Movimentos sociais pedem abertura de processo contra Dilma e afastamento de Toffoli
16/4/2015
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Integrantes de 25 movimentos sociais leram uma carta na manhã desta quinta-feira (16), na Praça dos Três Poderes, cobrando mudanças no atual sistema político nacional. Os movimentos cobram a saída do ministro Dias Toffoli tanto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quanto do Supremo Tribunal Federal (STF); a abertura de investigação por crime comum ao STF contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e um "choque de gestão pública".
Na carta, assinada por movimentos como o “Vem Pra Rua”, “Basta Brasil”, “Movimento Brasil Contra a Corrupção”, “Chega de Impostos”, entre outros, eles afirma que o Brasil vive “um quadro assustador de corrupção no seio dos poderes constituídos”. “A corrupção é histórica, sim, e nem por isso admissível. Há 12 anos, porém, ela se tornou sistêmica e se institucionalizou na máquina pública em níveis sem precedência, como nunca antes visto. Um câncer a comer as entranhas já podres do país”, afirma a carta.
Ainda na lista de pedidos dos movimentos sociais, estão o fim da impunidade para os crimes de corrupção; a aprovação das dez medidas propostas pelo Ministério Público Federal (MPF); a submissão dos acordos de leniência à anuência do Ministério Público; o agravamento das penas por crimes de corrupção; a apreciação “com transparência” dos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Roussef apresentados ao Congresso.
Mais sobre o Brasil nas ruasConfira a carta na íntegraCARTA DO POVO BRASILEIROBRASILIA, 15 de abril de 2015Às suas Excelências senhores Deputados Federais, senhores Senadores, senhor Presidente daCâmara dos Deputados e senhor Presidente do Senado.A democracia brasileira está fragilizada. A República está em risco. E o povo brasileiro estáfarto. O povo cansou do desrespeito e da incompetência de alguns políticos e governantesbrasileiros, e exige mudanças já.AS RAZÕESVivemos um quadro assustador de corrupção no seio dos poderes constituídos. A corrupção éhistórica, sim, e nem por isso admissível. Há 12 anos, porém, ela se tornou sistêmica e seinstitucionalizou na máquina pública em níveis sem precedência, como nunca antes visto. Umcâncer a comer as entranhas já podres do país. Os sucessivos escândalos nos órgãos eempresas públicas vêm à tona e envergonham a nação. Agravado pela impunidade reinante,nós, cidadãos brasileiros, vivemos uma sensação de desesperança. A justiça não conseguecumprir seu papel de forma neutra e sem interferências de outros poderes. O Executivo,tentando proteger suas bases de apoio político, interfere no livre andamento das investigaçõesque deveriam ser conduzidas imparcialmente pelo Judiciário. Quando passamos a acreditarque malfeitores pudessem ser penalizados, assistimos incrédulos ao tratamento privilegiadode políticos criminosos, que não mais se encontram onde deveriam estar: junto aos outroscontraventores, presos. O Brasil, ao tratar de forma diferenciada políticos e trabalhadores, nãoconseguiu deixar de ser um país injusto.A associação da corrupção à impunidade impede o Brasil de se tornar um país desenvolvido.O povo brasileiro, cansado e indignado, quer dar um BASTA nisso.A ineficiência da gestão pública é outro tumor maligno que adoece o país. É responsável porfazer do Brasil um país desigual, mais pobre e estagnado. O Brasil não suporta mais oinchamento, o amadorismo e o clientelismo das máquinas públicas, o conhecido “toma lá, dácá”. No plano federal, as contas não fecham. A Lei de Responsabilidade Fiscal, depois dedesrespeitada, foi alterada para acobertar o crime cometido pelo Governo Federal e pelaPresidente. Obras, quando finalizadas, são entregues a custos inaceitáveis, ofensivos para osreais financiadores, os contribuintes. O excesso de servidores comissionados agride os cofrespúblicos e a mínima decência. Programas sociais são descontinuados. Os que continuam têmum claro e explícito ar eleitoreiro. Os programas sociais condenam os mais carentes àescravidão