Fábio GóisO presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), acaba de formalizar na presidência da Casa um pedido de abertura de procedimento administrativo contra os ex-diretores Agaciel Maia (Diretoria Geral) e João Carlos Zoghbi (Secretaria de Recursos Humanos). Com o documento do protocolo em mãos, Demóstenes disse ao Congresso em Foco que há elementos suficientes para pedir o desligamento definitivo de ambos da instituição, uma vez que os dois teriam tomado decisões “à revelia” dos senadores da Mesa Diretora. “Aqui tem provas. Se fosse depender da comissão de sindicância, não ia dar em nada”, disse Demóstenes, referindo-se à auditoria que se debruçará sobre cada um dos 663 atos administrativos secretos que foram emitidos entre 1995 e junho de 2009, beneficiando parlamentares, servidores, parentes e aliados. Leia mais:Ato secreto revelado pelo Congresso em Foco é anuladoComissão recomenda sindicância para investigar atos secretosComissão aprova auditoria do TCU nos contratos do SenadoAtos secretos não podem ser anulados, diz Heráclito Técnicos da comissão descobriram que a maioria dos atos foi assinada pelo então diretor-adjunto de Agaciel, Alexandre Gazineo, exonerado ontem (terça, 23) da Diretoria Geral. Agaciel e Zoghbi determinavam quais atos não deveriam ser veiculados no Boletim Interno do Senado, segundo o senador. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), que já havia declarado que Agaciel e sua “camarilha de ladrões” deveriam ser presos (leia mais), também tomou providências contra os ex-diretores da Casa. O tucano enviou ao ofício ao presidente José Sarney (PMDB-AP) também solicitando afastamento temporário de Agaciel e Zoghbi. Ele explica que, caso seja instalado um processo administrativo, os ex-diretores podem ficar até dois meses longe de suas funções, para que a presença deles não interfira no andamento dos trabalhos.
Virgílio disse à reportagem que sua iniciativa não significa punição antecipada, mas uma prevenção. “É para ter uma lisura na investigação. Apenas para tirar uma pessoa poderosa que possa ter influência nos trabalhos”, explicou o tucano, que quer celeridade na resposta à sua solicitação. “Não vai ter desculpa para não fazer [o procedimento administrativo]. Se não, o negócio vai ficar feio na semana que vem.”
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