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Marcon: "A gente teve la´ na Bahia.... e´ um Haiti... Na~o tem explicac¸a~o, e´ uma pobreza, e´ tudo pichado, e´ sujo, e e´ uma a´rea turi´stica", são alguns trechos do discurso de Marcon que motivou o Psol a entrar com representação. Foto: Pablo Valadares/Ag. Câmara
O Psol apresentou uma representação contra o deputado Maurício Marcon (Podemos-RS) no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. Por meio da deputada Fernanda Melchionna (RS), o partido pede a cassação do parlamentar gaúcho sob acusação de racismo por causa de falas depreciativas contra o povo nordestino, sobretudo da Bahia. No dia 5 de fevereiro de 2023, Marcon realizou uma live em seu perfil no Instagram com discurso fortemente xenofóbico e racista contra o povo nordestino, alega a legenda. Entre outras coisas, ele chamou a Bahia de "Haiti" e de lugar sujo.
“Esse nego´cio de a populac¸a~o no Nordeste cobrar menos dos poli´ticos eu acho que interfere bastante na poli´tica brasileira. Eu vejo que o pu´blico do Sul e Sudeste se importa demais, e isso e´ bom, isso e´ o´timo, mas no Nordeste isso na~o existe, ate´ pela pobreza”; “Muitas vezes, eu já conheci parlamentar [nordestino] que já me confessou que pagou pra levar eleitor e votar... é um mundo tão diferente, gente, que a gente que mora no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tem dificuldade de entender o que acontece no Norte e Nordeste"; "A gente às vezes fica pasmo, ne´, meu Deus? Na Bahia [Lula] fez 72%. A gente teve la´ na Bahia.... e´ um Haiti... Na~o tem explicac¸a~o, e´ uma pobreza, e´ tudo pichado, e´ sujo, e e´ uma a´rea turi´stica”. Esses são alguns trechos do discurso de Marcon que motivou o Psol a entrar com representação.
[caption id="attachment_421778" align="alignleft" width="361"]Para Melchionna, as falas de Maurício Marcon não estão apenas em total desacordo com o decoro parlamentar, mas também são passíveis de denúncia pelo crime de racismo. “Parece haver uma onda de parlamentares ‘saindo do armário’ e assumindo publicamente o seu racismo e xenofobia. É inadmissível que um parlamentar propague discursos de ódio e use sua posição de poder para perpetuar um pensamento não só retrógrado, mas criminoso, como o racismo. Marcon vai ter que responder diante do Conselho de Ética”, denuncia a deputada.
Marcon é o segundo parlamentar gaúcho a ser acusado de racismo nas últimas semanas. No final de fevereiro, o vereador de Caxias do Sul Sandro Fantinel (sem partido) fez discurso xenofóbico contra trabalhadores baianos. Depois do discurso, Fantinel foi expulso do Patriota, que era seu partido, e virou alvo de processo de cassação. No último dia 28, após acusações de trabalho escravo em vinícolas da região, Fantinel fez um discurso em que criticava trabalhadores baianos e sugeria substituí-los por argentinos. Em seu discurso, ele tentou justificar o trabalho análogo à escravidão, dizendo que os baianos “vivem na praia, tocando tambor” e que, por isso, “era normal que se fosse ter esse tipo de problema”.