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"Durante 21 anos, o Brasil viveu sob o peso dos coturnos e a ameaça das baionetas mobilizados em nome da 'defesa da democracia'"
“Segundo a definição antiga, democracia é o governo do povo, para o povo e pelo povo, mas, na democracia de hoje, o que está ausente é o povo” (José Saramago)
Está nascendo uma nova esperança para o Brasil: um partido que se propõe renovar a forma de fazer política em nosso país. Neste sábado, em Brasília, faremos o lançamento nacional do Podemos, que substitui o velho Partido Trabalhista Nacional (PTN). Nossas principais bandeiras são a transparência, a participação popular e a democracia direta. Por que? A razão é muito simples: vivemos num mundo globalizado, informatizado e conectado, mas ainda fazemos política como se fazia na época da Revolução Francesa, quando os parlamentares usavam perucas empoadas.
O resultado é que os cidadãos comuns não se sentem representados pelos partidos políticos tradicionais. O problema é que esse desprezo à política pode ser fatal à democracia, pois permite o surgimento de demagogos e populistas que se pretendem “salvadores da pátria”, acima do bem e do mal.
Já vimos esse filme antes. Durante 21 anos, o Brasil viveu sob o peso dos coturnos e a ameaça das baionetas mobilizados em nome da “defesa da democracia”. A ditadura suprimiu eleições diretas para presidente, governador e prefeitos de capitais; cassou mandatos de parlamentares combativos e censurou os meios de comunicação. Pior: prisões arbitrárias, torturas e assassinatos de opositores viraram política de Estado.
Vencendo o medo, o povo foi às ruas para exigir o direito de votar para presidente e conseguiu finalmente pôr um fim àquele deplorável estado de coisas. Eu nasci naquela época e aprendi a necessidade da política em casa, ouvindo alguns dos protagonistas dessa história.
Com a Constituição de 1988, finalmente, instaurou-se no Brasil uma democracia participativa, pelo menos no nome. De fato, em seu artigo 1º, a Carta Magna garante que “todo o poder emana do povo”. Infelizmente o que temos visto, nestas três décadas de redemocratização, é um hiato crescente entre o povo e seus representantes, seja no Executivo, seja no Legislativo. Tivemos pacotes econômicos desastrosos, confiscos, aumento da recessão e do desemprego, alguma esperança e muita frustração. E a corrupção se institucionalizou a tal ponto que, em apenas 30 anos, tivemos dois presidentes que sofreram impeachment!
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