Publicidade
Expandir publicidade
Fábio Góis
Não é o caso aqui tentar teorizar sobre o filme, o épico proletário do sindicalista-mor na telona. Mas não custa reportar ao paciente leitor deste site algumas impressões colhidas sobre o filme, sublinhe-se, por um atordoado “olhar de cronista”.
Lula emerge das rachaduras de um sertão maldito impulsionado por uma mãe que flutua entre a pseudo-submissão ao marido e a força que só as mulheres parecem ter. Dona Lindu – levada à massa por uma sublime Glória Pires – padece e, em menor escala, regozija em todo o transcorrer do filme com apenas a felicidade da quase dezena de filhos como meta. Eis a seiva com que o diretor Fábio Barreto faz da mãe de Lula um mártir que parece suplantar em apelo emocional o próprio protagonista.
Que, aliás, é um achado. Na tela, o até então desconhecido Rui Ricardo Dias fala como Lula, anda como Lula, gesticula como Lula. Não prende a língua para imitar a fala do presidente, mas nem precisava: estão lá os tons graves da voz meio rouca, meio histriônica. Uma voz quase tosse.Veja o trailer do filme: