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Bolsonaro e o seu ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, preso pela venda ilegal de joias. Foto: Presidência da República
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato, no caso de negociação das joias recebidas da Arábia Saudita. O inquérito da Polícia Federal concluiu que o ex-presidente acompanhou as transações e recebeu dinheiro pelas vendas. Segundo a investigação, o valor arrecadado foi incorporado ao patrimônio de Bolsonaro.
"Identificou-se, ainda, que os valores obtidos dessas vendas eram convertidos em dinheiro em espécie e ingressavam no patrimônio pessoal do ex-presidente da República, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores", afirma relatório da PF.
No dia 26 de outubro de 2021, agentes da Receita Federal apreenderam, no aeroporto de Guarulhos, um estojo com colar, anel, relógio e um par de brincos de diamante. O kit, avaliado em R$ 5,1 milhões, estava em posse de Marcos André dos Santos Soeiro, assessor do ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque.
A operação teve início em 2023, quando a PF abriu o inquérito para apurar o caso, visto que os itens não foram declarados. O Palácio no Planalto alegou que as joias eram um presente do príncipe da Arábia Saudita Abudulaziz bin Salman Al Saud para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O Tribunal de Contas da União solicitou, então, que Bolsonaro devolvesse os bens. A defesa do ex-presidente entregou o conjunto retido pela Receita, mais dois kits que haviam escapado da fiscalização. De acordo com a legislação, os itens recebidos pertencem ao acervo brasileiro.
Enriquecimento ilícito
A Polícia Federal afirma que uma organização criminosa agia dentro do Palácio do Planalto. Os integrantes eram responsáveis por negociar bens da União “com o intuito de gerar o enriquecimento ilícito”. A PF indiciou o ex-presidente e mais 11 suspeitos pelo desvio de R$ 6,8 milhões, referentes às joias. O relatório da PF aponta que Bolsonaro acompanhou o leilão de peças milionárias. O inquérito também mostra trocas de mensagem entre o ex-presidente e o tenente-coronel Mauro Cid, ex -braço direito da presidência. Em depoimento de delação premiada, Cid afirmou que Bolsonaro recebia os valores das transações em “cash”. De acordo com Osmar Crivelatti, ex-auxiliar do então presidente, as ordens para negociação partiram diretamente da presidência. Foram indiciados, ainda, os seguintes aliados do ex-presidente:- Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro, pelos crimes de apropriação de bens públicos e associação criminosa
- José Roberto Bueno Júnior, ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia, por apropriação de bens públicos, associação criminosa e lavagem de dinheiro
- Júlio Cesar Vieira Gomes, auditor-fiscal e ex-secretário da Receita, pelos crimes de apropriação de bens públicos, associação criminosa, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa
- Marcelo da Silva Vieira, chefe do gabinete de Documentação Histórica da Presidência da República no mandato de Bolsonaro, por apropriação de bens públicos e associação criminosa
- Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, pelo crime de lavagem de dinheiro
- Marcos André dos Santos Soeiro, ex-assessor de Bento Albuquerque, por apropriação de bens públicos e associação criminosa
- Mauro Cesar Barbosa Cid, tenente-coronel do Exército e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, pelos crimes de apropriação de bens públicos, associação criminosa e lavagem de dinheiro
- Fabio Wajngarten, advogado de Bolsonaro e ex-secretário de Comunicação, por lavagem de dinheiro e associação criminosa
- Frederick Wassef, advogado do ex-presidente, por lavagem de dinheiro e associação criminosa
- Mauro Cesar Lourena Cid, general da Reserva do Exército, por lavagem de dinheiro e associação criminosa
- Osmar Crivelatti, assessor de Bolsonaro, pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa