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Em defesa de Michelle, bolsonaristas promovem assédio digital a professora

Parlamentares bolsonaristas entraram na última semana em uma cruzada digital contra a professora e coordenadora Sinasefe, Elenira Vilela

20/1/2024
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Os deputados Caroline de Toni (PL-SC), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Júlia Zanatta (PL-SC). Fotos: Marina Ramos e Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Parlamentares bolsonaristas entraram na última semana em uma cruzada digital contra a professora e coordenadora do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Elenira Vilela. A sindicalista defendeu em uma live do canal Opera Mundi, transmitida em 23 de dezembro de 2023, que é preciso encontrar um modo de “destruir” Michelle Bolsonaro política ou juridicamente. No entanto, um trecho da transmissão foi editado e republicado por congressistas, insinuando que ela defendeu a morte da ex-primeira dama.  A transmissão, que teve a participação do ex-deputado José Genoino, discutiu a força da direita para 2024. Durante o minuto 31 do vídeo, Elenira disse: “Ela [Michelle Bolsonaro] é uma carta chave. E se a gente não arrumar um jeito de destruir ela politicamente e, quiçá, de outras formas, jurídica, por exemplo, comprovando os crimes e tornando ela também inelegível, nós vamos arrumar um problema pra cabeça”.  Uma conta no X, antigo Twitter, identificada como Luiz Cláudio publicou uma versão alterada do vídeo com a seguinte legenda: “A militante de esquerda Elenira Vilela sugere o assassinato de Michelle Bolsonaro”. O suposto dono da conta é defensor público no Distrito Federal e diretor regional da Associação Brasileira de Juristas Conservadores (Abrajuc).   O vídeo depois foi publicado nas redes sociais do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), das deputadas Carla Zambelli (PL-SP) Caroline de Toni (PL-SC), Júlia Zanatta (PL-SC) e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). A propagação do conteúdo, com os comentários dos parlamentares, fomentou ataques a Elenira, incluindo ameaças de cunho misógino e persecutório.  A sindicalista afirma que se trata de um “ataque coordenado” e o “principal mecanismo de difusão da mentira”. Em comunicado, ela afirmou ter feito dois boletins de ocorrência para responsabilizar os autores das ameaças. “Não me calarão! Seguirei na luta por equidade, pelo fim de qualquer forma de opressão e exploração, na defesa da educação e dos direitos humanos e enfrentando o ódio, a mentira, o proselitismo religioso, o autoritarismo e o fascismo”.  “Uma autoridade pública tem responsabilidade e tem obrigação de fazer checagem. Outras publicaram a frase completa, mas seguiram fazendo insinuações ou mesmo afirmações, como é o caso do PL Mulher, que afirma com certeza que entre as outras formas estaria a integridade física”, aponta a sindicalista. “Só alguém que só pensa em violência como eles podia chegar a uma conclusão absurda”.  Elenira explica que publicou um vídeo que explicitava o que foi dito na transmissão e o que foi modificado em repostagens, além de destacar a falsa acusação de crime de ameaça. Apesar dos dois boletins de ocorrência, ela conta ao Congresso em Foco que não se sente segura no ambiente virtual, tampouco na realidade.  “Não me sinto segura nem na realidade, nem no ambiente virtual. No ambiente virtual eu tenho recebido muitas ameaças. Eu fiz talvez uma centena de denúncias, por exemplo, ao X, de injúrias, de calúnia, de discurso de ódio, e absolutamente todas foram consideradas que não estavam infringindo a política de privacidade. E aqui na minha cidade, de maneira nenhuma eu me sinto protegida. Me sinto ameaçada, me sinto com medo, sinto que a minha família também está ameaçada”, diz Elenira Vilela.
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