em lugar de promover-lhes o crescimento. A lógica é da universalização dosbenefícios e não das oportunidades. A saúde vive eternamente na UTI. Brasileiros morremdiariamente nas filas do SUS. A violência urbana cresce em escalada incontida, principalmentenas periferias, matando principalmente crianças e adolescentes, que perdem a vida na guerradiária das drogas. Mais de 50.000 mortes violentas por ano denunciam a falência completa daordem pública. É uma guerra não anunciada. O sistema público educacional não conseguecumprir sua função maior de formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Nãoforma alunos preparados para ingressarem no ensino superior. Não capacita os jovens a seremprofissionais qualificados. A economia enverga. Os empregos somem. A inflação cresce. Amoeda se desvaloriza. Administra-se por contingências – em um eterno apagar de incêndios.Aumentam-se as tarifas, os preços controlados e os impostos. E o pior: para reparar seus mausfeitos, o governo pede ao povo para pagar a conta da ineficiência.Pagamos impostos a fundo perdido. Impostos que não voltam à sociedade na forma deserviços básicos de qualidade. Tributos, que deveriam servir aos interesses e necessidades dopovo, principalmente dos mais carentes e necessitados, são desviados, via corrupção, paraenriquecimento próprio, para o populismo, para a conquista e manutenção de poder.O governo federal está sem rumo. O povo brasileiro, farto e escorraçado, quer dar um BASTAnisso.No campo da moralidade, a ética e a decência desapareceram. A mentira passou a serprocedimento costumeiro nos pronunciamentos do governo federal à nação. A trama damanipulação de dados é um aliado habitual para justificar os consecutivos erros. Contabilidadecriativa é o eufemismo que se usa para explicar o injustificável. Não existe transparência nosatos e nas contas. Não existe por parte do governo o reconhecimento dos equívocos e de suasfragilidades. Não existe pudor. A falta de vergonha com que se diz a mentira como se fosseverdade é cínica e abusiva. Assustadoramente, criamos uma geração de crianças e jovens queassistem à mentira como padrão de comportamento de governantes, geralmenteacompanhados de enriquecimento pessoal. Exemplo maior ocorreu nas eleições de 2014,quando a presidente Dilma Roussef deflagrou o mais escancarado estelionato eleitoral dahistória do Brasil. O partido do governo, além de ser conivente com estas práticas, trata seusmembros criminosos como ídolos, e continua a lhes atribuir poder. O Partido dosTrabalhadores teve 13 anos de poder para mudar o Brasil, conforme prometeu em sua cartaao povo brasileiro em 2002. Ele recebe agora, do mesmo povo, uma carta que repudia asituação na qual o país foi deixado.O povo brasileiro, desrespeitado e inconformado, quer dar um BASTA nesse estilo ilegal,ilegítimo e antiético de fazer política.Esconde-se do povo inaceitáveis associações internacionais que ameaçam a democracia. Ogoverno brasileiro patrocina, através de supostos investimentos e aberta ideologia partidária,países totalitários e populistas, organizados através do Foro de São Paulo. Este clube reúnetodos os partidos de extrema esquerda da América Latina e Caribe, além de possuir visíveisindícios da participação de organizações criminosas e terroristas, como as FARC. O expresidenteLuís Inácio Lula da Silva, com forte influência no atual governo para o qual fezcampanha, vem há anos, neste clube, idolatrando as práticas de líderes totalitários, entreoutros da Venezuela, como Hugo Chavez e Nicolas Maduro.O povo brasileiro não mais ignora este projeto, e educa-se politicamente para discernir o certodo errado.Quem deveria resolver estes graves problemas do Brasil?A REPRESENTATIVIDADEComo representantes constituídos pela sociedade, resta a Suas Excelências o DEVER de atuarna solução destes problemas.A trágica realidade brasileira, agravada por um sistema político com fortes traços populistas, eque não tem a sociedade como principal beneficiária, vem há uma década indignando o povobrasileiro, que não mais aceita ser apenas um coadjuvante