Aldo deverá ter carta branca para trocar postos
Se confirmado na reunião de hoje da presidente Dilma Rousseff com o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, Aldo Rebelo deverá assumir o Ministério do Esporte com carta branca do partido para fazer uma faxina no comando da pasta, trocando os dirigentes envolvidos nas denúncias de corrupção e desvios do programa Segundo Tempo. Além disso, contou pontos a favor dele o fato de ter bom trânsito entre todos os partidos no Congresso e de ser considerado "um político frio, calmo", pronto para enfrentar eventuais novos problemas.
O PCdoB tanto resistiu a entregar a cabeça do ministro Orlando Silva e trabalhou de tal maneira para manter-se à frente do Ministério do Esporte que conseguiu. Aldo foi escolhido pelos dirigentes e líderes do partido como o nome de consenso para suceder a Orlando. A proposta, porém, não chegou a ser formalizada ontem à presidente Dilma Rousseff.
A sugestão do PCdoB será feita na reunião de hoje com a presidente. A não divulgação do nome do sucessor de Orlando, ontem, gerou a especulação de que a presidente resistia a nomear Aldo. Como relator do Código Florestal, recentemente, ele impôs uma derrota ao governo no Congresso, atendendo aos interesses da bancada ruralista. Ainda assim, Aldo é o nome mais forte para assumir.
Conquistas, mas em meio a loteamento e tapioca
Ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Orlando Silva de Jesus Júnior, de 40 anos, ficou cinco anos e meio à frente do Ministério do Esporte. Nomeado ministro em abril de 2006, viu a pasta ganhar importância a partir do ano seguinte, quando o Brasil foi confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014. Em 2009, o Rio ganhou a disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, o que elevou ainda mais o status do ministério. No entanto, no plano interno, Orlando Silva acumulou acusações de aparelhamento em benefício de seu partido, o PCdoB, que comanda o ministério desde a sua criação, em 2003, no primeiro governo Lula: primeiro, com Agnelo Queiroz (hoje no PT e governador do Distrito Federal), e depois com Orlando Silva. Convênios do Esporte foram direcionados a ONGs de filiados do PCdoB.
Em 2009 e 2010, tirando o Comitê Olímpico Brasileiro, as entidades que mais receberam verbas tinham comunistas na direção. Em 2009, Campinas, cidade cujo secretário de Esporte é Gustavo Petta - outro ex-presidente da UNE e cunhado de Orlando - liderou a lista de municípios com mais repasses. Quando recebeu o convite para comandar a pasta, Orlando ocupava o cargo de secretário-executivo - o segundo mais importante na hierarquia da pasta. Em 2007, ele acabou sendo envolvido no escândalo do mau uso dos cartões corporativos. Ao comer tapioca numa lanchonete de Brasília, usou o cartão com brasão da República para pagar a conta de R$8,30. A Controladoria Geral da União (CGU) concluiu que Orlando gastara irregularmente R$8,4 mil. Ele devolveu o dinheiro. Em 2009, Orlando também virou alvo de críticas ao propor a criação de uma carteira de identificação de torcedores de futebol. A iniciativa foi abandonada.
Delator não comparece à Câmara
O policial militar João Dias Ferreira, pivô da demissão do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, não compareceu ontem à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. Com a inesperada ausência do delator de supostas irregularidades no ministério, parlamentares do PCdoB - partido de Orlando - e da oposição discutiram sobre a conveniência do convite feito ao PM. ONGs de João Dias são acusadas de desviar R$3,2 milhões do programa Segundo Tempo. Numa carta enviada à comissão, o policial diz que não faria sentido prestar depoimento depois da demissão de Orlando.
