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Para evitar riscos, Senado põe na gaveta Emenda 29
O Senado vai engavetar o projeto de lei complementar que regulamenta a destinação de recursos para a saúde - a chamada Emenda 29. Aprovada anteontem na Câmara, a proposta não será votada este ano pelos senadores. Motivo: líderes aliados detectaram um movimento na base para que o Senado ressuscite no projeto o mecanismo que obriga a aplicação de 10% da receita corrente bruta da União no setor. Essa vinculação injetaria mais recursos na saúde. Em 2010, o governo destinou cerca de R$ 60 bilhões. "Não há hipótese de o governo aceitar o restabelecimento dos 10%", afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). "Como existe essa possibilidade de os 10% voltarem, vão empurrar o projeto com a barriga para o ano que vem", previu o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos parlamentares favoráveis à tese de tornar obrigatória a destinação dos 10% da receita da União para a saúde. "Não interessa ao governo votar esse projeto agora", resumiu o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Segundo ele, o governo está preocupado neste momento em votar outros temas polêmicos, como o Código Florestal e o projeto que distribui os royalties da exploração e comercialização do petróleo da camada do pré-sal. Depois da derrubada na Câmara da Contribuição Social para a Saúde (CSS), os líderes aliados temem que os governadores acabem pressionando os senadores pela restituição do mecanismo que vincula 10% da receita da União para a saúde.Pressão de Dilma ajudou a aprovar Comissão da Verdade
Apesar do dia intenso na quarta-feira, em Nova York – quando abriu a 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas e recebeu cinco chefes de Estado – a presidente Dilma Rousseff trabalhou para ver a Comissão da Verdade aprovada pelo Congresso. Em contato direto com a ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, a presidente ajudou a pressionar os deputados para que terminassem a votação ainda na noite de quarta-feira, 21. Nesta quinta-feira, 22, em entrevista aos jornalistas brasileiros que acompanhavam a visita, a presidente registrou a aprovação com apenas uma frase: "Acredito que é importante para o Brasil e para a posição do Brasil diante do mundo". No Congresso, o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) será o relator do projeto de lei que cria a Comissão, um grupo de trabalho que ficará encarregado de examinar e esclarecer as violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. O nome de Aloysio Nunes, que foi perseguido político durante a ditadura militar, para relatar a Comissão da Verdade já recebeu o aval do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O projeto de lei começa a tramitar na semana que vem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A ideia é que Aloysio Nunes não faça mudanças na proposta, mantendo o texto aprovado pelos deputados.Relatoria da DRU na CCJ do Senado fica com o PMDB
A prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que permite ao governo movimentar livremente 20% das receitas da União no Orçamento, está nas mãos do PMDB no Senado. O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), foi nomeado relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A escolha do relator coube ao presidente da CCJ, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Apresentada em 31 de agosto, a proposta de emenda constitucional (PEC) que prorroga a vigência da DRU até 2015 esperou 21 dias até que Eunício designasse o relator. A PEC foi apresentada no Senado pelo líder governista, Romero Jucá (PMDB-RR). A PEC de Jucá tramita, paralelamente, à proposta apresentada pelo Executivo na Câmara no início de agosto. O protocolo de uma segunda "PEC da DRU" no Senado foi uma estratégia encomendada pelo Planalto para acelerar a tramitação da matéria e tentar garantir sua aprovação final no Congresso até dezembro. Se a DRU não for prorrogada até lá, será extinta, gerando um prejuízo de R$ 14 bilhões ao governo em 2012. Com a PEC de Jucá, de igual teor, tramitando paralelamente no Senado, aumentam as chances do governo de aprovar, até dezembro, a prorrogação da DRU. Depois de aprovada pelos senadores, a matéria seria apensada à PEC da Câmara - dispensando o envio da proposta original do Executivo aos senadores. No Senado, a tramitação é mais curta porque não existe comissão especial. A PEC de Jucá será analisada, exclusivamente, pela CCJ e pelo plenário, em dois turnos.Apoio de Lula a Ana Arraes visa trazer Eduardo Campos
Não foi a vaga de ministro do Tribunal de Contas de União (TCU) que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mergulhar na ofensiva política conduzida pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para eleger sua mãe – a deputada Ana Arraes – para o TCU. Com o PSDB do senador Aécio Neves (MG) fazendo a corte ao governador e presidente nacional do PSB, o que Lula queria era "amarrar" Campos ao PT. Foi o próprio Lula quem revelou seu objetivo tático a um correligionário. Questionado sobre se a vitória não deixaria Campos "forte demais", na condição de comandante de uma articulação nacional e suprapartidária bem-sucedida, o ex-presidente foi direto ao ponto: "Não. Isso vai prendê-lo ao nosso lado". O secretário de governo de Pernambuco e deputado Maurício Rands (PT), que trabalhou até a última hora no plenário da Câmara para eleger Ana Arraes, diz não ter dúvida de que "o grande significado político da eleição foi reforçar a parceria do PT com o PSB no âmbito da grande aliança que dá sustentação ao governo Dilma Rousseff". Ele entende que o fato é relevante porque dá mais equilíbrio interno à base governista e aproxima os dois partidos nas eleições municipais. "PT e PSB saem muito mais próximos deste episódio", concorda o vice-presidente do PSB, o ex-ministro Roberto Amaral.Comissão do Senado aprova proposta para restringir homenagens
Os senadores terão uma nova chance de brecar a farra de homenagens no plenário do Senado. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou um projeto de resolução que restringe a realização dessas sessões especiais nas segundas e sextas-feiras, quando não houver votações. Também ficam proibidas as homenagens nos meses de recesso parlamentar, em julho e dezembro, quando é maior a quantidade de matérias aguardando votação. Resta saber se o texto será votado no plenário ou engavetado, como ocorreu com a proposta de 2007 do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), morto no mesmo ano. É do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o pedido para homenagear os 200 anos da Biblioteca Nacional no próximo dia 18. Autor do substitutivo ao projeto de resolução, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) afirma que "há uma vulgarização das homenagens no Senado". "É preciso que se dê mais peso a esse tipo de sessão. A regulamentação trará mais critério na escolha dos requerimentos para realização dessas solenidades", argumenta. Do dia 19 até hoje, por exemplo, foram realizadas quatro homenagens, dirigidas à Primeira Igreja Presbiteriana, ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao dia do Economista e ao Centro Belas Artes de São Paulo. Outras três homenagens estão previstas até o final do mês e mais nove serão realizadas até o final do ano. A variedade de assuntos e a facilidade com que essas sessões são agendadas rebaixam a importância do plenário, comparando o local a um salão de festas. Na maioria das vezes, só o senador padrinho da homenagem comparece à sessão.