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Senador considera que Moro não teria dificuldade em voltar ao Podemos se assim desejasse, apesar de considerar a hipótese pouco provável.[fotografo]Marcos Oliveira/Ag. Senado[/fotografo]
Mesmo após a sua repentina troca de legenda para o União Brasil, o ex-juiz Sergio Moro permanece contando com o apoio de partidários do Podemos. Em conversa com o Congresso em Foco, o senador Álvaro Dias (Podemos-PR) afirmou que o até então candidato à presidência já conversava com parlamentares sobre a possibilidade de mudança de sigla antes das eleições, bem como sobre os riscos envolvidos.
“Desde o ano passado já havia entendimento com o União Brasil da parte dele. Ele percebeu que o enfrentamento seria desproporcional. (...) Desde o ano passado, todos se lembram que em dezembro houve convite do União Brasil, e nós chegamos a liberar o Sergio Moro para que ele pudesse buscar uma estrutura maior”, relembra o senador, que complementa: “nós não nos consideramos traídos”.
A declaração de Dias contraria a nota divulgada pelo Podemos, assinada pela presidente do partido, Renata Abreu, na última quinta-feira (31) que afirmava que a legenda não havia sido comunicada pelo ex-juiz da Lava Jato da troca de partido e que a informação chegou pela imprensa
Segundo o parlamentar, a mudança de partido “foi um movimento para buscar uma estrutura mais consistente, que pudesse viabilizar, nos entendimentos do centro democrático, a sua candidatura em razão da posição nas pesquisas. Ele concluiu que no Podemos ele teria menos forças nas negociações. (...) Isso o motivou a fazer essa mudança, mas sempre conversando conosco”.
Essa mudança, ao seu ver, não mudou a visão do Podemos sobre o ex-juiz da Operação Lava-Jato. “Nós temos que considerar a importância do papel que ele desempenhou para o país nos últimos anos. (...) Foi um momento crucial para o futuro do país, (...) nós não esquecemos desse patrimônio que ele adquiriu na magistratura”, afirmou.
Álvaro Dias não acha realista a possibilidade de Moro tentar retornar ao Podemos, mas caso ocorra, não acha que vá enfrentar resistência. “Eu não teria dificuldade em recebê-lo, e imagino que o partido também não. (...) Ele só valorizaria o partido se ele retornasse. Mas creio que não é esse o propósito, e não vejo a possibilidade disso ocorrer, uma vez que ele tomou uma decisão pessoal. Foi uma opção que fez, e certamente não pretende retornar”, declarou.
Confira a fala completa sobre a visão do Podemos sobre Moro:
As acusações de fraude em seus julgamentos na Lava-Jato, em especial no julgamento do ex-presidente Lula, são vistos por Álvaro Dias como uma tentativa de parte dos agentes políticos no Brasil de conseguir vingança após a operação. "Para essa vingança, capturam uma versão distorcida da realidade. Se na Itália, na Operação Mãos Limpas, eles conseguiram condenar a justiça, fazendo prevalecer a corrupção, aqui eles querem mais", disse.