"Considero que os últimos acontecimentos referentes à crise no referido ministério esvaziaram o propósito de meu comparecimento perante essa ilustrada Comissão", disse o policial no texto para a comissão. O PM diz que entregou à PF "os elementos suficientes para demonstrar a veracidade de minhas afirmações". Há duas semanas, João Dias tem denunciado o uso de ONGs para o desvio de dinheiro para campanhas eleitorais e enriquecimento ilícito de dirigentes do PCdoB. Ele responsabiliza Orlando pelas supostas irregularidades.
Grupo se solidariza com PCdoB
Economistas, cientistas políticos e políticos ligados ao PCdoB lançaram ontem um manifesto de apoio ao partido, mas vetaram o nome do ex-ministro Orlando Silva, que já estava de saída do Esporte. O texto critica o "macarthismo" das denúncias contra os comunistas.
Colaborador da revista do partido, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo foi incluído no documento sem autorização, mas no final da tarde disse que manteria seu nome. - Vou deixar meu nome porque agora acho que é mais importante defender o direito à inocência.
"Nos solidarizamos com o PCdoB, destacando sua longa história de luta e dedicação à defesa da democracia, da soberania nacional, do socialismo e dos trabalhadores. Essa trajetória é marcada pelos compromissos com a lisura e com a causa pública. Reafirmamos que, numa ordem democrática, a leviandade da acusação sem provas e sem direito de defesa constitui grave violação do estado de direito", diz o texto com 124 assinaturas, entre elas as dos deputados Aldo Rebelo (SP) e Jandira Feghali (RJ).
Orlando sai, mas PCdoB fica
Após resistir por 12 dias, Orlando Silva acabou saindo ontem do Ministério do Esporte, mas a presidente Dilma Rousseff manterá o PCdoB no comando da pasta, controlada pelo partido desde 2003, primeiro ano do primeiro governo Lula. Dilma pensou em tirar o partido aliado do Esporte, para desmontar o esquema de corrupção que teria sido montado envolvendo ONGs conveniadas do Programa Segundo Tempo.
Mas "a relação de intimidade e de identidade" que o partido tem com o governo petista, como frisou ontem no Planalto o presidente da legenda, Renato Rabelo, deve garantir hoje a nomeação do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) no lugar de Orlando. Dilma e Renato Rabelo vão se reunir esta manhã para bater o martelo sobre a sucessão no Esporte.
Dirigentes do PCdoB garantiram à noite que, embora não sugerido oficialmente, o nome de Aldo foi discutido na reunião de ontem entre Dilma, Orlando e Renato Rabelo. E que a presidente já teria aprovado a indicação, mas decidiram deixar para hoje a definição. Ao adiar a decisão, cresceu no meio político a especulação de que Dilma teria resistência a Aldo Rebelo, por causa de seu papel como relator do Código Florestal. Ele atendeu aos interesses da bancada ruralista, impondo uma derrota ao governo.
Oposição critica manutenção do PCdoB no controle do Esporte
Mesmo com a demissão de Orlando Silva, o fato de o PCdoB ser mantido à frente do Ministério do Esporte foi duramente criticado ontem pela oposição, que tenta descolar do governo Dilma a imagem de que ela é intolerante com os malfeitos e faz uma faxina de verdade. Seus líderes afirmam que não adianta tirar Orlando Silva e pôr como substituto um outro integrante do PCdoB, partido que está há quase nove anos no comando da pasta.
Houve ainda cobrança para a continuidade das investigações das denúncias de corrupção no ministério. - Podia ser Orlando ou Francisco o ministro. O que não pode é o ministério ser aparelho de um partido. A Copa vai mal, o nosso futebol, também. Há conflitos em todos os lados. É uma irresponsabilidade aparelhar a pasta numa situação dessa - disparou o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).
- Isso é um absurdo. Orlando sair já é uma decisão atrasada. Pôr outro indicado do PCdoB é inaceitável. Na Câmara, os líderes do PSDB, Duarte Nogueira (SP), e do PPS, Rubens Bueno (PR), também disseram que a saída de Orlando Silva não é suficiente.
