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Mobilidade e tecnologia

Carros como smartphones: o Brasil tem de se preparar já

A transformação dos veículos exige regulação, 5G, reciclagem de baterias e políticas públicas para proteger trabalhadores e cidades.

Régis de Oliveira Júnior

Régis de Oliveira Júnior

23/1/2026 13:00

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A indústria automotiva está se transformando. Veículos deixam de ser apenas máquinas mecânicas e passam a ser plataformas digitais definidas por software. Sensores, câmeras, radares e algoritmos permitem assistência avançada ao condutor, condução autônoma parcial e serviços conectados que atualizam funcionalidades por meio de software. Essa mudança altera o produto, o modelo de negócios e a relação entre fabricante, usuário e poder público.

No Brasil a dimensão do desafio é grande. A frota nacional atingiu recorde em 2024 com cerca de 123,97 milhões de veículos. Esse número exige planejamento coordenado entre União, estados e municípios para implantar infraestrutura de recarga, conectividade e corredores de testes. Renovar e modernizar uma frota dessa escala demanda políticas públicas claras e investimentos direcionados para gerar efeito demonstrador e reduzir riscos operacionais.

Transformar carros em plataformas digitais pode reduzir mortes e emissões, mas exige regulação, 5G e reciclagem de baterias.

Os benefícios ambientais dos veículos elétricos e híbridos são reais e mensuráveis quando considerados no ciclo de vida e no contexto urbano. Em uso cotidiano elétricos e híbridos reduzem emissões locais de poluentes e consumo de combustíveis fósseis. Eles melhoram a qualidade do ar nas cidades e diminuem o ruído. Quando combinados com rotas otimizadas por inteligência artificial e menor tempo ocioso em congestionamentos os ganhos em eficiência energética aumentam. Para que esses benefícios se consolidem é essencial que a matriz elétrica avance na descarbonização e que exista logística para reciclagem de baterias, evitando que a solução ambiental gere novos passivos.

A produção de baterias e motores elétricos depende de minerais críticos como lítio, níquel e cobalto. A pressão sobre oferta e preços e os impactos socioambientais da mineração tornam imprescindível a criação de políticas de certificação da cadeia, incentivos à reciclagem e investimentos em pesquisa para reduzir o uso de materiais críticos. Sem essas medidas a transição pode transferir impactos para regiões de extração e agravar desigualdades ambientais.

Países e cidades que avançaram mostram caminhos práticos. A Noruega alcançou participação muito elevada de veículos elétricos nas vendas de automóveis novos graças a incentivos fiscais e ampla rede de recarga. Singapura e cidades europeias testam ônibus autônomos e semáforos inteligentes reduzindo congestionamentos em áreas piloto. Na China plataformas de robô táxi operam em escala e empresas desenvolvem eVTOLs para mobilidade aérea urbana. Esses exemplos demonstram que regulação, infraestrutura e parcerias público privadas são determinantes.

Os riscos são concretos. A automação pode deslocar motoristas profissionais e trabalhadores do transporte de cargas e passageiros. A produção e o descarte de baterias podem gerar impactos ambientais se não houver logística reversa e normas rígidas. Veículos conectados ampliam a superfície de ataque para crimes cibernéticos, o que demanda padrões de proteção de dados e responsabilidade clara entre fabricantes e operadores. A ausência de um marco regulatório unificado cria insegurança jurídica e pode atrasar investimentos.

IA, eletrificação e conectividade já redefinem veículos e cidades, mas o país precisa agir agora para não perder empregos e competitividade.

IA, eletrificação e conectividade já redefinem veículos e cidades, mas o país precisa agir agora para não perder empregos e competitividade.Freepik

Quatro montadoras exemplificam iniciativas globais. A Volkswagen investe em veículos definidos por software e em arquiteturas elétricas que permitem atualizações remotas. A Stellantis desenvolve plataformas STLA e monetiza serviços digitais com atualizações over the air. A Toyota mantém forte aposta em híbridos enquanto pesquisa baterias avançadas e soluções de mobilidade diversificadas. A BYD expande produção e oferta de elétricos e híbridos em mercados emergentes com produção local para reduzir custos por escala. Essas estratégias combinam eletrificação, software e serviços para tornar veículos mais seguros, conectados e com custo total de propriedade mais competitivo ao longo do tempo.

Cidades que investem em gestão de tráfego inteligente comprovam ganhos imediatos. Projetos de semaforização e controle de fluxo com algoritmos reduziram congestionamentos em áreas piloto e diminuíram emissões locais. Esses casos demonstram que a integração entre veículos conectados e infraestrutura urbana é condição para multiplicar ganhos ambientais e de mobilidade.

A experiência operacional mostra que serviços comerciais de robô táxi e frotas autônomas avançam em mercados com regulação e infraestrutura. Empresas que operam robô táxis ampliaram rotas e passaram a oferecer viagens em rodovias e centros urbanos, o que demonstra viabilidade técnica e demanda por serviços autônomos quando há suporte regulatório e de conectividade.

O que prefeituras, governos estaduais e a União devem fazer agora é objetivo e prático. Aprovar um marco regulatório que defina responsabilidades por software sensores e atualizações remotas. Mapear e priorizar corredores urbanos e rodoviários para testes controlados. Acelerar a implantação de 5G e fibra em eixos estratégicos. Ampliar a rede de recarga rápida e criar incentivos fiscais e linhas de crédito para renovação de frotas públicas por modelos híbridos e elétricos. Estruturar programas de reciclagem de baterias e certificação ambiental da cadeia de minerais. Lançar programas de requalificação profissional para motoristas e técnicos de manutenção de frotas autônomas.

Quanto aos prazos, a previsão realista é de pilotos e frotas autônomas em corredores controlados nos próximos três a cinco anos em capitais com infraestrutura. A adoção massiva em todo o território nacional depende de investimentos incentivos e coordenação entre níveis de governo e pode levar mais tempo. Se o país agir agora pode transformar a nova mobilidade em instrumento de desenvolvimento sustentável. Se adiar, corre o risco de adoção desigual e excludente.

Em síntese, transformar carros em smartphones sobre rodas é uma oportunidade para reduzir mortes no trânsito, melhorar a qualidade do ar e modernizar a indústria automotiva. Para que esses benefícios cheguem ao cidadão brasileiro é preciso agir agora com regulação infraestrutura e políticas sociais que protejam trabalhadores e o meio ambiente.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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