no projeto do governo.E O POVO ACORDACansados deste cenário frustrante, ao longo dos últimos anos, vários movimentosdemocráticos e apartidários lideram nas redes sociais campanhas maciças de conscientizaçãodo povo para as grandes questões políticas e sociais. Em 2013, grupos saíram às ruas emprotesto contra atos do governo federal, da classe política e do judiciário. Diante da situaçãoque passou de grave a inaceitável, a partir de outubro de 2014 movimentos passaram a sair àsruas de forma consistente e organizada. Até fevereiro de 2015, foram seis manifestações demassa, e vários atos públicos simbólicos em dezenas de cidades por todo o país.Diante da ausência de resposta do governo e do Congresso, em março e abril de 2015, numespaço de quatro semanas, o povo saiu às ruas nas duas maiores manifestações espontâneasda história da América Latina. Elas ocorreram em mais de 450 cidades por todo o Brasil, emtodas as regiões. Trouxeram às ruas mais de três milhões de brasileiros de todas as classessociais, indignados com o desrespeito do governo e da classe política. A voz das ruas éuníssona: desaprovação ao governo federal; solicitação de julgamento neutro e condenação detodos os envolvidos em crimes de corrupção; repúdio e revolta às manobrasdescomprometidas com a justiça e a verdade, protagonizadas por membros da mais alta corteda justiça brasileira.Os históricos protestos, mesmo envolvendo milhões de pessoas, foram pacíficos,democráticos, cívicos e ordeiros. O povo vem às ruas na esperança de ter sua voz e seuspleitos ouvidos por aqueles que constitucionalmente estão na condição de representantes deseus interesses. Verdade legal que, hoje, desperta dúvida real, uma vez que o própriorepresentante que não dá a devida atenção a tais pleitos, põe em questionamento tallegitimidade.Note-se que para cada uma das grandes manifestações de março e abril o Governo Federal e oPartido dos Trabalhadores também chamaram, em datas próximas, seus simpatizantes paravirem às ruas. Em março, o número de pessoas pró governo foi 40 vezes menor que osmanifestantes contra o governo. Em abril foi 100 vezes menor e, acompanhado de violência.A proporção entre os movimentos de rua pró e contra governo demonstra o sentimento e oposicionamento da sociedade diante da grave situação política, econômica e ética do país.Diante disso, os representantes do povo devem agir.PROPOSTAS CONCRETASAtendendo a urgência que o momento exige, viemos neste instante apresentar ao CongressoNacional a primeira pauta de reivindicações da agenda construtiva para um novo Brasil:1) Enfrentamento real da Corrupção através do fim da impunidadea) Aprovar, prioritariamente, as 10 medidas de combate à corrupção apresentadas pelo MPF;b) Submeter os acordos de leniência à anuência do Ministério Público;c) Apoiar incondicionalmente o Juiz Sergio Moro, o Ministério Público Federal, e a PolíciaFederal nas investigações da Operação Lava Jato;d) Agravar as penas para corrupção, aprovando-se o projeto de lei 915, que cria o crime deLesa Pátria;e) Fortalecer a Polícia Federal para combater a corrupção;f) Indicar servidores concursados, de carreira, idôneos, com amplo reconhecimento ecompetência comprovada para os cargos do STF, STJ, TCU, STM, MPF e TSE, com prazo demandato definido e com posterior quarentena;g) Senado exercer papel de controle efetivo da capacidade dos indicados acima, por meio desabatina, com critérios objetivos de imparcialidade, convidando técnicos da OAB, CNJ e MPFpara compor o grupo avaliador;h) Implementar eleições diretas por entidades representativas para escolha dosProcuradores Gerais, com o fim de listas tríplices e escolhas arbitrárias pelo chefe doExecutivo;g) Afastar o Ministro Dias Toffoli do STF e TSE por não atender ao critério de imparcialidade.2) Presidência da Repúblicaa) Pedir ao STF e ao Procurador Geral da República a abertura de investigação por crimecomum da cidadã Dilma Vana Roussef;b) Apreciar com transparência os pedidos de impeachment contra a presidente DilmaRoussef apresentados ao Congresso.3) Choque de ordem e transparência