Orlando continua sendo investigado, diz Gurgel
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que Orlando Silva continuará sendo investigado, mesmo após deixar o cargo de ministro do Esporte. Orlando responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar sua eventual participação em desvios de verba do Programa Segundo Tempo, destinado ao incentivo da prática esportiva entre crianças e adolescentes. Os autos deverão ser transferidos para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e unidos ao inquérito que tramita lá contra o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), suspeito de integrar o mesmo esquema.
- A gente tem que investigar, independentemente. A saída eventual dele (Orlando) do ministério não altera a necessidade de investigação, porque a primeira aparência é a de que todo esse Programa Segundo Tempo tem sérios problemas de irregularidades em todo o país - disse o procurador, pouco antes de Orlando deixar o cargo.
Para a Fifa, inimigo a menos
A queda de Orlando Silva era aguardada com ansiedade tanto pela Fifa quanto pelo Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 (COL-2014). O relacionamento entre as duas entidades e o ex-ministro do Esporte se deteriorou nos últimos meses a tal ponto que o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, não queria mais negociar com ele. O dirigente francês considerava Orlando o principal empecilho para fazer valer os pontos que haviam sido acertados por ele em fevereiro passado com o governo, durante reuniões em Brasília.
Valcke acreditava que o ex-ministro foi o responsável pelas mudanças que surpreenderam a Fifa no texto da Lei Geral da Copa e que provocaram uma crise com o governo brasileiro. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, chegou a enviar, na segunda quinzena de setembro, uma carta para a presidente Dilma Rousseff, comunicando que a entidade poderia exercer o direito de executar a cláusula 7.7 do Host Agreement (Contrato para Sediar) da Copa de 2014, caso o governo não respeitasse os termos acordados em 31 de outubro de 2007.
A cláusula 7.7 estabelece o dia 1º de junho de 2012 - exatamente 2 anos e 11 dias antes da partida de abertura do Mundial de 2014 - como prazo final para a Fifa rescindir o contrato e tirar a Copa do Brasil, sem pagamento de multa.
Em atos públicos, Dilma silencia sobre a crise
Mesmo tendo participado de três eventos públicos ontem, a presidente Dilma Rousseff evitou falar publicamente sobre a situação do então ministro do Esporte, Orlando Silva, e tomou providências para isolar a imprensa. Nas comemorações do Dia do Aviador, na Base Aérea de Brasília, foram reforçadas as grades para evitar que os jornalistas chegassem perto dela e perguntassem sobre as denúncias envolvendo o ministério e a eventual substituição de Orlando.
Ela não discursou. Em seguida, na sanção da lei que cria o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), Dilma passou sob a escada quando acabou o evento, novamente evitando o assédio dos jornalistas. No discurso, falou apenas sobre o programa e não mencionou a crise política que atingi o mais fiel dos partidos aliados: o PCdoB. A postura da presidente influenciou os ministros mais próximos, à exceção de Gilberto Carvalho (Secretaria Geral). A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, destacou um segurança para afastar a imprensa e ficou muda quando os jornalistas perguntaram sobre Orlando.
Comissão da Verdade passa no Senado e vai à sanção de Dilma
O Senado aprovou ontem, por unanimidade e em votação simbólica, o projeto que cria a Comissão da Verdade, que deverá ser instalada ainda este ano. Agora, o projeto vai à sanção da presidente Dilma Rousseff. A sessão que aprovou a comissão durou cerca de quatro horas, e vinte senadores, da oposição e do governo, discursaram a favor do relatório do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), um ex-militante de esquerda e que durante a ditadura atuou na luta armada.
Após a aprovação, os senadores comemoravam o resultado com ex-perseguidos e familiares de desaparecidos que acompanharam a sessão. A Comissão da Verdade será composta por sete integrantes, escolhidos pela presidente da República, e terá um prazo de dois anos para funcionar. A missão da comissão é levantar informações sobre mortes, torturas, desaparecimentos, apontar locais onde ocorreram essas violações contra os direitos humanos e identificar responsáveis.
