Sônia Mossri |
A ala governista do PMDB busca brechas jurídicas que permitam o adiamento judicial da convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 12, em Brasília. Advogados realizam uma varredura em prazos, publicação de convocações em jornais e outras exigências legais para tentar impedir a convenção e o que seria a oficialização de um inevitável racha no PMDB. Os cardeais governistas do PMDB – os ministros das Comunicações, Eunício Oliveira, e da Previdência Social, Amir Lando, além dos líderes do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), e na Câmara, José Borba (PR) – procuram todas as saídas para que a convenção não seja realizada em 2004. Eunício, Renan e Borba almoçaram ontem para discutir o adiamento. Os advogados ainda não encontraram argumentos sólidos para entrar com ação na Justiça para impedir a realização da convenção, mas ainda não desistiram dessa possibilidade. A análise dos governistas é que o adiamento judicial seria a melhor alternativa, tanto para o governo quanto para os aliados do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). Segundo eles, Temer é “legalista” e não se oporia a fatos jurídicos para postergar a convenção. Enquanto os advogados estão à procura de falhas materiais que poderiam levar ao adiamento da convenção, os governistas do PMDB estão à beira de um ataque de nervos.O presidente Lula não se mostra disposto a fazer uma reforma ministerial antes da data marcada para a convenção do PMDB. O presidente não deseja dar argumentos para ser acusado de comprar votos e interferir na convenção. Lula tem uma complicada equação matemática para realizar. A reforma ministerial teria a função de manter os partidos aliados no governo, trazer mais eficiência na área social e premiar um dos principais aliados do governo Lula no Congresso, o presidente do Senado, José Sarney (AP). Disputa por superministérioUm dos problemas do presidente Lula é que tanto Sarney quanto o restante do PMDB disputam o mesmo ministério. Para compensar Sarney pelo fim da emenda constitucional que lhe poderia dar mais dois anos no comando do Senado, Lula quer presentear a filha do ex-presidente da República, a também senadora Roseana Sarney (PFL-MA), com um robusto ministério em termos de verbas e ação nos estados. Roseana somente se licenciaria do PFL e assumiria um ministério se esse for o das Cidades, ocupado atualmente pelo petista gaúcho Olívio Dutra. A dificuldade é que o PMDB também está de olho nesse ministério. Em especial Eunício Oliveira, que sonha em trocar o das Comunicações pelo polpudo orçamento das Cidades. Um senador muito próximo a Sarney disse ao Congresso em Foco que Roseana não sai do Senado por um simples ministério. Ela quer um superministério. |
Governistas do PMDB estudam recorrer à Justiça
13/7/2005
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