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Serviços públicos
27/1/2026 10:00
O debate sobre o futuro dos serviços postais deixou de ser uma questão administrativa para se tornar um tema estratégico de Estado. Em um mundo marcado pela digitalização acelerada das comunicações e pela reconfiguração das cadeias logísticas globais, países com extensões territoriais amplas e profundas desigualdades regionais enfrentam um mesmo dilema: como preservar a integração nacional sem ignorar a sustentabilidade econômica de seus serviços públicos.
O Brasil não está fora desse debate. Com presença em todos os 5.570 municípios, os Correios operam uma das maiores redes logísticas do país, sustentada por quase 80 mil trabalhadoras e trabalhadores. Em milhares de localidades, especialmente nas regiões mais remotas, a empresa é a única presença física permanente do Estado, garantindo o acesso da população à entrega de medicamentos, documentos oficiais e insumos essenciais a políticas públicas. Trata-se de uma função que extrapola, por definição, a lógica estritamente comercial.
Essa capilaridade, no entanto, traz consigo um desafio estrutural. O modelo tradicional do setor postal, baseado majoritariamente na circulação de cartas, entrou em colapso no mundo inteiro. A digitalização reduziu drasticamente esse fluxo, ao mesmo tempo em que elevou a complexidade e os custos da operação logística. Manter a universalização do serviço passou a exigir novas fontes de financiamento, novos modelos de gestão e decisões difíceis.
A experiência internacional é clara. Nos Estados Unidos, o serviço postal acumula prejuízos bilionários há anos e, ainda assim, segue sendo mantido pelo Estado por sua relevância estratégica, do suporte a processos eleitorais à oferta de serviços financeiros básicos. França, Itália, China e Índia enfrentam dilemas semelhantes, cada qual buscando caminhos próprios para modernizar seus serviços postais sem abrir mão da integração territorial.
No Brasil, parte relevante da estrutura física dos Correios foi concebida para uma realidade que já não existe. A revisão de custos, a modernização da governança, a atualização da infraestrutura logística e a diversificação das fontes de receita deixaram de ser opções e passaram a ser imperativos. Não há atalhos nem soluções mágicas: qualquer resposta responsável precisa partir de um diagnóstico realista e de uma visão de longo prazo.
É nesse contexto que foi concebido o Plano de Reestruturação dos Correios. O plano não nega os problemas nem se apoia em discursos fáceis. Ao contrário, reconhece as limitações do modelo atual e propõe um conjunto de ações pragmáticas para recuperar a capacidade operacional da empresa, modernizar sua logística, revisar estruturas administrativas e desenvolver novos serviços — especialmente nas áreas de logística integrada, comércio eletrônico, serviços financeiros e soluções digitais.
Mais do que preservar uma empresa pública, o desafio é garantir que o Brasil continue conectado. Em um país marcado por desigualdades territoriais profundas, integrar regiões, pessoas e economias não é um detalhe administrativo: é uma condição para o desenvolvimento. Conectar o Brasil, hoje, significa assegurar que essa integração continue existindo em um mundo em rápida transformação.
No dia 25 de janeiro, ao celebrar o trabalho cotidiano de carteiros e carteiras — o elo mais visível dessa missão —, o compromisso que se reafirma não é com o passado, mas com o futuro: enfrentar a realidade com responsabilidade para que os Correios sigam cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento nacional.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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