O colegiado terá poderes até mesmo de convocar os depoentes, mas não poderá punir. No seu relatório, Aloysio Nunes, por três vezes, afirmou que os agentes do regime criaram uma "máquina de matar" e um dos objetivos da comissão é detalhar como funcionava e onde. O senador reafirmou que o grupo não terá poderes juriscidionais, ou seja, não poderá punir responsáveis identificados por esses atos.
Fim de sigilo eterno é comemorado
A aprovação da Lei de Acesso às Informações Públicas foi comemorada por entidades envolvidas com a luta pelos direitos humanos e presos políticos. Apesar de destacarem que a nova legislação vai ajudar a desvendar crimes políticos cometidos pela ditadura e garantir acesso a qualquer informação gerada por instituições públicas, eles observaram que ainda há pontos que precisam ser esclarecidos.
- Agora não tem mais como uma informação ser negada. Mas faltou à lei definir como serão criados os mecanismos de controle nos estados e municípios. É claro que não vai se criar mais de 5 mil órgãos, um em cada município do país, já que isso poderia ser feito pela CGU (Controladoria Geral da União) por meio de um convênio. Mas é preciso definir isso - ressaltou o diretor da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo.
Filho do deputado Rubens Paiva, desaparecido político durante o regime militar, cujo corpo nunca foi encontrado, o jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva disse ter "grandes esperanças" com a nova lei e com a Comissão da Verdade. - Como brasileiro, acho a lei do acesso fundamental para entendermos quem fomos, como chegamos aqui e para onde vamos. Até os documentos da Guerra do Paraguai são um mistério para nós. Não devemos ter vergonha ou medo de enfrentar a nossa história. Quanto ao meu pai, a todos os desaparecidos ou que sofreram abusos durante a ditadura, a lei do acesso mais a Comissão da Verdade dão grandes esperanças.
Presa política durante a ditadura militar, a jornalista Rose Nogueira, do grupo Tortura Nunca Mais, comemorou a aprovação do fim do sigilo eterno. Rose, que foi torturada, sempre esteve engajada na luta pela abertura dos arquivos da repressão e na punição dos torturadores daquela época. - Fiquei muito emocionada. Afinal de contas, é a luta de uma vida.
PSD é cortejado por governistas e oposição
O primeiro encontro nacional do PSD foi realizado ontem em clima de festa, diante da confirmação de que a bancada do partido na Câmara chegou a 55 deputados, conquistando o posto de terceira maior, deixando para trás a do PSDB, que perdeu três representantes para o novo partido e hoje está com 48 parlamentares. Para fechar esta conta, porém, a direção da nova legenda convocou os sete deputados que estão licenciados de seus mandatos por ocuparem secretarias em seus respectivos estados.
De olho na força política do PSD, a cerimônia foi concorridíssima e prestigiada por líderes e dirigentes de partidos governistas e da oposição. Diante do assédio, o presidente nacional do PSD e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não teve dúvida em franquear palavra a potenciais aliados já nas eleições do próximo ano. Tanto que o primeiro a discursar não foi ninguém do novo partido, mas o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que não escondeu sua disposição de estabelecer uma parceria com o PSD.
- PSB e PSD vão estar juntos em muitas lutas agora em 2012. Onde um não puder ter candidato, vamos fazer todo esforço para estarmos juntos, que cresçamos juntos - antecipou Campos. Logo em seguida foi a vez de o presidente nacional do PT, o deputado estadual Rui Falcão (SP), que saudou o surgimento da nova legenda: - O PSD é um partido ligado ao Brasil, que poderá ser um parceiro nas grandes transformações do país.
