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Lula: decisão sobre compra de aviões é política e atribuição do presidente da República

11/9/2009
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Fábio GóisO presidente Lula disse nesta sexta-feira que a decisão sobre a compra de aviões combate é política, e que cabe a ele escolher o país fornecedor dos equipamentos. No feriado de 7 de setembro, Lula se reuniu no Palácio do Planalto com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, de quem recebeu “a única proposta concreta” feita até agora: 36 caças fabricados pela empresa francesa Dassault. Na esteira do Ano da França no Brasil, a declaração é mais um sinal de que os franceses devem levar a fatura. Leia:Sarkozy é o convidado de honra de desfile do 7 de setembroBrasil vai fechar com frança maior contrato militar

“A FAB [Força Aérea Brasileira] tem conhecimento tecnológico suficiente para fazer a avaliação, e eu preciso que ela fala. Mas essa decisão é política, e essa é do presidente da República, e de ninguém mais”, disse Lula, em entrevista coletiva por ocasião da cerimônia de “batimento da quilha” do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), no município de Ipojuca, em Pernambuco.

“Este estaleiro, para mim, hoje, é uma coisa um pouco que sagrada, porque foram anos de briga para a gente convencer a nós, brasileiros, que nós éramos possíveis... nós tínhamos competência para construir isso”, disse o presidente.

Na menção à compra de caças estrangeiros, Lula fez criticas ao comportamento da imprensa na abordagem do assunto. “Fico triste quando eu percebo que a imprensa não consegue mais o que é uma brincadeira, uma ironia, com a verdade [sic]. Eu nem tinha lido a matéria de um menino, acho que da Folha de São Paulo ou do Globo... eu estava de costas até [no Itamaraty], quando ele perguntou: ‘Os americanos estão oferecendo mais...’ Eu não tinha nem visto. Eu falei: se continuar essa disputa, eu vou ganhar de graça”, declarou o presidente.Concorrência e divergênciaAlém da França, a Suécia e os Estados Unidos também pretendem obter do governo brasileiro a preferência na negociação dos caças Rafale, que são supersônicos. O presidente norte-americano, Barack Obama, chegou a intervir no Congresso de seu país para que fosse alterada a legislação que impede a transferência de tecnologia de equipamentos militares – caso dos aviões franceses em negociação com o Brasil.

“É importante que os fornecedores estejam oferecendo cada coisa cada vez com mais possibilidades. Uma coisa está clara: queremos transferência de tecnologia e queremos construir esses aviões no Brasil. O presidente Sarkozy até agora foi o único presidente que disse textualmente para mim que quer transferir tecnologia e fazer o avião aqui. Se alguém quiser ofertar mais, que oferte. Negociação é assim, às vezes leva um ano”, discursou Lula. Os modelos concorrentes são o F-18, da Boeing (EUA) e o Gripen, da Saab (Suécia). 

No último dia 2, o plenário do Senado aprovou, em votação simbólica, dois projetos de resolução que permitem à União contrair empréstimos externos em valor global de 6,08 bilhões de euros – o equivalente a R$ 17 bilhões. O montante servirá a dois propósitos: construção do primeiro submarino de propulsão nuclear do país (gasto previsto em cerca de R$ 12,1 bilhões), com quatro submarinos convencionais no pacote; e fabricação de 50 helicópteros de transporte EC-725 (cerca de R$ 5,1 bilhões), da empresa francesa Eurocopter (European Aeronautic Defense and Space Company).

Na próxima quarta-feira (16), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, participará de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional para debater o acordo militar com a França – que envolve fabricação, por empresas nacionais, de helicópteros e submarinos nuclear e convencionais, além transferência de tecnologia francesa para a construção dos equipamentos. Com os novos desdobramentos do acordo, entra na pauta a compra dos aviões de combate, que tem recebido críticas da oposição.

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