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Setor Portuário
2/1/2026 11:22
O Brasil viveu um ano de profundos desafios. Fomos duramente testados na nossa capacidade comercial por conta do tarifaço imposto, no início do segundo semestre, pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump. Graças à habilidade de negociação do governo, à agilidade do Congresso em aprovar medidas que protegeram nossos produtores e a capacidade de nossos empresários para buscar novos mercados, superamos as dificuldades e ainda conquistamos novas rotas para nossos produtos.
E, mais uma vez, testados no limite do estresse, nosso setor portuário reagiu à altura. Mesmo representando menos de 1,5% do volume do comércio mundial, conquistamos números expressivos. Principal porto brasileiro, Santos registrou meses de recorde no movimento e forte crescimento. No acumulado de janeiro a junho - antes do tarifaço, portanto - o porto santista movimentou cerca de 2,8 milhões de TEU. No acumulado até outubro, o volume movimentado ficou em aproximadamente 4,9 milhões de TEU.
Quando olhamos para o conjunto dos portos públicos e terminais privados, vemos que atingimos mais de 1,0 bilhão de toneladas movimentadas acumuladas no ano até o momento. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), o acumulado das movimentações comerciais em dólares no período verificado até setembro/outubro deste ano ficou em US$ 257,8 bilhões para exportações e US$ 212,3 bilhões para importações. Os principais destinos de nossos produtos foram a China, Estados Unidos, países da União Europeia (principalmente rotas para Holanda/Alemanha), Argentina e outros países da América do Sul.
Podemos ficar felizes? Até certo ponto sim. Mas por que até certo ponto? Porque precisamos de muito mais investimentos no setor portuário para que o país possa, de fato, se tornar competitivo. A começar por Santos, o cartão postal do setor, os nossos portos sofrem com gargalos profundos de infraestrutura, que atrasam o nosso desenvolvimento econômico.
A falta de investimentos provoca filas imensas de navios à espera de embarque/desembarque de um lado e de caminhões com produtos, alguns deles perecíveis, do outro. A permanência de contêineres e cargas nos portos gera custos de armazenagem, que podem representar centenas de milhões de reais ao longo de um ano, dependendo do volume de carga.
Estudos feitos pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que esses atrasos nos embarques podem causar prejuízos que giram em torno de R$ 15 a R$ 25 bilhões anuais para a economia brasileira. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os gargalos logísticos e os custos adicionais associado a esses atrasos podem representar impactos de aproximadamente 1% a 2% do PIB. O impacto nos preços também é brutal. Para compensar as perdas em toda a cadeia com os custos elevados, a valoração dos produtos pode ser de até 40% em relação ao montante original, o que impacta ainda mais negativamente a nossa economia.
Como presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, esse problema me preocupa sobremaneira. Uma mandala elaborada pelo MDIC e pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), mostra que os empresários brasileiros precisam gastar R$ 1,7 trilhão a mais que os seus pares situados em países da OCDE para produzir a mesma quantidade de produtos. Deste montante, algo em torno de R$ 250 a R$ 290 bilhões são decorrentes de nossos gargalos de infraestrutura.
Se esses números impressionam, as estimativas de investimentos - que variam de acordo com os levantamentos feitos - também se apresentam vultuosos. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) já apontou que seriam necessários cerca de R$ 25 a R$ 30 bilhões em investimentos para modernizar e expandir a infraestrutura portuária nos próximos anos. Já um relatório elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com estimativas até este ano, apontava que seriam necessários investimentos em torno de R$ 69 bilhões. Esse valor inclui tanto a infraestrutura física quanto a tecnologia.
Outros estudos setoriais envolvendo a competitividade e infraestrutura logística apontam para a necessidade de investimentos que podem variar entre R$ 50 bilhões a R$ 100 bilhões em um horizonte de 10 anos, considerando a evolução da demanda e a necessidade de diminuir os gargalos. Para se ter ideia em termos comparativos globais, os investimentos em portos de países emergentes frequentemente chegam a 1% a 3% de seu PIB. Para o Brasil, isto significaria, considerando-se nosso PIB atual, investimentos na faixa de R$ 70 bilhões a R$ 100 bilhões.
Se formos olhar para o presente, concluiremos que conseguimos escapar ilesos a um 2025 turbulento. Se formos pensar em futuro, descobriremos que nossos portos estão muito distantes da capacidade e estrutura logística que necessitamos para sermos um país realmente competitivo.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].