Sarney frustra posse de Cunha Lima no Senado
O ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB) chegou a ir para o Senado, ontem, na expectativa de ser empossado como senador, conforme decisão da Justiça Eleitoral, no lugar de Wilson Santiago (PMDB-PB). Mas sua posse só deverá ocorrer dia 7 de novembro, já que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiu dar um prazo de cinco sessões para que Santiago, seu companheiro de bancada, apresente sua defesa - ainda que essa defesa não tenha o poder de alterar a decisão da justiça eleitoral que diplomou anteontem Cunha Lima.
- Esperar mais alguns dias para quem já esperou dez meses para tomar posse não fará muita diferença - resignou-se Cunha Lima, que negociou a data de sua posse acompanhado pelo presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), e parte da bancada tucana do Senado.
Barrado inicialmente pela Lei da Ficha Limpa, já que tivera o mandato de governador cassado pela Justiça Eleitoral antes de concorrer à vaga do Senado, Cunha Lima reagiu ontem ao ser indagado se não temia sofrer constrangimentos após sua posse: - Não perdi meu mandato por nenhum ato de improbidade administrativa ou acusação de corrupção, mas por um suposto uso eleitoral de um programa social do estado. Já fui prefeito duas vezes, governador eleito e reeleito, sem nunca ter tido uma conta rejeitada. Tenho não só ficha limpa, tenho uma vida limpa. Chego ao Senado com a autorização do povo do meu estado e espero exercer este novo mandato com toda dignidade - rebateu Cassio.
Justiça cobra R$203 milhões de Lalau e outros
A juíza federal Elizabeth Leão, titular da 12ª Vara Federal Cível em São Paulo, condenou os envolvidos no superfaturamento da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo a restituírem os prejuízos causados ao patrimônio público, estimados em R$203 milhões hoje. Entre os condenados estão o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o ex-senador Luiz Estevão de Oliveira Neto e os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho, José Eduardo Correa Teixeira Ferraz e Antônio Carlos da Gama e Silva.
Com exceção deste último, todos os outros tiveram também os seus direitos políticos suspensos por dez anos. A acusação contra Délvio Buffulin, presidente do TRT da 2ªRegião (TRT2) entre 1996 e 1998, foi julgada improcedente. Cabe recurso da decisão.
Ana Arraes assume vaga no TCU
A ex-líder do PSB na Câmara dos Deputados, Ana Arraes (PE), assumiu ontem vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Ela é a segunda mulher a ocupar o cargo de ministra da Corte e terá pela frente a tarefa de fiscalizar obras e finanças da administração pública federal. Mesmo em meio à crise política com a saída do ministro do Esporte, Orlando Silva, a presidente Dilma Rousseff prestigiou a cerimônia de posse.
Ana Arraes ocupará a cadeira deixada por Ubiratan Aguiar, que se aposentou este ano. A indicação para a vaga cabe à Câmara. A disputa foi acirrada, mas Ana contou com a influência do filho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na campanha, elegendo-se com 222 votos. A primeira ministra do TCU foi Élvia Lordello, nomeada em 1987. A posse foi prestigiada por inúmeras autoridades, entre elas políticos investigados por desvios de verba pública, como o deputado Paulo Maluf (PP-SP).
- Chego ao TCU para cerrar fileiras, sem tréguas, em defesa dos dinheiros públicos - prometeu Ana Arraes, acrescentando: - Digo-o sem assombros: serei implacável no combate à improbidade e ao crime. A nova ministra é advogada e, em seu segundo mandato como deputada federal, foi titular da Comissão de Defesa do Consumidor e vice-líder do bloco PSB-PTB-PCdoB.
STF mantém validade de exame da OAB
O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve ontem a necessidade de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como condição para o exercício da profissão. A decisão foi tomada no julgamento de uma ação do bacharel em Direito João Antonio Volante. Ele argumentou que a exigência era um desrespeito a quem tinha conquistado o diploma de graduação em Direito e, portanto, estaria apto para atuar. Por unanimidade, os nove ministros presentes à sessão discordaram da tese. A decisão terá de ser aplicada por outros juízes e tribunais no julgamento de casos semelhantes.