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Mulheres e poder

Passou da hora das mulheres aprenderem a dizer não

Dizer não deixou de ser gesto pessoal e virou ato de sobrevivência e afirmação política.

Adriana Vasconcelos

Adriana Vasconcelos

5/1/2026 11:00

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No Brasil, costuma-se dizer que o ano novo só começa de fato depois do Carnaval. Não sei se concordo com essa premissa. Aliás, sinto um certo tom jocoso subjacente a essa máxima popular, que muitos repetem anualmente, logo após as celebrações do Réveillon.

O Carnaval, mais recentemente, tem despertado uma consciência importante na sociedade, sobretudo entre as mulheres, sobre a necessidade de aprenderem a dizer "não" e a fazer valer essa recusa, seja verbalmente ou por meio de um simples gesto. Sem dúvida, essa é uma conquista feminina crucial para tentar frear o assédio ao qual muitas vinham sendo submetidas durante festas populares.

É inegável que muitas mulheres, especialmente as com mais de 40 anos, não foram ensinadas a expressar recusa diante do que não desejam ou não lhes agrada. Muitas seguem presas à cultura patriarcal que ainda hoje prevalece na sociedade contemporânea, levando-as a se submeterem a "tarefas" tidas como femininas, como a criação dos filhos, os cuidados com a casa, a atenção aos maridos e a assistência a doentes e idosos da família.

Não faz muito tempo, essas mulheres sequer tinham o direito ou a possibilidade de sonhar em estudar e trabalhar. Uma realidade que contrasta drasticamente com dados atuais do país. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), baseada em informações do IBGE, revela que, a cada 100 lares brasileiros, 52 são atualmente chefiados por mulheres. São pelo menos 41 milhões de domicílios que as têm como principais provedoras.

Embora seja um reflexo da maior autonomia das novas gerações, essa realidade vem acompanhada de desafios adicionais, sobrecarga e todas as consequências físicas, emocionais e mentais decorrentes de situações de grande pressão e responsabilidade.

Da vida cotidiana às disputas políticas, aprender a recusar abusos, sobrecarga e candidaturas laranjas virou questão de coragem.

Da vida cotidiana às disputas políticas, aprender a recusar abusos, sobrecarga e candidaturas laranjas virou questão de coragem.Freepik

O início de cada ano tradicionalmente estimula a elaboração de planos e metas. Nesse espírito, ouso compartilhar objetivos pessoais que estabeleci para aprimorar minha qualidade de vida: aprender a dizer "não" para o que pode e deve ser compartilhado com outras pessoas e incluir-me nas prioridades do meu dia a dia. Os homens, convenhamos, sabem fazer isso com maestria e sem culpa alguma.

Não se trata de defender que as mulheres releguem a empatia ao segundo plano ou exercitem o egoísmo sem culpa. Pelo contrário, é um convite para que se permitam também cuidar de si próprias: da alimentação à saúde mental, priorizando a própria felicidade e os objetivos pessoais.

Aprender a dizer "não" é fundamental para evitar que a autoconfiança e a autoestima dessas mulheres continuem sendo minadas pelo excesso de atribuições que acumulam no dia a dia, o que dificulta a condução de suas vidas, tanto profissional quanto pessoal.

O "não" é uma palavra curta, mas de poder imenso e extremamente necessária em diversas ocasiões. E, em 2026, um ano eleitoral, essa palavra exigirá ainda mais coragem para quebrar paradigmas. As mulheres, mais uma vez, terão sua competência e seu interesse em participar de espaços de poder questionados.

Para garantir maior influência e participação nas decisões das diferentes instâncias dos Três Poderes da República e seguirem ampliando a ocupação de espaço neste ambiente dominado pelos homens, essas mulheres precisarão ser firmes para dizer "não" às candidaturas "laranjas". Terão de cobrar efetivamente a aplicação das cotas de gênero nas chapas proporcionais e no financiamento adequado para campanhas femininas, expondo à opinião pública, sempre que necessário, o descumprimento da legislação em vigor.

Como nos ensina José Guimarães Rosa em um trecho de sua obra 'Grande Sertão: Veredas: "o que a vida quer da gente é coragem". Está, portanto, na hora de as mulheres encontrarem essa coragem para dizer "não" àquilo que não lhes atende, respeita ou apraz. Que esse seja um dos compromissos assumidos por cada uma de nós ao longo de 2026!


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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