Muros em favelas no Rio serão construídos este ano, diz Paes
12/10/2009
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Renata CamargoO prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse nesta segunda-feira (12) que as obras de instalação de "barreiras acústicas" entre favelas e as duas principais vias expressas da cidade (linhas Vermelha e Amarela) serão iniciadas ainda este ano. Polêmica, a proposta tem sido vista como uma forma de segregação social. O prefeito, no entanto, nega que o intenção seja isolar as favelas.“É uma polêmica boba. Quem quiser ficar com essa besteira, basta ir lá na Linha Amarela, onde tem proteção de barreira acústica nas áreas ricas. Exclusão é quando você deixa uma criança de comunidade pobre, que mora no entorno de uma via expressa, pular para pegar uma bola de futebol e morrer atropelada”, disse Paes, durante o lançamento do projeto Rio em Forma Olímpica, que visa incentivar a prática esportiva nas comunidades pobres.Em 2004, uma proposta semelhante vinda da Assembleia Legislativa do Rio foi batizada de “muro de Berlim”, como analogia à segregação imposta à cidade de Berlim, na Alemanha, separada por um muro após 2ª Guerra Mundial. Por causa da polêmica e da falta de apoio da população, a proposta da Assembleia não pode ser executada.“Não são muros altos, de um metro de espessura. Você tem as pessoas com uma autoestrada passando em frente, com um barulho infernal. E a Linha Amarela é o auge do elitismo. Só tem barreiras nas áreas ricas. Quer dizer que pobre pode ouvir barulho e rico não? Vamos fazer isso para todos”, disse Paes, justificando que o objetivo da proposta é proteger as comunidades do barulho, e não aumentar a segurança de motoristas.O projeto não tem apoio de líderes comunitários. Segundo o coordenador da ONG Instituto Vida Real, Sebastião Antônio de Araújo, a intenção do governo local é “esconder as comunidades carentes”. “O que eles têm de fazer, não é pavimentação, creches, escolas e áreas de lazer. (...) Se nos chamarem, certamente estaremos dispostos a ouvir”, disse Sebastião, sugerindo que a prefeitura faça audiências com representantes das comunidades para tratar sobre o projeto.Com informações da Agência Brasil