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Senado arquiva apuração contra Nascimento
O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-MA), arquivou a representação apresentada pelo PSOL contra o ex-ministro dos Transportes e senador Alfredo Nascimento (PR-AM), por quebra de decoro parlamentar. A decisão do senador foi tomada na véspera do recesso parlamentar e publicada pelo Diário do Senado no dia 15 de julho. Ao determinar o arquivamento, João Alberto alegou que o partido, em vez de apresentar documentos sobre as irregularidades ocorridas na pasta durante a gestão de Nascimento, anexou recortes de jornais. E que não teria confirmado a assinatura eletrônica do presidente do partido colocada no documento. Procurado ontem pelo Estado, João Alberto negou ter tomado qualquer atitude corporativista ou "na calada da noite". Mas o presidente do Conselho de Ética do Senado entrou em contradição ao ser questionado pela reportagem sobre o arquivamento da representação. Primeiro, João Alberto afirmou que o PSOL havia sido informado sobre sua decisão. Segundo o presidente do colegiado, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) o teria procurado para saber de sua decisão. Ao Estado, Rodrigues negou essa informação. João Alberto, então, disse que, de fato, não avisou o colega, mas alegou que a decisão havia sido tornada pública ao ser divulgada pelo Diário do Senado e que, por esse motivo, não precisaria ser comunicada aos líderes de partidos ou à bancada do PSOL. Randolfe rebateu os motivos alegados por João Alberto para arquivar a representação contra Nascimento. O senador afirmou que a assinatura do presidente do PSOL foi confirmada e que cabe ao Conselho de Ética examinar "indícios" de quebra de decoro, e não apenas provas. O partido vai pedir ao presidente do Conselho de Ética uma nova manifestação oficial sobre essa decisão.‘Só me faltava essa!’, reagiu Dilma ao saber de entrevista
Surpreendida ao saber, na noite de quarta-feira, 3, da bombástica entrevista do ministro da Defesa, Nelson Jobim, à revista Piauí, a presidente Dilma Rousseff não se conteve. "Só me faltava essa!", disse ela, irritada há tempos com Jobim. Àquela altura, Jobim já viajara para Tabatinga (AM) e Dilma queria ler a entrevista "na íntegra" para saber se nenhuma frase havia sido retirada do contexto. "Mas ele falou mesmo que tem trapalhada no governo, que a Ideli é fraquinha e que a Gleisi não conhece Brasília?", perguntou aos auxiliares, numa referência a Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e a Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Diante da resposta positiva, Dilma ordenou: "Me consigam essa entrevista". Na manhã de quinta-feira, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tentou descontrair o ambiente da reunião matinal com Dilma, Gleisi, Ideli, Helena Chagas (Comunicação Social) e Giles Azevedo, chefe de gabinete. "Vou trazer um Biotônico Fontoura para a Ideli, que está fraquinha, e um GPS para a Gleisi, para ela se localizar ", brincou Carvalho. Até Dilma deu risada. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ligou para Ideli bem cedo. "Eu não disse que você era gordinha, como foi publicado; falei que você era fofinha", justificou Sarney. Foi somente às 12h35 que a entrevista chegou ao gabinete da presidente. Ela ficou furiosa com o que leu. Pouco depois, chamou os mais próximos para um almoço. À mesa com Gleisi, Ideli, Helena e Carvalho, a presidente conversou sobre a "situação insustentável" de Jobim. Até então, não tinha falado com ele ao telefone. Depois do almoço, Dilma ligou e mandou Jobim retornar, juntamente com o vice Michel Temer e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Ou você pede para sair ou eu saio com você", disse ela.Além da verborragia, o sonho de ser presidente
Aos 65 anos, Nelson Jobim é um misto de político e jurista que ocupou sempre cargos de primeira linha nos três Poderes da República. Em todos, envolveu-se em polêmicas. Mesmo com sua carreira bem-sucedida, Jobim quer mais. Busca reposicionar-se politicamente, de forma a aparecer como o nome do PMDB numa disputa pela Presidência da República em 2014, caso o partido se desgrude do PT. Nos últimos meses, tornou-se uma espécie de consultor e conselheiro de um grupo de senadores não-alinhados com a direção peemedebista, entre eles Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE). É nesse núcleo que considera viável construir o caminho que o leve à Presidência. Se, por um lado, Jobim construiu sua biografia em cima de atos voluntariosos e posições de destaque, por outro sofre com uma espécie de incontinência verbal em que revela segredos pessoais e o leva a fazer seguidas críticas a seus pares ou a deixar no ar palavras de efeito ambíguo. Na festa de aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, disse que era preciso entender que os tempos mudaram. E, evocando o dramaturgo Nelson Rodrigues, afirmou: "O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia".Uma inconfidência de Jobim durante o aniversário de 15 anos da Constituição, em 2003, gera polêmicas jurídicas até hoje. Ele contou que, no papel de líder do PMDB e uma espécie de consultor jurídico da Assembleia Constituinte, incluiu no texto da Constituição uma parte não votada pelos constituintes, justamente no capítulo que trata da independência entre os poderes. Disse que havia um outro remendo não aprovado, mas que só o revelaria em livro, o que nunca fez. Jobim justificou-se dizendo que foi necessário para não tornar contraditórios os capítulos da Constituição. Afirmou ainda que foram adaptações em cima de partes votadas anteriormente.
Crise na base aliada é o preço da 'faxina', diz Marina
A ex-senadora Marina Silva afirmou nesta quinta-feira, 4, que a crise na base parlamentar de apoio ao governo federal, agravada com o anúncio do PR de que se manterá independente no Senado, tem relação com a "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff no Ministério dos Transportes, alvo de denúncias de corrupção. Na avaliação dela, os desdobramentos políticos das exonerações promovidas na administração pública são um preço que precisa ser pago. "Os problemas que a presidente vem enfrentando têm relação com os graves problemas de corrupção que vêm sendo denunciados", afirmou. "Se essas saídas forem o preço para enfrentar esses problemas, é o preço que precisa ser pago", disse. "É pagar o preço para fazer o que precisa ser feito." Segundo ela, Dilma tem agido de maneira quixotesca ao enfrentar o "nefasto gigante da corrupção". "E para isso tem de ser ajudada pelos bons ventos da sociedade brasileira". A ex-senadora defendeu que a sociedade dê apoio à presidente quando suas ações forem corretas. Para Marina, a reação da sociedade é a melhor forma de "constranger" aqueles que acham que as instituições públicas podem ser privatizadas por partidos. Após ministrar palestra no XI Congresso Brasileiro do Ministério Público de Meio Ambiente, promovido na capital paulista, a ex-senadora afirmou que a "faxina" promovida pelo Palácio do Planalto é "necessária" e "urgente".Congresso convida Passos e diretor da ANP para depor
A Comissão de Infraestrutura do Senado aprovou ontem convite para que o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, prestem esclarecimentos sobre as denúncias de corrupção envolvendo os dois órgãos. Líder do PSDB na Casa, o senador Álvaro Dias (PR) concordou em transformar o requerimento de convocação em convite, mediante acordo com a base aliada do governo. Para os senadores da oposição, o importante é a disposição de Passos e de Lima em prestarem esclarecimentos sobre as recentes acusações. A data dos depoimentos deve ser agendada na próxima semana.