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Orçamento e poder

Emendas pix: a propina de 2026 e a institucionalização da corrupção

Governo e Congresso, unidos pelo poder, usam verbas sem controle para lotear o país. 2024 foi o laboratório da impunidade; 2026 será a consagração do coronelismo digital.

Davi de Souza

Davi de Souza

22/1/2026 12:00

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Enquanto o país discute nomes para 2026, a verdadeira eleição já está sendo decidida nos bastidores do Orçamento da União. O pleito municipal de 2024 não foi apenas uma disputa por prefeituras; foi o laboratório bem-sucedido, e assustador, de uma engrenagem desenhada para perpetuar o poder a qualquer custo. As chamadas emendas Pix consolidaram-se como a moeda corrente de um sistema político falido, onde Brasília drena a riqueza de quem produz para devolvê-la, sem critérios e sem transparência, aos redutos eleitorais de quem tem a chave do cofre. E não se enganem: não há vítimas em Brasília. Governo e Congresso são sócios majoritários nesse balcão de negócios.

Para entender o risco que corremos em 2026, precisamos olhar para o rastro deixado em 2024. O que vimos foi uma farra de dinheiro público irrigando municípios estrategicamente selecionados, não pela necessidade do IDH baixo, mas pela fidelidade canina ao parlamentar padrinho. O resultado dessa "política de balcão" foi a reeleição em massa de prefeitos aliados, criando uma distorção democrática onde o financiamento federal atua como um "doping" eleitoral quase invencível. Estatisticamente, quem recebeu essas verbas turbinadas garantiu sua permanência no poder em 98% dos casos, uma taxa de sucesso que aniquila a concorrência leal e transforma o voto em mera formalidade de um jogo de cartas marcadas.

Essa engrenagem é alimentada por uma explosão orçamentária sem precedentes na história republicana. Em pouco mais de uma década, o volume de recursos destinados a essas emendas cresceu mais de 25.000%, um salto que ignora qualquer lógica inflacionária ou econômica para atender exclusivamente à fome de poder de uma casta política. Hoje, o paroquialismo político movimenta cifras que superam o orçamento da maioria dos ministérios da Esplanada, subvertendo a lógica do Estado: sobra dinheiro para obras de vitrine sem licitação e shows em cidades sem saneamento, mas falta para políticas públicas estruturantes e nacionais.

A cronologia do desastre revela a cumplicidade do Palácio do Planalto. Ao contrário da narrativa de que seria "refém" do Legislativo, o governo Lula escolheu ser o fiador desse caos. Ao se tornar o presidente que mais liberou emendas parlamentares na história, Lula não apenas aceitou as regras do jogo: ele dobrou a aposta. O Executivo abriu os cofres para garantir sua base, lavando as mãos para a qualidade do gasto e permitindo que bilhões fossem pulverizados através de mecanismos desenhados especificamente para impedir a fiscalização. É a institucionalização da opacidade: o dinheiro sai, mas o cidadão não consegue saber como, onde e por quem foi gasto na ponta final.

Uso bilionário e opaco de recursos federais consolida máquina de reeleição e distorce a democracia.

Uso bilionário e opaco de recursos federais consolida máquina de reeleição e distorce a democracia.Freepik

Estamos criando um círculo vicioso perfeito. O deputado envia o dinheiro do pagador de impostos para comprar sua base territorial; o prefeito usa o recurso para criar uma sensação artificial de prosperidade (ou para desvios puros); e essa máquina garante a reeleição de ambos. É a volta do coronelismo, agora digitalizado e bancado pelo contribuinte. O prefeito eleito em 2024 com esse dinheiro viciado já é o cabo eleitoral de luxo contratado para 2026. Essa captura do Estado por interesses privados corrói a imagem do país lá fora, refletida na queda vertiginosa do Brasil nos índices globais de percepção da corrupção em 2025. O mundo nos vê cada vez mais como uma nação onde a lei é flexível e a integridade é negociável.

Essa distorção escancara a urgência de revermos nosso pacto federativo. Não é aceitável que os impostos gerados no município tenham que subir a Brasília para, depois de um pedágio político, voltarem carimbados com o nome de um "benfeitor". Contudo, enquanto a reforma liberal não vem, precisamos de freios éticos. Felizmente, há resistência. Parlamentares como Adriana Ventura (NOVO-SP) e Marcel Van Hattem (NOVO-RS) provam que é possível atuar com responsabilidade, exigindo critérios técnicos e editais públicos para a destinação de emendas, tratando o dinheiro público com o respeito que ele merece, e não como espólio privado.

No front institucional, a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Flávio Dino, ao determinar auditorias da Polícia Federal e da CGU, foi um dique de contenção necessário, ainda que tardio. As investigações que revelaram irregularidades em Minas Gerais e no Nordeste expuseram as vísceras do sistema. Mas a justiça age no varejo; o problema é o atacado. O problema é um modelo onde o Executivo e o Legislativo se unem para contornar a transparência em nome da governabilidade e da perpetuação no poder.

Se não houver uma mudança drástica na rastreabilidade desses recursos agora, a eleição de 2026 será uma fraude moral. Não vencerão os melhores projetos, mas sim quem tiver o maior "Pix" para oferecer. Cabe à sociedade civil e aos liberais denunciarem esse consórcio do atraso que transforma a democracia em um grande negócio, onde o voto é apenas a assinatura final de um contrato já pago com o nosso dinheiro.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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