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Operador de propinas do PMDB, Funaro disse que Temer atuava criminosamente para favorecer empresas portuárias
Caberá ao ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito, decidir sobre o pedido de inclusão, procedimento que permite atestar a veracidade de declarações de Funaro, um dos condenados na Operação Lava Jato, e cotejá-las com os demais elementos da investigação. A delação de Funaro, para quem Temer atuou criminosamente para beneficiar empresas portuárias, é considerada forte o suficiente para fundamentar a apresentação de uma terceira denúncia contra o presidente, já acusado por corrupção passiva, obstrução de Justiça e participação em organização criminosa.
<< Temer atuou por interesses de empresas portuárias, diz Funaro; veja o vídeo << Em delação, Funaro confirma ter recebido para ficar calado; ordem para pagamento veio de Temer“Essa MP foi feita para reforma do setor portuário e ela ia trazer um grande prejuízo para o grupo Libra, que é um grupo aliado de Cunha e, por consequência, de Michel Temer, porque é um dos grandes doadores das campanhas de Michel Temer. O grupo Libra não ia mais poder renovar suas concessões portuárias, porque tinha vários débitos fiscais inscritos em dívida ativa”, relatou Funaro, apontando a restrição contida na MP e, em seguida, a providência tomada por Cunha. “O que Eduardo Cunha fez? Pôs dentro [sic] dessa MP uma cláusula [garantindo] que empresas que possuíam dívida ativa inscrita pudessem renovar seus contratos no setor portuário desde que arbitrassem arbitragem para discutir esse débito tributário”, acrescentou o delator, para quem Temer recorria a Cunha porque o então deputado estava à frente das negociações em torno da votação da medida provisória. Veja no vídeo (a citação relacionando Temer à MP é feita a partir de 8:43):
Responsável pelas apurações, a Polícia Federal deve conceber um relatório final sobre o caso até o início de julho, prazo para a conclusão dos trabalhos. A corporação também pode solicitar mais tempo de investigação – já houve duas prorrogações desse inquérito. A investigação cumpre etapa de exame das provas reunidas até o momento. Autorizada a inclusão, o cruzamento de informações já coletadas ganha força e poder embasar o conjunto probatório para a próxima fase, quando a denúncia poderá ser formulada.
<< MP dos Portos paralisou votações no Congresso << Leia também: “A Medida Provisória 595, os portos e a soberania do país”A nota de Temer: O vazamento de vídeos com depoimento prestado há quase dois meses pelo delator Lúcio Funaro constitui mais um abjeto golpe ao Estado Democrático de Direito. Tem o claro propósito de causar estardalhaço com a divulgação pela mídia como forma de constranger parlamentares que, na CCJC da Câmara dos Deputados, votarão no dia 18 o muito bem fundamentado parecer do relator, deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição ao pedido de autorização para dar sequência à denúncia apresentada contra o Presidente Michel Temer pelo ex-Procurador-Geral da República. É evidente que o criminoso vazamento foi produzido por quem pretende insistir na criação de grave crise política no País, por meio da instauração de ação penal para a qual não há justa causa. Só isso explica essa divulgação, ao final de uma semana em que a denúncia formulada pelo ex-Chefe do MPF foi reduzida a pó pelo parecer do deputado Bonifácio de Andrada. Autoridades que têm o dever de respeitar o ordenamento jurídico não deveriam permitir ou promover o vazamento de material protegido por sigilo. É igualmente inaceitável que a imprensa dê publicidade espetaculosa à palavra de notório criminoso, que venceu a indecente licitação realizada pelo ex-PGR para ser delator, apenas pela manifesta disposição de atacar o Presidente da República. As afirmações do desqualificado delator não passam de acusações vazias, sem fundamento em nenhum elemento de prova ou indiciário, e baseadas no que ele diz ter ouvido do ex-deputado Eduardo Cunha, que já o desmentiu e o fez de forma inequívoca, assegurando nunca ter feito tais afirmações. Assim como o fizeram todos os demais mencionados pelo delator em sua mentirosa história, que lhe serviu para a obtenção de prêmio. Eduardo Pizarro Carnelós
<< Janot denuncia Temer pela segunda vez e o acusa de liderar organização criminosa; leia a íntegra << Temer tinha poder decisório no “quadrilhão” do PMDB e recebeu R$ 31,5 milhões, diz PF