na gestão públicaa) Abertura total dos contratos de empréstimos realizados pelo BNDES, fim de empréstimosdo BNDES a outros países e a empresas doadoras em eleições. Rejeição da MP 661;b) Reduzir o número de ministérios, o número de cargos comissionados e o tamanho damáquina pública;c) Transparência nas contas de todas as empresas públicas ou com participação societária doestado brasileiro;d) Total transparência e redução dos gastos de parlamentares e governantes, incluindo oscartões de crédito governamentais;e) “Revalida” para todos os médicos estrangeiros atuando no Brasil;f) Redução e simplificação dos impostos.4) Educaçãoa) Qualidade total na educação básica, sendo a mesma universal e meritocrática;b) Fim da doutrinação ideológica e partidária nas escolas. Aprovação do PL 867/2015, “EscolaSem Partido”.5) Ajustes no processo político eleitorala) Maior justiça, legitimidade e representatividade nas eleições pela implantação do VotoDistrital;b) Eleições com registro eletrônico e impresso do voto, auditáveis por empresa idônea epartidos;c) Revisão do financiamento público de campanhas. O Estado não suporta mais patrocinar aatual farra eleitoral;d) Mandato único – Fim de reeleição para todos os cargos executivos.É importante frisar que novas pautas serão apresentadas e outras complementadas, naspróximas semanas, vindas do diálogo com as ruas, e conduzidas pelos vários movimentosdemocráticos, ressaltando que repudiamos qualquer tipo de controle da mídia ou limitação naliberdade de expressão irrestrita de todo e qualquer brasileiro.O POVO QUER AÇÕES, NÃO PROMESSASA expectativa do povo brasileiro é que o Congresso Nacional não os abandone em seu devermoral e constitucional, encaminhe e execute estas demandas do povo brasileiro. Cadaparlamentar, individualmente, deve se comprometer publicamente com o povo a promoveresta execução de forma sistemática e organizada, com agenda e pauta e encaminhar asdemandas com a rapidez que o momento exige. Não queremos discursos, nem promessas.Queremos ação efetiva em busca de soluções que signifiquem avanços políticos e sociais parao Brasil através dessas demandas. Queremos proatividade, rapidez, objetividade edeterminação em executá-las.As bases para a construção de um novo presente e futuro para nossa nação estão lançadas.Elas levarão nosso país para onde os brasileiros já mereciam estar há muito tempo.Acabou-se o tempo do conformismo. Os trabalhadores brasileiros não mais tolerarão políticosque governam para causas próprias. Não mais assistirão impassíveis às manobras que visam amanutenção do poder. Não mais aceitarão um governo mentiroso.BASTA de desrespeito.Estaremos atentos às ações do Congresso a partir de hoje, para observarmos qual a prioridadeque ele dará à execução expressa das reivindicações das ruas. Estaremos igualmente atentosàs ações do Executivo e do Judiciário, que têm papel de protagonismo em várias dasreivindicações apresentadas. Os resultados efetivos que os três poderes atingirem naexecução das demandas apresentadas levarão os brasileiros a decidir como proceder daquipara frente.Os Movimentos de rua que aglutinaram milhões de brasileiros indignados, continuarão a atuarquando necessário, seja em caráter de massa ou local, sempre de forma ordeira,constitucional, e incisiva.Exigimos um país politicamente mais ético, economicamente mais forte, socialmente maisjusto. Não aceitaremos nada menos do que isso.Um Brasil do qual seu povo, nesta e nas próximas gerações, possa finalmente se orgulhar.Brasília-DF, 15/04/2015Movimentos signatários:Avança Brasil – Mudança JáBasta BrasilBrava Gente BrasileiraChega de ImpostosDiferença BrasilEu Amo o BrasilInstituto Democracia e ÉticaMovimento 31 de JulhoMovimento AcordeMovimento Brasil Contra a CorrupçãoMovimento Cariocas DireitosMovimento Cidadania BrasilMovimento Fora DilmaMovimento Jovens TransformadoresMovimento Guarulhos LivreMovimento Muda BrasilMovimento Pró BrasilMovimento Quero Me DefenderMovimento Voz do BrasilMuda BrasilNação DigitalNas RuasOrganização de Combate à CorrupçãoPátria LivreReage BrasilVem Pra Rua