Reportagem da Folha de S. Paulo diz que um dos laranjas utilizados na compra dos dólares que seriam destinados à compra do dossiê antitucano declarou à Polícia Federal que não retirou o dinheiro da casa de câmbio Vicatur, em Nova Iguaçu (RJ). A pessoa ouvida é integrante de uma família pobre, que tem oito de seus integrantes registrados como compradores de dólares em operações com a Vicatur investigadas pela PF. Os policiais trabalham com a hipótese de essas pessoas terem tido seus CPFs utilizados na operação sem o consentimento delas. Os demais laranjas devem prestar depoimento ainda nesta semana.
Além da Vicatur, estão na mira da PF as casas de câmbio Diskline e Travel, em São Paulo, e a Centaurus, em Florianópolis, informa a matéria de Andréa Michael. A PF suspeita que, por meio dessas empresas, passaram US$ 110 mil em notas seriadas, lote que faz parte do R$ 1,75 milhão em dólares e reais que seriam utilizados para comprar o dossiê, mas foram apreendidos em 15 de setembro, no hotel Ibis Congonhas, em São Paulo.Os nomes dos laranjas fazem parte de uma base de dados montada pela PF especificamente para investigar a negociação do dossiê contra políticos do PSDB. A análise das informações envolve dados relativos a 66.256 pessoas, 56.047 números de telefones e 2.828.000 chamadas de sigilo telefônico.A PF também apura os motivos do elevado número de telefonemas trocados entre os principais suspeitos do caso e o Palácio do Planalto. "As sucessivas quebras de sigilo telefônico, no período entre 15 de agosto e 15 de setembro, revelaram que os suspeitos e as pessoas com as quais se comunicaram receberam do Palácio do Planalto e fizeram para o local 380 mil ligações telefônicas. A PF investiga com quem do governo os suspeitos de negociar o dossiê conversaram. O lado financeiro da investigação trabalha, no mesmo sistema -chamado de 'Arquivo X'-, com dados de 43.778 contas bancárias, 1.580.094 transferências financeiras, além de 311.039 contratos relativos à compra de lotes superiores a US$ 10 mil", diz a Folha.