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Violência de gênero
19/1/2026 14:00
Vencer uma eleição é apenas a primeira etapa que as mulheres precisam superar na longa e desafiadora trajetória até espaços de poder. Permanecer neles pode representar um desafio ainda maior. Na prática, exige resiliência e, sobretudo, coragem. Por isso, compartilho a trajetória de uma dessas mulheres que decidiu encarar a missão.
A prefeita reeleita de Uberaba (MG), Elisa Araújo (PSD), primeira mulher a ocupar esse cargo em 200 anos de história do município, conta que, apenas quatro meses depois de vencer a primeira eleição, a oposição apresentou um pedido de impeachment para tentar afastá-la da função.
"Eles me subestimaram. Entenderam que eu não ia dar conta, que não teria controle emocional e desistiria. Não contavam com a postura de uma mulher, que é resiliente por natureza", desabafa Elisa.
Vencida a fase inicial e a falta de experiência, a prefeita mineira traçou seus objetivos como gestora e foi aprendendo, na prática, como superar alguns desafios. Entre eles, o preconceito de outras mulheres. "Vencemos esse preconceito na sociedade, de homens a mulheres, e hoje me faço respeitar pelo que sou e pelos serviços prestados", conta.
Serviços esses reconhecidos publicamente, que garantiram ao município o Selo Outro em Transparência Pública, conferido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil. E que, no ano passado, renderam a Uberaba o maior investimento privado da sua história: R$ 7,8 bilhões de aporte para a instalação de uma planta de hidrogênio e amônia verdes, aliando a estratégia de crescimento econômico à pauta da sustentabilidade pregada durante a Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas — COP 30 —, que aconteceu no Brasil em 2025.
"Mas, enquanto prefeita e gestora, tive de provar duas vezes mais que tinha capacidade para ocupar o cargo para o qual fui eleita, diferente do que acontece com gestores homens", revela Elisa.
Calejada pelo primeiro mandato, Elisa se preparou para enfrentar a disputa pela reeleição, na qual era a única mulher contra adversários homens, mais uma vez. "Tentaram usar minha imagem e características físicas, de mulher branca, loura e oriunda de uma família com renda boa, para me descredenciar, me chamando de Barbie, Cinderela, princesa", lembra.
Mas o principal diferencial das gestões femininas talvez seja a sensibilidade para lidar com a dor do outro. "As mulheres conseguem ser multidisciplinares, têm um olhar global e mais amplo sobre tudo, sempre pensando em cuidar das pessoas, pois o instinto materno é muito forte", observa Elisa, falando com orgulho de um dos projetos que lhe são mais caros em sua gestão: cuidar das mulheres vítimas de violência.
"Foi uma das minhas prioridades desde o primeiro dia. Fizemos a Casa Abrigo, para onde elas podem levar os filhos, garantimos qualificação e vale-transporte gratuito, para que consigam superar a violência doméstica e a dependência financeira de companheiros agressores", destaca.
A despeito dos percalços e adversidades enfrentados pelo caminho, Elisa não só mostra disposição e coragem para seguir em frente, ciente da importância da participação equitativa de homens e mulheres nas decisões nas três esferas de poder, como incentiva a participação feminina nas eleições deste ano.
"Eu não tenho expectativa de ser a única. Quero que outras também ocupem meu lugar e saibam que terão em mim uma parceira. Eu tive a mão de outras mulheres, com mais experiência do que eu, que me confortaram e compartilharam experiências. Nós somos capazes de ocupar esse espaço, não só porque somos a maioria da população brasileira", conclui a prefeita, mostrando o que é a sororidade na prática. Que assim seja!
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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