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A contabilidade da Planam

10/6/2006
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Reportagem da revista IstoÉ, que começa a circular neste sábado nas bancas, revela quanto era pago, a quem e de que forma, nas negociações de parlamentares com a compra de ambulâncias superfaturadas. Na matéria de Hugo Marques, a revista teve acesso ao "calhamaço de 195 páginas em que os técnicos da empresa registraram datas, valores e destinatários de milhões de reais sangrados dos cofres públicos". Segundo a publicação, propinas eram pagas a deputados, prefeitos, funcionários de ministérios e até agentes da própria Polícia Federal que a ajudavam a superfaturar as vendas. O documento foi enviado pela Polícia Federal ao Congresso - onde está trancado em um cofre - e ao Ministério Público. Na contabilidade da Planam, entre o livro-caixa e a "lista de projetos" visados pela máfia dos sanguessugas, constam os nomes de 154 parlamentares e ex-parlamentares. Desse total, 36 políticos pertenceram à legislatura anterior. A ex-funcionária da empresa, Maria da Penha Linho, apontou em seu depoimento na PF que o esquema envolveria um terço da Câmara, ou 171 deputados. Quase acertou em cheio. O livro-caixa pode se tornar um ponto de partida para os trabalhos da CPI dos Sanguessugas, finalmente aprovada, graças a um acordo entre deputados e senadores, na quarta-feira 7. A comissão deve ser instalada oficialmente na quarta-feira. Ao contrário do que muitos parlamentares tentaram propagar no início, a corrupção não se dava exclusivamente por intermédio de assessores. Muitos deputados, diretamente, receberam dinheiro da Planam em mãos, em cheque ou em depósitos na conta bancária. A empresa pagou até prestações de carros de alguns parlamentares. Tudo devidamente registrado na contabilidade. Veja quem são os citados pela revista que constam nos registros da empresa: Nilton Capixaba (PTB-RO), segundo-secretário da Câmara: Engordou sua própria conta bancária, de acordo com o livro-caixa, em mais de R$ 400 mil. Num único depósito em conta corrente, sem intermediários, Capixaba ganhou R$ 10 mil. Ele não respondeu aos recados deixados pela IstoÉ em seu gabinete e na agenda do telefone celular. João Caldas (PL-AL), terceiro-secretário da Câmara: Ganhou um depósito da máfia, via Banco do Brasil, no valor de R$ 50 mil. Outros R$ 20 mil foram entregues a João Caldas por Marco Antônio Lopes, diretor da empresa. O gabinete de Caldas informou que ele está em campanha política, em Alagoas, sem condições de ser alcançado. Deputado Cabo Júlio (PMDB-MG): Recebeu um depósito numa curiosa "conta corrente Mercosul" no valor de R$ 2,8 mil. Outros R$ 2 mil foram pagos por intermédio de uma mulher chamada Arlete. O gabinete de Cabo Júlio orientou que a resposta do deputado fosse procurada em seu site na internet. Lá, ele se diz alvo de perseguição dos "poderosos". Deputado Pedro Henry (PP-MT): Absolvido no escândalo do mensalão, o ex-líder do PP recebeu só em "pagamentos em cheque" e depósito na sua conta corrente R$ 70 mil da máfia. A Planam também quitou as parcelas do leasing e do seguro de uma caminhonete do parlamentar. Todos os depósitos somam mais de R$ 150 mil. "É especulação", desconversou Henry. "Se fizeram depósitos na minha conta, vai ser fácil comprovar." Deputado Lino Rossi (PP-MT): Há um pagamento da Planam de R$ 7 mil para ele. Licenciado da Câmara, não foi localizado. Deputado Paulo Baltazar (PSB-RJ): Segundo a revista, ele é "presença constante na lista". Em algumas das anotações, o deputado é tratado no livro-caixa como "Paulinho" Baltazar. Para ele, constam depósitos de R$ 60 mil. Quando estourou o escândalo dos sanguessugas, Baltazar era o líder de seu partido na Câmara. Foi afastado do cargo. Além da lista de "contas a pagar", o nome de Baltazar aparece em outros arquivos que a Planam usava para fraudar as compras de ambulâncias. Em um desses arquivos, seu nome está ao lado dos municípios beneficiados com emendas e os valores das emendas, além das senhas que o Ministério da Saúde distribui para o acompanhamento de projetos. Ao lado de cada uma das emendas aparece a palavra "sim". O deputado se defendeu em nota: "Com tranqüilidade aguardo o aprofundamento das investigações", escreveu. "Nos meus 17 anos de vida pública sempre trabalhei com transparência." Fernando Gonçalves (PTB-RJ): Ele consta como beneficiário de depósito de R$ 50 mil. Procurado pela revista, o parlamentar não retornou as ligações.
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