua pasta durante os atos golpistas de 8 de janeiro. O convite para comparecer na Câmara partiu dos parlamentares de oposição, que acusam ministros do governo de ter prevaricado nas ações de enfrentamento aos vândalos. Ele alegou problemas de saúde para a ausência.
Diante da ausência do ainda ministro, a oposição já afirmou que, na próxima semana, irá trabalhar para transformar o convite em convocação. Se aprovado, desta forma, o general, que já não é mais ministro, terá de comparecer. O pedido de mudança da forma de participação será feita pelo presidente da Comissão, Sanderson (PL-RS).