Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigos
  1. Home >
  2. Artigos >
  3. Reduzir jornada de trabalho é garantir dignidade a quem move o Brasil | Congresso em Foco

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

Trabalho e direitos

Reduzir jornada de trabalho é garantir dignidade a quem move o Brasil

Trabalhadores brasileiros enfrentam longas jornadas e pouco tempo para viver.

Daiana Santos

Daiana Santos

16/4/2025 | Atualizado às 9:59

A-A+
COMPARTILHE ESTE ARTIGO

Em um país onde a maioria trabalha muito e vive pouco, a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado, precisa ser vista como prioridade. Trata-se de uma pauta que não é nova, mas que se torna cada vez mais urgente diante dos desafios que a classe trabalhadora enfrenta todos os dias: jornadas exaustivas, baixos salários, adoecimento físico e mental e falta de tempo para o lazer, o cuidado e o convívio familiar.

Brasil está entre os países com as jornadas mais longas entre as maiores economias, segundo a OIT

Brasil está entre os países com as jornadas mais longas entre as maiores economias, segundo a OITFernando Frazão/Agência Brasil

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil está entre os países com jornadas mais longas entre as maiores economias do mundo. E isso tem consequências: burnout, estresse, depressão, doenças ocupacionais e uma vida cada vez mais atravessada pelo trabalho, sem tempo para viver.

É preciso deixar claro: reduzir a jornada não é reduzir salário. É redistribuir o tempo e o valor gerado pela força de trabalho. Estudos mostram que, em algumas décadas, a produtividade cresceu em um ritmo mais acelerado do que os salários. Isso significa que a riqueza gerada pelo aumento da produtividade não foi distribuída de forma equitativa entre trabalhadores e empregadores. O lucro cresceu, mas não chegou ao bolso de quem trabalha. Diminuir a carga semanal é, também, uma forma de corrigir essa distorção, dividindo de forma mais justa os ganhos econômicos.

Outro ponto fundamental dessa proposta é o impacto direto na vida das mulheres, especialmente das mulheres negras, que historicamente acumulam jornadas duplas e triplas: no trabalho formal, em casa e nos cuidados com a família. Ao garantir mais tempo livre, ampliamos a possibilidade de uma divisão mais justa das tarefas domésticas e dos cuidados e avançamos rumo à igualdade de gênero.

Os críticos da proposta argumentam que a economia não suportaria uma mudança desse tipo. Mas a história mostra o contrário: todas as grandes conquistas trabalhistas enfrentaram resistência inicial. A jornada de oito horas, as férias remuneradas e o salário mínimo foram alvos das mesmas críticas, e hoje são direitos consolidados. Além disso, estudos internacionais demonstram que jornadas menores aumentam a produtividade, reduzem o absenteísmo e melhoram o clima organizacional.

Reduzir a jornada é investir em qualidade de vida, saúde pública, igualdade e bem-estar coletivo. É reconhecer que as pessoas não nasceram para apenas trabalhar. Precisam de tempo para estudar, cuidar, descansar, conviver, criar e participar da vida pública.

Trata-se de uma medida que caminha ao lado da democracia e da justiça social. E é por isso que essa proposta precisa avançar no Congresso Nacional com apoio da sociedade. Porque quando a classe trabalhadora conquista tempo, conquista também liberdade.

Por isso, o nosso projeto de lei 67/2025 representa mais do que uma simples mudança na jornada de trabalho é um passo firme rumo a um Brasil mais justo e comprometido com quem realmente constrói essa nação. A proposta garante dois dias de descanso remunerado para trabalhadoras e trabalhadores que, historicamente, tiveram suas vidas consumidas pelo excesso de trabalho e pela falta de reconhecimento. Não dá mais para naturalizar jornadas que adoecem, que afastam mães e pais de seus filhos, que esmagam o direito ao lazer, ao estudo, ao afeto e à organização política.

O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Trabalhadores Brasileiros Tempo de trabalho qualidade de vida jornada de trabalho

Temas

direitos Artigo
ARTIGOS MAIS LIDOS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES