[caption id="attachment_37505" align="alignleft" width="300" caption="Acuado por uma série de denúncias e abandonado pela mulher e por Arruda, Durval resolveu abrir o jogo"]
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Rudolfo Lago
Operador de um esquema milionário de desvio de recursos públicos, o ex-secretário de Assuntos Institucionais do Governo do Distrito Federal resolveu ter como seus melhores amigos gravadores e câmeras de vídeo, que ficavam escondidos nos desvãos da sua casa ou de seus escritórios. Primeiramente, eles eram salvo-condutos para que Durval pudesse continuar transitando incólume no pântano de corrupção que ajudou a criar.
À medida porém, em que o esquema de desvio ia se ampliando e seus braços se tornavam mais evidentes, Durval foi percebendo que o sistema de proteção que criara não vinha sendo suficiente para protegê-lo. Alvo do Ministério Público, Durval tornou-se personagem principal da Operação Megabyte, que investigou, em 2008, irregularidades na compra sem licitação de serviços de informática, de muitas das mesmas empresas que surgiram agora na Operação Caixa de Pandora. Na verdade, a sistemática já era a mesma: dispensa de licitação para pagamento mais alto dos serviços para que se pudesse, com esse recurso a mais, tirar o dinheiro que era desviado para a corrupção e o pagamento de propina a aliados a integrantes do esquema.
Na Operação Megabyte, há já uma operação de busca e apreensão na casa de Durval Barbosa. Exposto, o ex-secretário vê as coisas começarem a se complicar para o seu lado. Sua vida familiar começa a ruir. Separa-se da mulher num processo turbulento. O cerco a ele se fecha. A proteção que esperava que viesse de Arruda, até com a promessa de que tinha nas mãos o Ministério Público do DF, não vem. Acuado, Durval admite a hipótese de contar o que sabe. Com a intermediação do jornalista Edson Sombra, informante de Alessandra e amigo do ex-secretário, Durval negocia sua delação premiada. E passa a ser, como mostra Alessandra na entrevista abaixo, prisioneiro do que fez e viu no Governo do Distrito Federal.
Congresso em Foco - Com a Operação Caixa de Pandora, nós nos deparamos com um dos mais explícitos e detalhados esquemas de corrupção que já foram investigados no país. Como se desvendou esse esquema? Como se chegou em Durval Barbosa? Que relação esse caso tem com outros esquemas que já eram investigados?
Alessandra Queiroga - O Durval Barbosa estava já há muito tempo descontente com os rumos que as coisas estavam tomando contra ele. Ele estava fazendo a gravação desses vídeos, e essa história corria pela cidade. A gente já vinha há muito tempo investigando Durval e processando ele. Por isso, nós achávamos muito difícil conseguir ter acesso a ele, tal o nível de envolvimento e a consistência das provas feitas contra ele em outros procedimentos. Mas encontrei uma brecha para isso quando o Edson Sombra me procurou. O Sombra é uma pessoa que conheço há muitos anos, que já me ajudou com informações relevantes em várias investigações. Ele me disse que tinha assistido esses vídeos, e que o Durval estava muito insatisfeito com o Arruda e com o comportamento dele no rumo que as coisas estavam tomando. E que ele estava disposto a falar com alguém. Ele já tinha mostrado os vídeos a algumas pessoas. Eu senti, pela conversa com o Edson que, ele, se encontrasse as condições corretas, iria colaborar. Daí, eu falei em delação premiada. Eles ficaram de ver o assunto. E acabaram me retornando e marcamos um primeiro encontro onde já vi alguns vídeos. E os vídeos falavam por si. Além disso, a possibilidade do fato de ele se manter secretário e nos auxiliar a partir desse posto, uma infiltração dentro do próprio governo para poder comprovar tudo o que ele estava dizendo, me pareceu uma chance única.