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Ano eleitoral

Samba-enredo sobre Lula na Sapucaí com patrocínio da União em ano eleitoral: o escárnio do Carnaval 2026

O problema não é o Carnaval, mas o uso de dinheiro público para exaltar um presidente em exercício justamente no ano eleitoral.

Rosana Valle

Rosana Valle

10/2/2026 16:30

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Ao longo dos 25 anos em que atuei como jornalista, cobri muitos carnavais. Fui testemunha da força da cultura popular, da criatividade e da dedicação das comunidades, da emoção que transforma a avenida do samba num retrato do Brasil - alegre, trabalhador e que nunca desiste. O Carnaval é do povo. Sempre foi.

Mas o que estamos presenciando, agora, não é apenas defesa da cultura ou apoio à maior manifestação popular do país. É política. E, pior: com o apoio financeiro da máquina pública em pleno ano eleitoral.

No Rio de Janeiro, a escola de samba Acadêmicos de Niterói levará à Marquês de Sapucaí um enredo de exaltação ao presidente da República em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O problema, a meu ver, não é a liberdade artística, mas, sim, o contexto.

Vejamos: há um contrato de R$ 12 milhões da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que prevê o repasse de cerca de R$ 1 milhão para cada agremiação do Grupo Especial, entre elas a escola de Niterói.

Quando dinheiro público está envolvido e a homenagem é dirigida a um mandatário, justamente no ano em que os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais, o sinal de alerta precisa ser acionado.

Recursos da União não podem financiar homenagens políticas disfarçadas de manifestação cultural sem violar princípios constitucionais básicos.

Recursos da União não podem financiar homenagens políticas disfarçadas de manifestação cultural sem violar princípios constitucionais básicos.Reprodução/Instagram/@academicosdeniteroi

Não por acaso, parlamentares do PL, do Novo e do Republicanos acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal de Contas da União (TCU) para que seja analisada a regularidade dos recursos que estão saindo dos cofres da União para a agenda carnavalesca carioca. A área técnica do TCU, aliás, já apontou para um possível desvio de finalidade.

Como deputada federal pelo PL, em meu segundo mandato, reforço esses questionamentos. E é importante deixar claro: não se trata de censurar o Carnaval, mas de defender a Constituição Federal. A administração pública deve, afinal, obedecer ao princípio da impessoalidade. O Estado não pode promover a imagem de quem está no poder, seja quem for.

Na prática, estamos falando de um presidente em exercício que será exaltado em plena Sapucaí, com samba-enredo financiado com recursos públicos e com transmissão para todo o Brasil e para o mundo, justamente no ano em que disputará a reeleição. Se isso não levanta dúvidas institucionais, então, o princípio da impessoalidade corre o risco de se tornar apenas uma expressão formal de nosso ordenamento jurídico.

A democracia não se fragiliza apenas em grandes rupturas. Ela se desgasta quando limites começam a ser relativizados, quando o poder público se confunde com a promoção de quem governa, e quando a máquina estatal deixa de ser neutra.

O ambiente institucional de hoje, convenhamos, não inspira confiança. Cresce, dia a dia, a percepção de que a balança da Justiça nem sempre pesa da mesma forma para todos. Algumas situações são rapidamente investigadas, enquanto outras parecem não ter a mesma urgência.

Mesmo assim, o silêncio não é uma opção. A função de quem exerce mandato não é se acomodar. É registrar, fiscalizar, alertar e, principalmente, não se calar. Ignorar sinais de possível abuso é permitir que os limites continuem avançando.

O Carnaval é do povo. O Estado é do povo. O dinheiro público, também. Misturar máquina pública, promoção pessoal e corrida eleitoral não é apenas inadequado - é inaceitável e perigoso. Um verdadeiro escárnio.

Quando o poder entra na avenida, o problema não é o samba, mas o que isso revela sobre o momento pelo qual atravessa o País. E o Brasil exige, mais do que nunca, vigilância e responsabilidade.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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